domingo, 31 de outubro de 2010

Rescue Me - Capitulo 27


Acordei no dia seguinte, comecei a ouvir chamarem o meu nome e comecei a estranhar. Senti-me mais quente que o normal, como se tivessem posto mais um cobertor na cama, ouvi uma respiração que não era a minha e senti que estava agarrada a ela que não eram os lençóis da cama, sentia um coração bater. Fiquei assustada, abri os olhos e quando vi o que se passava acalmei. Estava a dormir na cama do David e estava agarrada a ele como se ele fosse um urso de peluche grande, com o meu braço esquerdo à volta do corpo dele, olhei para cima e vi que ele estava acordado.

“Bom dia Catarina. Finalmente acordou, estava chamando e você nada.”

“Bom dia David. A chamar?” - disse ainda muito sonolenta.

“Sim. Quero ir ao banheiro e você não desgrudava de mim.”

“Desculpa.” – retirei o meu braço, soltando-o.

Ele levantou-se e saiu do quarto. Dei por mim a pensar na nossa conversa de ontem, sabia que tinha de resolver as coisas com o Ruben, mas o resto da conversa era melhor não pensar muito nisso, não posso ficar mal outra vez.

“Tá pensando em quê?”

“Tenho de esclarecer as coisas com o Ruben, não quero dar-lhe falsas esperanças. Não o quero magoar, mas não gosto dele como ele de mim.”

“Faz bem. Agora tem de ir comer algo e não esquece dos comprimidos. E logo tem terapia.”

“Sim mãe, eu sei mãe.”

Fui fazer o que me mandaram, sim o David manda, não pede, porque ele diz se pede não faço. Quando reparei nas horas tinha de ir para a terapia, sem vontade nenhuma, responder às perguntas do costume e quase de certeza que vou ter de falar deste fim de semana na casa do David.

“Olá Catarina.”

“Olá.”

“Como foi o fim-de-semana?”

“Também conta a 2ª feira? É que se conta, foi bom.”

“Conta hoje sim. Quer me dizer o que se passou para ser bom?”

“Não.”

“Catarina! Tá sendo mazinha.” – deitei a língua de fora ao David.

“O problema é meu. Não me apetece contar, não me apetece estar aqui.”

“Desculpe, ela hoje de manha não tava assim. Eu conto.” – olhei para ele muito seria, para ele não contar tudo, em especial a conversa de ontem.

Não quis ouvir o que ele ia dizer. Pus os phones nos ouvidos e carreguei no Play, não queria lembrar me de certas coisas, via os lábios a mexer tanto de um lado como do outro, mas só ouvia a musica e sentia o meu coração a bater. Algum tempo depois, alguém tocou-me no braço, vi que era o David e tirei os phones dos ouvidos.

“Catarina, aparentemente o que sugeri está a resultar, falei com o David e por ele não há problema nenhum em ficar mais dias em casa dele, ainda é cedo para ter a certeza que este método é realmente eficaz, foi apenas a primeira vez, agora aos poucos vou saber se resulta. A frequência das vezes depende dos vossos horários, mas gostava que fosse 2 fins-de-semana por mês, se der claro, se não puder ser fins-de-semana que sejam pelo menos entre 5 a 7 dias por mês.

“Está bem. Por mim não há problema.”

“Agora queria saber se tem o trabalho de casa e se pode ler algo ou quer que eu leia?”

Agarrei no meu caderno, olhei para o doutor pronto para ouvir-me, olhei para o David sentado ao meu lado e ele deu-me um pequeno sorriso. Sabia o que ia ler, e desta vez não ia ser fácil.

“Porque é que me sinto assim? Porque é que nada parece estar bem quando aparentemente está? Porque sinto falta de algo que não sei o que é? Porque me sinto sozinha numa sala cheia de pessoas? Porque é que não me sinto amada quando sei que há pessoas que me amam? Porque é que me olho num espelho e não me reconheço? Tantas perguntas, a resposta devia ser simples, mas não é, não sei qual é a resposta e até já me perguntei por ela. Estou farta de não saber, farta de viver sem respostas, farta de me sentir vazia. Odeio-me por isto, odeio-me por não saber quem sou, perdi-me e agora não consigo encontrar-me. Estou farta de tudo, farta da minha vida.” – já lia a gritar e com lágrimas a mancharem as palavras escritas, palavras que diziam uma parte do que sentia, palavras que traziam nada mais que dor e lágrimas, palavras que estavam a ser apagadas daquelas linhas, mas nunca iam ser apagadas da minha vida.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Rescue Me - Capitulo 26


O jogo acabou pouco depois, a minha equipa ganhou, o David não estava muito satisfeito, mas ele não podia fazer nada. Eu estava com um grande sorriso.

“Agora você sorri, né? Quando eu a quero ver sorrindo você não sorri e só porque os lagartos ganharam você sorri.”

“Não amues. Eu sorrio quando me apetece, e tu já me fizeste sorrir.”

“Mesmo assim, você devia sorrir sempre. Eu amo o seu sorriso Catarina.”

“És um querido, mas tu sabes que não é assim tão simples. As coisas já não são como eram, eu já não sou a mesma pessoa.”

“Eu não sei como você era, mas gostava de ter conhecido.”

“Eu sei. Não quero falar mais sobre isso.”

Já não sorria, fui para o quarto sem dizer nada ao David, vesti o pijama e sentei-me na cama a pensar em tudo e como já nada fazia sentido, como as coisas nunca mais iam ser como dantes e como iam piorar quando mais gente soubesse a verdade. Saí do quarto e dirigi-me à sala.

“Vou dormir David. Amanha falamos.”

“Me desculpe por ter falado…”

“Não faz mal, apenas estou cansada, não foi por causa da nossa conversa. Boa noite David.”

“Ok. Eu vou também. Boa noite Catarina.”

Voltei para o quarto e deitei-me, dei voltas e voltas na cama para adormecer, mas nada. Fechei os olhos e vi o que não queria ver, fiquei assustada e sabia que não ia conseguir dormir, o pesadelo de ontem ainda estava na minha cabeça e o medo de voltar a senti-lo era enorme, sentia-me cansada, mas acima de tudo sentia medo, muito medo.

Levantei-me, sai do quarto e passei pela porta do quarto dele, sem saber se havia de bater ou de ir para a sala ver tv até ao nascer do sol. Decidi-me pela primeira, sentia-me assustada demais para ver tv, bati 3 vezes na porta.

“Entre.” – abri a porta, uma pequena luz estava acesa e ele estava deitado na cama tapado.

“David…” – disse muito baixinho.

“Vem aqui. Não consegue dormir?” – sentou-se na cama e fez me sinal, para me aproximar e me sentar na cama ao lado dele.

“Não…” – sentei-me e olhei para ele.

“Medo de pesadelo?”

“Sim…” – mal ouvia a minha própria voz.

“Quer falar?”

“Não.”

“Ok. Então quero ficar sabendo o que se tá passando entre você e o Ruben.”

“Eu conto, mas não lhe faças nada de mal.”

“O que foi que ele fez? Ele a tentou machucar?” – ele perguntou exaltado.

“Não, nada disso! Ele disse que sentia algo por mim.”

“Ele tentou beijar você? Eu mato ele!” – ele disse muito irritado.

“Calma. É verdade, mas ele não chegou a beijar-me, pelo menos na boca, foi no pescoço, e eu também não fiz para o parar, ele não tem a culpa.”

“Você sente algo por ele?” – e eu olhei nos olhos dele.

“Não. Mas congelei, fiquei sem reacção. Eu adoro o melga, o Ruben, mas amar é outra historia completamente diferente. Se fosse noutra situação talvez sentisse algo por ele, talvez o pudesse amar, porque ele é incrível, mas não posso amar.”

“Porquê?”

“Porque acho que já não sei sentir o amor, aquele sentimento que estás apaixonado, e mesmo que o sentisse não podia agir, não confio em ninguém o suficiente para isso, porque não sou boa o suficiente para ninguém David, as marcas que tenho separam-me de todo o mundo, sou de um mundo diferente de todas as outras pessoas. Sou imperfeita, ninguém gosta de coisas com defeito.” – senti algo familiar a escorrer pela minha cara.

“Não diga isso. Você pode ser imperfeita, mas gosto mais de você assim do que se fosse perfeita. Se todo o mundo fosse perfeito era tudo igual, eu não ia gostar não. Ser imperfeita é que a torna especial, única, e se há gente que não vê isso é gente boba, é gente que não a merece.” – senti a mão dele na minha cara, a limpar as lágrimas que não paravam de cair.

“Se todas as pessoas pensassem como tu era tudo mais fácil. Mas não é assim, eu sei que tenho amigos, família, pessoas que me amam, mas gostava de sentir amor, sabes? Gostava de confiar para isso. E sei que assim, ninguém me vai amar, só vão ter pena de mim.” – o braço direito dele puxou-me para perto dele, aninhei-me encostando a cabeça no peito dele, continuando a chorar.

“Não diga isso. Você vai confiar Catarina. Você vai encontrar alguém, talvez quando não tiver esperando, talvez alguém que esteja perto de você.” – ele deu-me um beijo na cabeça.

“Espero que tenhas razão.” - estava cansada de chorar e de lutar contra o sono, adormeci nos braços dele desejando que ele tivesse razão e que houvesse alguém que eu pudesse amar e confiar, só espero que encontre essa pessoa antes que volte a pensar a fazer o que não devo.

Rescue Me - Capitulo 26 (preview)


Prometo amanha tentar postar um capitulo. Só vos peço se lêem a minha fic que comentem nem que seja anónimo. É que ver poucos comentários faz-me crer que pouca gente lê. Mesmo assim obrigada a quem leu e comentou e quem leu e não comentou. Fiquem com um bocado do próximo, prometo-vos que vai ser um capitulo bom e muita coisa vai mudar a partir daqui.

“Vem aqui. Não consegue dormir?” – sentou-se na cama e fez me sinal, para me aproximar e me sentar na cama ao lado dele.

“Não…” – sentei-me e olhei para ele.

“Medo de pesadelo?”

“Sim…” – mal ouvia a minha própria voz.

“Quer falar?”

“Não.”

“Ok. Então quero ficar sabendo o que se tá passando entre você e o Ruben.”

“Eu conto, mas não lhe faças nada de mal.”

“O que foi que ele fez? Ele a tentou machucar?” – ele perguntou exaltado.

“Não, nada disso! Ele disse que sentia algo por mim.”

“Ele tentou beijar você? Eu mato ele!” – ele disse muito irritado.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Rescue Me - Capitulo 25


Acordei com uma dor de cabeça enorme, sentia-me muito cansada, mal conseguia manter bem os olhos abertos. Não queria levantar-me da cama, mas tinha vontade de ir a casa de banho e tive de me levantar, fi-lo devagar, estava meio zonza, com a cabeça a latejar, respirei fundo e andei devagar. Quando saí da casa de banho sentia-me ainda muito zonza e mal disposta, não ia conseguir comer nada até que a dor de cabeça diminuísse, voltei para o quarto e vi-o à porta do quarto.

“Bom dia, Catarina. Como se sente?”

“Bom dia. Mal. Dói-me a cabeça e estou muito cansada, vou-me deitar para ver se melhoro.”

“Coma algo primeiro. Eu vou pegar algo para a sua dor de cabeça.”

“Não consigo comer agora, estou mal disposta.”

Fui-me deitar, pouco depois senti alguém a sentar-se na cama, era ele com um copo de agua e um comprimido, tomei-o, e tentei dormir ou descansar, para ver se as dores de cabeça passavam, já estava um bocado habituada a ter dias assim, mas não estava a gostar de estar a chatear o David. Ele continuava sentado a meu lado na cama e sabia que ele não ia sair de perto de mim até que eu me sentisse melhor ou algo assim.

“David, eu fico bem, não precisas de ficar aqui comigo, deves ter coisas para fazer.”

Senti ele a levantar-se e a sair do quarto. Não dormi, apenas fiquei na escuridão, tinha medo de adormecer, de voltar a ter um pesadelo, não percebia como na primeira noite não tinha tido qualquer pesadelo e ontem voltaram, mas isto não tinha grande explicação possível.

Pouco depois sentia-me melhor, a dor de cabeça diminuiu, já não me sentia tão zonza ou mal disposta, vesti uns skinny jeans e uma camisola verde de manga comprida e dirigi-me à sala.

“Melhor? Agora tem de comer algo.”

“Sim. Não tenho muita fome, mas é melhor comer.”

Depois de comer o David sugeriu que víssemos um filme, algo para relaxar, para me fazer sentir mais à vontade, eu estava a sentir-me muito insegura ao longo dos minutos, sabia que a noite estava a aproximar-se e não queria outro pesadelo. Ele apercebeu-se da minha insegurança ao longo do filme, deu-me a mão e ia apertando-a de vez em quando assegurando-me que estava ali, que eu estava segura.

A noite veio e parte da insegurança foi substituída por ansiedade e nervosismo. A minha equipa ia jogar e tinha de ganhar, mas sermos campeões já era apenas uma ilusão, as hipóteses do clube tinham sido destruídas há um tempo.

“Tenho mesmo de ver lagartos?”

“Tens.”

“A casa é minha, sabia?”

“Até podia ser do Papa. O comando é meu, logo eu decido o que se vê.”

“E se eu o pegar? Deixa de ser seu. Para ver lagartos ponha no canal dos documentários.”

“Engraçadinho. Não vais tirar-me o comando, nem te atrevas. Se não queres ver tapas os olhos, ou vai fazer outra coisa.”

Ele não respondeu, resignou-se, eu não largava o comando por nada, tinha medo que ele estivesse a preparar algo e eu ficasse sem ele, mas para ver a minha equipa eu faço de tudo até lutar contra um brasileiro com quase mais 20 cm que eu, com o dobro da minha força e quase com o dobro do meu peso.

O jogo começou e o David não me parecia muito satisfeito por ter de estar ver aquilo.

“Não amues. É só 90 minutos mais as compensações. Se tens os olhos a arder fecha-os.” –disse, sem tirar os olhos da televisão.

“Não tão ardendo não. E não tou amuando, desejo que os lagartos não ganhem.”

“Está bem. Agora calou, quero ver o jogo sem barulhos.”

“A mim não me tá mandando calar, a casa é minha, se não posso ver tv posso fazer tudo o resto. Não manda em mim.” – não respondi.

“Vai! Vai! Porra! No poste? Vou matar-te Liedson!” – gritei para a tv.

“Mata ele, assim depois não tenho de andar correndo atrás dele.”

“Cala-te! Não te pedi opinião!”

“Ei! Tá brava! Virou bicho?”

“Ainda não, mas se continuas viro mesmo.”

Ele calou-se e eu continuei a ver o jogo, estava super nervosa, não parava de bater com o pé, num lance mais perigoso instintivamente agarrei-me a algo e apertei com força, quando acalmei e vi o que era, estava a agarrar o braço do David com força, até estava a ficar marcado.

“Desculpa. Enervo-me demasiado.”

“Pois. Não faz mal. Você é doida, não conheço ninguém assim.”

“GOLO! É GOLO!” – saltei do sofá e gritei a alto e a bom som enquanto ele ria das minhas reacções.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Rescue Me - Capitulo 24


Acordei no dia seguinte, e voltei a sentir-me como não me sentia há muito, senti-me repousada, foi uma noite calma, ainda me perguntava porque tive tanto medo de adormecer. Ainda me sentia meio a dormir, fui à cozinha, tirei o leite do frigorifico e uma caneca e aqueci no microondas, retirei-a e senti a caneca morna nas minhas mãos, dirigi-me à sala, sentei-me no sofá e acendi a televisão.

“Oi. Bom dia Catarina. Como foi a noite?” – olhei para o lado e vi o David sentado na mesa com uma caneca na mão.

“Bom dia David. Foi boa, não aconteceu nada de mal, pelo menos que me lembre.” – respondi, com a voz ainda sonolenta e ainda não abria bem os olhos.

“Não vai ficar apenas bebendo isso pois não? Tem de comer algo e tomar os comprimidos.”

“Sim, mãe. Eu já como, prefiro beber primeiro e comer só depois. E vou tomar o comprimido, não te rales.” – ele estava a rir-se e eu não estava a achar piada nenhuma.

“Já se olhou ao espelho?”

“Não, achas? Acabei de acordar. Não me digas que tenho baba seca na boca ou o meu cabelo deve parecer o de uma bruxa todo despenteado.”

Levantei-me e fui ao espelho mais próximo, quando me vi ao espelho não tinha baba na boca, o meu cabelo até nem estava muito despenteado, mas quando olhei bem para a franja tinha metade dela espetada parecia que tinha apanhado um choque.

“Já vi. Se era suposto ter graça não achei graça nenhuma. Isto é o que dá de ter franja há pouco tempo. Malvada franja.”

“Ok, já parei. Não quer ir ao jogo hoje?”

“Não.”

Ele não pressionou mais. Ele sabia que o estádio e o jogo podia causar más memórias e não queria forçar-me a nada.

“Sabe onde tá tudo certo? Não vou poder atender ou estar ligando daqui a umas horas, Catarina. Fica bem?

“Sei, e sei disso do telemóvel. Fico bem sim. Vai, não quero que te atrases por mim.”

Ele aproximou-se de mim, abraçou-me, deu-me um beijo na cara.

“Fica bem. Eu volto rápido.” – agarrou nas coisas e saiu.

Fiquei sozinha, resolvi tomar um duche, dei um jeito ao meu cabelo que ainda estava vesti um par de skinny jeans, uma t-shirt branca e um pulôver verde, nos dias que o Benfica joga tenho sempre a tendência de me vestir de verde, joguei um pouco de consola e estou a melhorar de dia para dia, depois estive no meu portátil a trabalhar para a minha escola, ouvi música e falei com uma amiga minha que por acaso é do Benfica, desconhecendo totalmente onde eu realmente estava.

Agarrei na minha máquina fotográfica e tirei uma ou duas fotos a mim para ver se mudava a minha foto no meu facebook, acabei por tirar 10 e só aproveitei uma e mesmo assim não a ia pôr no facebook.

A hora do jogo estava próxima, sentei-me no sofá e esperei, não era o meu clube, mas ia apoiar o David e o melga também. O jogo passou rápido ou pelo menos foi o que me pareceu, irritei-me em alguns lances quando o David ou o melga falhavam, mas foi mais durante o principio do jogo, depois até jogaram bem e falharam pouco, o jogo acabou com uma vitoria do Benfica e uma boa exibição do melga e do David.

Estava a ficar um bocado cansada, muitas noites mal dormidas e a deitar tarde, não estavam a ajudar, agarrei no telemóvel e mandei uma sms ao David.

“Estou cansada, vou-me deitar, desculpa por não esperar por ti. Parabéns pela vitoria e pelo jogo que fizeste. Beijos.”

Não recebi resposta, ainda não devia ter visto o telemóvel. Fui para o quarto vesti o pijama e deitei-me, pouco depois adormeci, apesar de lutar contra o sono. Depressa percebi que a noite não ia ser como a outra, senti dor, ouvia a voz do meu pai a dizer que não valia nada, lutei para não me magoar, mas a dor consumia-me, senti as lágrimas na minha cara, olhei para os pulsos e vi os golpes, vi o sangue a escorrer, mas a dor continuava e o sangue continuava a escorrer, rodeando-me num mar vermelho. Gritei, mas não ouvi a minha voz, ouvi a chamarem o meu nome e acordei.

Vi-o, e senti os braços dele à minha volta, a dor do sonho continuava, o meu corpo tremia, sentia os pulsos a arder, queria falar mas não saia nada, apenas chorei, chorei até não ter mais lágrimas, chorei até o meu corpo ficar dormente de tanta dor, sentia o calor do corpo dele, o toque dele, uma mão a passar pelos meus cabelos e um braço a abraçar-me, o cansaço voltou a dominar-me, ele deitou-se ao meu lado nunca largando-me, continuando com uma mão nos meus cabelos, vi a cara dele, pouco iluminada, mas era visível o que ele sentia, via a dor, o sofrimento e o desespero dele de me ver assim. Adormeci novamente, desta vez sem pesadelos, mas com a cara dele cravada no meu pensamento.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Rescue Me - Capitulo 24 (preview)


Não sei quando vou poder postar o próximo capitulo, estou numa semana infernal, tenho frequência na 6a feira e trabalhos para fazer. Espero que compreendam. Mas assim que arranjar um tempinho tento postar, prometo. Obrigada a todas que lêem e comentam, a vossa opinião é muito importante para mim. Fiquem com um bocado do próximo capitulo.

“Oi. Bom dia Catarina. Como foi a noite?” – olhei para o lado e vi o David sentado na mesa com uma caneca na mão.

“Bom dia David. Foi boa, não aconteceu nada de mal, pelo menos que me lembre.” – respondi, com a voz ainda sonolenta e ainda não abria bem os olhos.

“Não vai ficar apenas bebendo isso pois não? Tem de comer algo e tomar os comprimidos.”

“Sim, mãe. Eu já como, prefiro beber primeiro e comer só depois. E vou tomar o comprimido, não te rales.” – ele estava a rir-se e eu não estava a achar piada nenhuma.

“Já se olhou ao espelho?”

domingo, 17 de outubro de 2010

Rescue Me - Capitulo 23


Novo capitulo. Desculpem pela demora, tenho andado com muitos trabalhos e vou começar as frequências. Alem disso o meu computador não está bom e tenho tido problemas com a Internet. Obrigada pelos comentários e continuem a comentar. Espero que gostem.

Com isto passaram-se mais uns dias. Escrevi no diário o que se tinha passado com o Ruben mas não referi nenhum nome. Hoje tem inicio o fim-de-semana que vou ficar com o David e estou nervosa, não sei porque mas estou. Acho que tenho medo de o perturbar se tiver alguma crise ou assim.

As coisas entre mim e o Ruben tem andado tensas, mas ele não tem forçado nada, tem é tentado agradar-me de todas as maneiras, tenho a impressão que o David suspeita que há algo entre mim e o Ruben, ele deve sentir a tensão. Os pesadelos continuam, sempre os mesmos, deixam-me fora de mim algumas vezes, esta semana já por duas vezes tive de tomar o comprimido mais forte para conseguir descansar, a minha mãe tem andado preocupada de eu andar assim. Nas aulas o meu cansaço tem sido visível, não me conseguia concentrar decentemente, alguns colegas meus começaram a suspeitar que algo está errado comigo, mas felizmente ainda ninguém descobriu o verdadeiro motivo.

Fui de comboio ter a um local combinado, a minha mãe foi me por ao comboio e o David foi me buscar, estava a minha espera perto da estação. Já estou mais habituada a andar de comboio e já não estranho ir sozinha.

“Você veio pra um mês?” – quando ele viu os sacos.

“Não. Isso é a minha roupa e sapatos, tenho ai o portátil e coisas da escola. Parece que é muita roupa, mas é mais tralha.”

Descalcei-me outra vez e fui ligar o portátil, tinha um trabalho para fazer, não tinha cabeça nenhuma para isso mas tinha de o fazer, respirei fundo e deitei mãos ao trabalho, nem reparei no que o David fazia, pus musica a tocar com os phones postos e comecei a fazer playback da musica enquanto escrevia e pesquisava para um relatório, o tempo deve ter passado a correr, acabei a minha parte do relatório só a tinha de enviar.

A Andreia meteu-se comigo no Messenger, ela é uma amiga minha, tem 1 ano mais que eu, e é baixinha e gordinha que é de morrer a rir, é do Porto e as vezes não tem muito cuidado com o que diz e depois é só sms dela cheias de asneiras. Liguei o micro e a webcam e comecei a ouvi-la e a vê-la.

“Sua…”

“Andreia, nada de asneiras.”

“Asneiras uma merda, eu digo o que quero caralho.”

“Já começa. Pessoal do Norte não há hipótese.”

“Nunca mais disseste nada. Como estás? E como está o carneirinho?”

“Pois, tinhas de falar nele! E nada de lhe chamar isso, nem eu lhe chamo isso mas ele já sabe.”

“Vocês já andam aos beijos?”

“Andreia! Não! Que invenções, não tenho essas intenções e tu sabes, nada de fazer filmes.”

“Já acabou o trabalho? Larga isso, vem pra aqui, Catarina.”

“Eu ouvi-o, estás com ele e aposto que estás na casa dele! Vai haver beijos, vai pois!” – fiz sinal ao David para ele ficar calado e ele acenou.

“Não inventes, eu não ia mentir-te. Vou ter de ir. Depois falamos.”

“Tu vais para namorar, eu sei.” – nem respondi, desliguei o Messenger e o computador.

“Vem ver eu ganhando a este fraquinho.” – o fraquinho era o Gustavo.

Pouco depois vi que ele tinha razão e o Gustavo perdeu, eu joguei com o Gustavo depois e ele voltou a perder, com o David empatei, mas tenho a impressão que ele fez de propósito. Chegou a hora de ir dormir e eu sem sono, devido a ser cedo e por ter medo de ir dormir. Mas fui-me deitar, depois de estar deitada mais de 10 minutos na cama, levantei-me e fui para a sala ver televisão, não ia dormir, se dormisse ia ter pesadelos e não queria prejudicar o David. Ouvi barulho e vi o David na porta da sala, de briefs e com uma camisola a olhar para mim muito zangado.

“Não tá dormindo porque? Isso faz mal.”

“É fim-de-semana, deito-me sempre tarde, não tenho sono David.”

“Pensava que eu não ia descobrir? Você tem de dormir Catarina, não faz bem à sua cabeça e corpo.”

“Eu lá sei, vai tu dormir que amanha tens jogo.”

“Vou eu e vai você. Pra cama Catarina.”

“Não vou não, não és minha mãe.”

“Vai pois. E sou sua mãe, tenho de tomar conta de você.”

Ele aproximou-se de mim, agarrou-me e pôs-me no ombro dele como se ele tivesse com um saco no ombro e levou-me para o quarto.

“Põe-me no chão.” – e comecei a dar-lhe beliscões para ele me largar mas ele nada.

“Não. Você vai pra cama, só se quer dormir no chão.”

Entramos no quarto e ele pôs-me na cama, sentei-me e fiquei a espera.

“Você vai dormir, não vai pra a sala não.”

“Ok. Então como estás armado em minha mãe tens de deitar-me, aconchegar e dar-me um beijinho de boa noite, dispenso história para dormir.”

“Engraçadinha, mas se fizer você dorme?”

“Sim.”

Eu deitei-me na cama e ele tapou-me, bem tapadinha para não ter frio, depois olhou para mim muito serio, aproximou-se e deu-me um beijo na testa.

“Boa noite Catarina. E para ter a certeza que você dorme mesmo vou ficar aqui à espera que esteja dormindo.”

“Boa noite David, e tu é que sabes. Eu ia cumprir.

“Não ia não, você é teimosa. Durma.”

“Sim, mãe.”

Ele sorriu e apagou a luz, mesmo assim via o vulto no meu quarto e custou a adormecer, estava nervosa por dormir, mas ao ver que ele estava comigo acalmou-me, deu-me segurança, lentamente senti-me a adormecer e deixei a escuridão envolver-me, apenas escuridão, algo que me reconfortou, algo que eu já desconhecia há muito.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Rescue Me - Capitulo 23 (preview)


Desculpem a demora em postar mas estive em aulas e quando cheguei a casa não tinha internet. Se conseguir escrever algo hoje talvez ainda hoje poste um capitulo. Mas deixo-vos com um bocadinho do próximo, espero que gostem. Obrigada por todos os comentários, continuem a comentar e a deixar as vossas opiniões.

“Nunca mais disseste nada. Como estás? E como está o carneirinho?”

“Pois, tinhas de falar nele! E nada de lhe chamar isso, nem eu lhe chamo isso mas ele já sabe.”

“Vocês já andam aos beijos?”

“Andreia! Não! Que invenções, não tenho essas intenções e tu sabes, nada de fazer filmes.”

“Já acabou o trabalho? Larga isso, vem pra aqui, Catarina.”

“Eu ouvi-o, estás com ele e aposto que estás na casa dele! Vai haver beijos, vai pois!” – fiz sinal ao David para ele ficar calado e ele acenou.


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Rescue Me - Capitulo 22


Peço desculpa a todas pela demora, mas o meu computador ainda nao anda bom, e só tenho o portatil à noite e tenho andado ocupada. Também tenho andado muito stressada, nervosa, ansiosa e não tem ajudado, mesmo assim, vou postar um capitulo. Espero acalmar e escrever e postar em breve.

Quando o filme acabou reparei que estava com a minha cabeça encostada ao ombro do David. E não estar deitada no sofá é um milagre, começo sempre a ver um filme numa posição e acabo noutra completamente diferente, não paro quieta.

“Tá cansada? Quer dar uma descansada no quarto?” – eu tirei a cabeça do ombro dele e olhei para ele.

“Não, estou bem, eu é que nunca fico quieta a ver um filme ou algo assim, tens sorte em não ter ficado numa posição mais estranha ou de estar a ver o resto do filme no chão.”

“Você é mesmo boba.”

“Tu não ficas atrás.” – e deitei-lhe a língua de fora.

“E eu?”

“Tu és um melga. Vai ser esse o teu nome agora, melga. Não é Ruben, é melga.”

“És tão má para mim porquê, eu sou boa pessoa para ti e gosto de ti.”

“Gosto de ter alguém com quem implicar, se caíres nas minhas boas graças deixo de implicar.”

“Eu vou fazer o máximo para te agradar.”

“Acho que o manz até vai ser seu escravo pra você ser boa pra ele.”

“Não é preciso tanto, mas depois logo vejo. Vou buscar algo para beber, as pipocas deram-me sede. Querem algo?”

“Um suco.”

“Eu vou com a Catarina, ela não consegue trazer 3 copos sozinha.” – disse o Ruben.

Fui em direcção a cozinha e o Ruben seguiu-me, cheguei ao frigorífico abri-o e tirei o sumo para o David, e estava a pensar no que beber.

“Melga, queres beber o quê?”

Virei-me e o Ruben estava demasiado perto de mim, queria afastar-me mas estava encostada ao balcão da cozinha e de um lado tinha a porta do frigorífico aberta não conseguia passar por ali e pelo outro lado era a única hipótese, mas perdi-a quando o Ruben, ou melhor, o melga esticou o braço e colocou a mão em cima do balcão encurralando-me. Pensei logo que ele me queria assustar ou algo assim, queria que eu cedesse para não lhe chamar melga e para o tratar bem, mas depois lembrei-me do momento do filme, na parte das pipocas e senti a tremer por dentro.

“Não quero beber nada. Só queria ter uma conversa contigo.”

“Conversar sobre o quê?”

“Tu sabes bem, tu sentiste, tu sabes que fui eu. Deves pensar porque é que fiz isso e porque sou tão melga. A verdade é que mexes comigo de forma estranha, não sei explicar. E tenho de saber o que isto é.”

“Ruben…” – ele colocou o dedo dele indicador nos meus lábios, mandando me ficar calada.

Perdi a reacção e não sabia o que fazer, sentia o coração a acelerar, o corpo a tremer, os olhos dele estavam brilhantes mas mais escuros, senti a respiração dele na minha cara, depois nos meus lábios, não conseguia faze-lo, tudo me gritava que era errado, o Ruben era apenas um amigo para mim. Desviei a cara para o lado, mas continuei sem ter saída, as duas mãos dele estavam a segurar no balcão da cozinha prendendo-me entre o balcão e o corpo dele, esperei que aquilo fosse suficiente para o fazer recuar, mas ele continuou, sentia a respiração dele no meu pescoço e pouco depois algo tocou o meu pescoço, algo suave e um pouco molhado, expirei fundo, estava praticamente sem fôlego de suster a respiração com a antecipação do que ele ia fazer. Parecia uma eternidade quando os lábios dele deixaram o meu pescoço, olhei nos olhos dele e ele nos meus, fiquei ali quieta, sem reacção com aquilo tudo, numa espécie de transe.

“Estão demorando muito porquê?”

O David entrou na cozinha e viu-nos naquela posição, senti-me mal, nem queria pensar no que ele estava a imaginar.

O que se tá passando?” – ele parecia um pouco chateado, mas acima de tudo confuso e surpreendido

“Nada, estava a tentar fazer chantagem com a Catarina, mas sem sucesso.”

“Desculpa David, o melga não me largava.”

“Acredito. O meu suco?”

“Aqui, toma. Eu vou beber o mesmo.”

“Obrigado Catarina.” – e ele deu me um beijo na cara e sorriu.

“A pagar com beijos? A forma de pagamento mais forreta de todas.”

“Não é forreta não, só há beijos pra quem merece, garota.”

“Doido.”

Voltamos para a sala e o ambiente estava tenso, sentia os olhos do Ruben em mim enquanto eu me ria com as parvoíces do David, sabia que o David estava incomodado com algo, via nos olhos dele, e ele não parava de bater com o pé no chão. Devia ser com a tensão toda, mas não podia fazer nada, tinha me metido num grande sarilho, o Ruben confundiu-me, nunca tinha sentido nada por ele e com isto tudo espero não danificar a nossa amizade, não sei como agir com ele porque não quero dar-lhe falsas esperanças, não estou pronta para confiar assim tanto, não estou pronta para amar, para o amar a ele ou seja quem seja.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Aviso


Desculpem por não ter postado, mas o computador que uso tem tido uns problemas e não tenho conseguido escrever nele. Além disso a escola tirou-me algum do tempo. Espero ainda hoje conseguir escrever algo e postar quando o outro computador vier.
Estou chateada por o meu computador não me deixar fazer o que quero, mas espero poder resolver o problema para vos poder dar mais capítulos.
Espero que compreendam.

sábado, 9 de outubro de 2010

Rescue Me - Capitulo 22 (preview)

Obrigada a todas. Não tenho tido tempo para escrever mas espero fazê-lo um pouco neste fim de semana se a minha cabeça colaborar comigo. Deixo-vos um bocadinho do próximo capitulo, vou tentar postá-lo o mais rapidamente possivel.

“Tá cansada? Quer dar uma descansada no quarto?” – eu tirei a cabeça do ombro dele e olhei para ele.

“Não, estou bem, eu é que nunca fico quieta a ver um filme ou algo assim, tens sorte em não ter ficado numa posição mais estranha ou de estar a ver o resto do filme no chão.”

“Você é mesmo boba.”

“Tu não ficas atrás.” – e deitei-lhe a língua de fora.

“E eu?”

“Tu és um melga. Vai ser esse o teu nome agora, melga. Não é Ruben, é melga.”

“És tão má para mim porquê, eu sou boa pessoa para ti e gosto de ti.”

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Rescue Me - Capitulo 21


Passaram-se alguns dias. Muitos dias, tanto que comecei a fazer o trabalho do doutor, ao principio só escrevia no diário um “Olá” ou um “Olá! Tudo bem?” mas aos poucos comecei a escrever mais sobre os meus dias, e as vezes se me sentia bem ou mal mas não tocava no assunto porque me sentia bem ou mal. As coisas com o David tem andando, tenho estado em casa dele algumas vezes especialmente nos dias de terapia, vou sempre embora quando ele tem treino ou quando já e tarde. Como vivo longe vou sempre de comboio para Lisboa, e se bem que ao princípio mal parava de falar com ele ao telemóvel durante todo o caminho porque tinha medo, agora já não custava tanto. Na escola ainda não me sinto bem integrada, mas já me dou com algumas raparigas da minha turma, os rapazes provocam e desconfiam de algo e tenho medo que eles descubram, mas até agora tenho tido sorte. O Ruben tem sido uma surpresa e tenho adorado conhecê-lo, também conheço o Gustavo e também é uma pessoa muito boa, apesar de não estar com ele muitas vezes, mas a única pessoa em quem confio plenamente é o David e não consigo explicar como confio tanto nele.

A terapia continua a mesma coisa, já tive algumas crises no consultório cada vez que se toca no passado, e tive já alguns pesadelos, mas consegui controlar.

Hoje é dia de terapia e folga dos treinos, hoje vou parar a casa do David e devemos jogar mais, ou ver filmes, e o Ruben deve vir atrás, o Ruben é a melga, eu chamo-lhe melga e ele não acha piada.

“Olá Catarina, como está?”

“Aborrecida. Outra sessão…hoje qual é o plano das festas?” – o David ria-se, plano das festas era o que iríamos falar na sessão, o programa, a planificação.

“Vai-me ler do seu diário e depois vou sugerir algo que creio que lhe vai fazer bem. Sei que tem tido pesadelos em casa quase constantemente e quero fazer um teste.”

“O que quer fazer doutor?” – perguntou o David.

“Quero fazer com que a Catarina fique na sua casa por um fim-de-semana, visto ela não ter aulas nessa altura, quero ver se o ambiente influencia os pesadelos dela, e se a mudança de ambiente melhora os pesadelos.”

“Concordo, tem de ser quando o Benfica jogar em casa.”

“Se correr bem os pesadelos dela em casa podem diminuir, e se for necessário a Catarina ficará na sua casa mais vezes para ver se melhora cada vez mais. Concorda Catarina?”

“Não posso discordar, não é? Lá vai ter de ser.”

“Não queria? Você não gosta de mim?” – e o David começou a fazer beicinho, não resistia aquele beicinho.

“Gosto, mas não quero incomodar-te David.”

“Não incomoda nada. Fica no próximo fim-de-semana, há jogo em casa.”

“Ok. É só combinar depois como é para ir ter contigo e quem me vem buscar aqui.”

“Agora vem pra minha casa. Hoje vamos ver um filme.”

Pouco depois estávamos na casa dele, voltei a descalçar-me e ele foi à cozinha e fez pipocas de microondas e trouxe uma tigela enorme cheia de pipocas, ele sentou-se ao meu lado e pôs o filme a começar quando tocaram à porta.

“É o melga? Não o deixes entrar.”

“Acho que sim. Coitado do manz. Ele gosta de você e é assim?”

“É só porque ele é um melga e esta sempre a elogiar-me cada vez que me vê.”

“Não gosta disso? Muita garota gosta.”

“Eu não sou como as outras, tenho um limite de elogios. Ele é querido, mas um chato. ”

“Manz! Veio ver a Catarina? Vamos ver um filme, quer ficar?”

“Olá Catarina, como está hoje a rapariga mais linda de todas?” – ele aproximou-se de mim e deu-me um beijo na cara sem eu esperar.

“Bem. Senta-te e cala-te, o filme vai começar.”

Estava no meio do Ruben e do David, o filme era uma comédia romântica, as pipocas ficaram no meu colo, porque se fossem no do David ele comia-as todas e se fosse o Ruben não deixava o David comer. Durante o filme ouvia-se os nossos risos e o barulho a comer pipocas, a minha mão foi a tigela e senti outra mão na tigela com a minha, estranhamente a mão tocou na minha e passou por ela suavemente, a sentir a minha pele a acaricia-la, arrepiei-me daquele toque, fiquei nervosa, mas não olhei de quem seria a mão mas sabia que só podia ser do Ruben, eu conhecia bem o toque do David era um toque que me dava segurança, um toque que já tinha sentido montes de vezes quando estava pior. Deixei de sentir a mão na minha e pouco depois olhei para o Ruben, ele parecia com atenção ao filme, como se nada tivesse acontecido, mas eu sabia e não sabia o que havia de pensar ou sentir daquilo que se tinha passado.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Regresso

Vou anunciar-vos que vou voltar a escrever e a postar, peço que tenham paciência comigo visto ainda não andar bem. Posso andar dias sem escrever ou postar, dependendo de como andar. Mas escrever pode ser que me ajude a distrair, vou voltar lentamente.

Aviso que não quero dramas ou agitações, essas coisas perturbam-me e fazem-me ficar um bocado mal, não posso sofrer mais.

Ainda não ando bem e não sei quando vou ficar, peço que respeitem o que vos peço.

sábado, 2 de outubro de 2010

Informação

Queria informar-vos de como ando. Fui a uma psicóloga na 6a e ela recomendou-me tomar uns comprimidos para a concentração, visto não me conseguir concentrar na escola e comecei a ganhar raiva à escola. Tive uma espécie de crise nervosa na 3a feira, tremia por dentro e deixei até de sentir as pernas por uns minutos enquanto estava na escola.
Tenho tido pesadelos horríveis, fico a pensar neles todo o dia e afectam-me psicologicamente. A psicóloga diz que ando assim devido a uma coisa que aconteceu há pouco tempo e que fez lembrar-me de coisas más do meu passado, mas é algo que não posso evitar.
Estou a ver se os comprimidos que ajudam a concentrar no que devo e deixar de pensar no que não devo.
Hoje tive um dia horrível e fui-me muito abaixo. Comecei a chorar do nada e tive um pesadelo horrível. Não vou explicar o que se passou porque não quero chocar ninguém.
Se nada disto resultar volto a falar com a psicóloga e talvez tenha de ir para um psiquiatra. Peço desculpa por estar afastada, mas tenho mesmo de tentar concentrar-me e centrar-me em mim para ver se melhoro.
Obrigada a todas pelo vosso apoio. Vou continuar a actualizar coisas sobre o meu estado se vocês quiserem saber como ando.