domingo, 29 de agosto de 2010

Rescue Me - Capitulo 8 (preview)


Obrigada a todas que lêem. Só escrevo por vocês. Desculpem a demora e escrever mas tenho andado ocupada e ontem fui ao jogo que me roubou muito tempo para escrever. Deixo um bocadinho do capitulo 8 que espero postar em breve.

Comecei a tremer, sentia frio, mas devia ser a única, senti ele a agarrar-me com mais força, e a deitar-me na cama, não conseguia larga-lo, se o largasse não ia aguentar. Ele deve ter notado e não me largou, sentou-se na cama comigo e eu aninhei-me mais a ele, com frio, de me sentir desprotegida sem ele a agarrar-me, encostei a cabeça ao peito dele e deixei as lágrimas cair.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Sonhos ou realidade?


Todas as noites sonhava contigo, sonhos inocentes em nos conhecíamos e nos tornávamos amigos, todos os dias acordava a jurar que o que tinha sonhado não podiam ser meros sonhos, mas algo mais, eram tão reais que não podia ser apenas imaginação.

Depressa esses sonhos mudaram, tornando-se numa história em vez de sonhos isolados, uma história onde desenvolvíamos a nossa amizade e descobríamos mais sobre nós, riamos juntos, divertíamo-nos. Quando acordava comecei a estranhar, nunca tinha tido sonhos assim. Quando te via na televisão, pensava se tu também sonhavas comigo de alguma forma, mas duvidava que fosse verdade, tu nem sabias quem eu era, como podias sonhar com alguém que nunca viste? Nunca conheceste?

Os sonhos continuavam, e lentamente comecei a sentir algo que nunca tinha sentido com apenas sonhos, uma parte de mim desejava estar sempre contigo, nem que fosse para ver o teu lindo sorriso, os teus olhos brilhantes, penetrantes e passar uma mão pelos teus caracóis.

Comecei a acordar a sentir-te perto de mim, a sentir o teu cheiro, o teu toque. Sentia uma espécie de ligação, algo inexplicável, mas para haver uma ligação são preciso duas pessoas e tu de certeza que não sonhavas comigo.

Voltei a ver te na tv. Estavas como sempre te via nos meus sonhos, os teus olhos com um fogo diferente, estavas concentrado no teu trabalho, o suor escorria-te pela cara, do esforço que aplicavas, nada de invulgar nisso.

Depressa a minha família viu o quanto gostava de ti, gozando comigo, ligando mais aos jogos da tua equipa do que da minha, queria odiar-me por te ligar mais a ti do que à minha própria equipa, rival da tua, mas não conseguia, era como se tivesses lançado um feitiço sobre mim sem eu saber.

Os meus sonhos deixaram de ser propriamente bons, não sabia o que podias sentir ou não por mim e isso fazia-me desesperar, tentava afastar-me de ti mas não conseguia, doía mais se me afastava. Quando acordava era visível que não andava bem, mas era fácil atribuir culpas ao cansaço e ao stress.

Numa noite não resisti e disse o que sentia por ti, beijei-te porque sabia que não devias sentir o mesmo e queria sentir os teus lábios uma única vez nos meus, senti as lágrimas na minha cara, por ser sempre rejeitada pelas pessoas que amava. Provaste que estava errada, quando limpaste as lágrimas da minha cara com os teus dedos e me beijaste, só tocaste levemente com os teus lábios nos meus, mas foi o suficiente para me fazer feliz.

Acordei como se nada me pudesse destruir, estava tão feliz. Toda a gente notava a minha felicidade e apontaram que a razão fosse um namorado. Neguei-o apesar de querer gritar o teu nome, mas iam achar me maluca, como podias ser meu namorado se nunca tínhamos estado juntos e se nem sabias que eu era.

A nossa relação ia evoluindo lentamente, nunca tinha tido um relacionamento tão serio como este e queria que durasse. Contei-te os meus medos, as minhas inseguranças, e tu sempre me fizeste sentir segura, prometeste-me se nós acabássemos que ias fazer de tudo para não me magoar.

Algumas noites depois entreguei me a ti, dei-te uma parte de mim que nunca ninguém tinha tido, ficaste com uma parte de mim, tinhas parte da minha alma, do meu coração. Apesar do medo e do nervosismo que sentia, tudo desapareceu quando te olhei nos olhos e sabia que tinha tomado a decisão certa. Prometeste-me que nunca ias esquecer os meus olhos, o meu olhar acontecesse o que acontecesse e que eu ia ter sempre uma parte tua, porque me tinhas dado um pedaço do teu coração, um pedaço de ti.

Já mal escondia o que realmente sentia por ti quando te via na tv, fazendo com que a minha família te chamasse meu namorado, apesar de não seres realmente meu. Comecei a desejar que os meus sonhos, fossem realidade desejava que visse uma estrela cadente apenas para desejar isso, para desejar que fosses meu.

Um dia tudo acabou, quando te vi numa revista com outra rapariga, ai tive a certeza que tudo o que tinha vivido eram apenas sonhos, nada mais, a ligação que sentia, tudo, devia ser apenas minha imaginação.

Foi visível em mim o que se tinha passado, a tristeza era evidente. Voltei a culpar o stress e o cansaço, mas estava a ser difícil, esconder o que realmente sentia.

Parei de sonhar contigo, doía-me só de te ver, de ouvir o teu nome, doía-me a ver-te jogar e notei que estavas mais irritado que o normal nos jogos mas devia ser aos menos bons resultados da equipa, não era nada relacionado com os meus sonhos.

Dias depois o meu primo anunciou que queria ver um jogo e eu disse que queria ir. Causei espanto em todos mas sabiam que o motivo eras tu. Fiquei encarregue de arranjar os bilhetes e arranjei para os melhores lugares possíveis, eu escolhi umas filas mais abaixo do que toda a gente para ficar perto de ti. Era a primeira vez que te via ao vivo depois de ter começado a sonhar contigo e o meu coração batia de ansiedade, de nervosismo, de desejo.

Na noite antes do jogo, sonhei contigo e disse que te ia ver, que se ainda tu sentias algo por mim para me procurares.

No dia do jogo, mal abriram as portas entrei e fui a correr para o meu lugar. Destacava-me do mar de vermelho que me rodeava, estando com uma camisola verde, a minha cor preferida. Aqueceste perto de mim, tirei fotografias, pensei que já não te amava, mas os sentimentos voltaram ainda mais fortes que nunca. Senti-te tão perto, mas tão longe ao mesmo tempo. Estavas um pouco distraído no aquecimento, mas podia ser por qualquer coisa, não era eu o motivo, tinha de parar de pensar nisso. Entraste para os balneários novamente e o tempo de espera até ao inicio do jogo parecia interminável, antes de entrares um arrepio percorreu-me o corpo, e sabia que algo ia acontecer.

O jogo decorria e tinha os meus olhos vidrados em cada movimento teu, nem liguei quando o teu clube marcou, só reparei quando te vi festejar. Tu continuavas um pouco distraído, mas devia ser impressão minha, quando olhei para o relógio o jogo estava mesmo a acabar.

Soou o apito final, os adeptos fizeram-se ouvir, mas para mim nada mais interessava a não ser tu, sabia que ias recolher aos balneários e que ia deixar de te ver, a tristeza invadiu-me e fiz um esforço para não derramar uma lágrima, mas tu paraste, e dirigiste-te para perto de onde eu estava, adeptos gritavam o teu nome e pediam a tua camisola. Aproximei-me rapidamente, tinha uma hipótese de te poder ver de perto, de olhar nos teus olhos e talvez de te tocar, só para ter a certeza que tudo era real.

Retiraste a camisola e apesar de o teu corpo me fazer tremer a única coisa que queria ver era os teus olhos, o teu olhar. Estiquei a mão, tentando ver se a camisola me calhava, mas era apenas esperança, a camisola não era para mim. Senti algo tocar-me na mão, um tecido, instintivamente agarrei e olhei por um breve segundo, vendo a camisola na minha mão com o teu número, olhei de novo para os teus olhos e o teu olhar estava preso no meu e brilhou, vi aquele brilho quando estavas comigo e acreditei que fosse um sonho.

O teu olhar deixou o meu, mas sentia-me sem reacção, não podia ser real ou podia?

“Pode esperar?” – ouvi uma voz dizer, não era a tua mas esperei.

O meu primo disse que esperava por mim no exterior do estádio, e esperei. Veio um segurança ou algo assim, que me levou para dentro do estádio, para uma zona que desconhecia completamente, esperei mais um pouco e não parava de olhar para a camisola ainda nas minhas mãos.

“É sua sim, não acredita?”

“Ainda penso que é tudo um sonho, não pode ser a realidade.” – senti dor no meu braço, tinha sido beliscada, agora sabia que era a realidade. Olhei para ele.

“Não é sonho, não. Pensava que você era, porque os sonhos eram sonhos que eram bons demais para ser realidade.”

“Os sonhos podem tornar-se realidade, David. Só que os meus nunca tinham esse fim.”

“Mas agora isso pode mudar. Você quer que mude?”

“Tudo o que desejava era que fosse real, tu fizeste-me sentir como nunca tinha sentido, contigo fui feliz, mesmo sabendo que podia ser apenas sonhos.”

“Senti o mesmo, tentei esquecer, não podia estar assim por sonhos, mas hoje algo me fez sentir que você estava aqui. Acredito que foi Deus, ele quis que você e eu nos encontrássemos em sonhos e agora na realidade.” – senti a mão dele a agarrar na minha que não tinha a camisola.

“Talvez. Só sei que agora que te encontrei não te quero perder de novo.” – senti uma lágrima na minha cara.

“Não vai, não a quero perder também.”

Os olhos dele brilhavam, e ele limpou-me a lágrima da minha cara, a mão dele parou na minha cara e senti os lábios dele nos meus, apenas um simples beijo, mas que dizia tudo.

“Te amo Catarina, menina dos meus sonhos.”

“Te amo David, rapaz dos meus sonhos.”

Ele voltou-me a beijar e desta vez mais intensamente, quando paramos olhamos nos olhos um do outro e sorrimos. Sorrimos porque agora sabíamos que não eram apenas sonhos, era realidade e que íamos fazer de tudo para que a realidade fosse como nos sonhos, juntos e felizes.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Rescue Me - Capitulo 7

Obrigada a todas. Espero que gostem. Comentem por favor.


Tinha o telemóvel perto da camisola ao alcance das minhas mãos, agarrei nele com dificuldade, sentia dor nos meus pulsos, fui a lista telefónica e carreguei na letra D. Imediatamente vi o nome David Luiz no meio do nome de alguns amigos meus que também começavam com a letra D, sabia que agora não podia deixar qualquer pessoa mexer no meu telemóvel para evitar que apanhassem o nome dele ou teria de mudar o nome no telemóvel, mas agora não queria pensar muito nisso. Ainda não acreditava se era verdade e se havia de lhe telefonar, ele tinha acabado de sair e não queria que ele achasse que eu era daquelas pessoas cola, mas a verdade e que me sentia estranha sem ele no quarto, sentia-me insegura, sentia as más memorias a voltar, era como se ele fizesse tudo desaparecer, apenas a presença dele fazia-me relaxar, nunca ninguém tinha tido um efeito assim em mim e isso assustava-me.

Tinha o número dele pronto a ligar, mas não sabia se havia de o fazer ou não, coloquei um dedo na tecla verde e outro na vermelha, fechei os olhos e contei até três, o botão que carregasse é que decidiria se ia ligar ou não.

Carreguei num botão e abri os olhos, o telemóvel estava a chamar, tentei coloca-lo no meu ouvido, mas sentia muitas dores, carreguei no altifalante e deixei estar o telemóvel no mesmo sitio.

“Oi? Oi? Quem fala?

“David?”

“Catarina, está tudo bem?”

“Sim. Só queria ter a certeza que era o teu número e para tu ficares com o meu.”

“Não estava acreditando em mim? Fui eu que escrevi o meu número, não é brincadeira não. Vou guardar o seu. Obrigado, e já sabe se precisar pode dizer algo.” -

“Não estava a acreditar que tinha mesmo o teu número, parece que ainda é tudo um sonho. Mas agora acredito que é real. Obrigada David, desculpa por te ter chateado.”

“Não faz mal. Adeus.”

“Adeus.”

Mal ele desligou fiquei sem saber o que fazer, senti-me mal e sozinha, e quando olhei para os meus pulsos ligados apeteceu-me arrancar tudo, apeteceu-me magoar, estava sozinha, sentia-me abandonada, não sentia nada a não ser dor. Olhei para as minhas pernas e vi a camisola dele, agarrei-a com a força que tinha, sentia os pulsos a doer, mas não a larguei, senti as lágrimas a escorrer, senti a dor a diminuir ao lembrar-me dele ao sentir uma parte dele comigo, a dor ainda estava lá, mas já sentia algo e sentia que talvez valesse algo.

Não dormi, dormir trazia os pesadelos, mas não podia fazer muito, vi um pouco de televisão mas não estava a dar nada de jeito, não conseguia escrever sms para uma das minhas melhores amigas que não sabia o que tinha se passado comigo apesar de saber das minhas tentativas e de tudo o que se passou com a minha vida.

Pus musica a tocar do meu telemóvel, talvez me distraísse, talvez fizesse o tempo passar mais rápido, mas só me fez chorar, fez-me sentir mais inútil, desesperar para apagar a dor.

Senti o meu telemóvel vibrar nas minhas mãos e nem me preocupei a ver de quem era o número, ia rejeitar, mas carreguei no verde, mas demorei a carregar para ligar o altifalante.

“Catarina? Está bem? Está chorando? Me responde, por favor.”

“Estou bem, não é nada.”

“É sim. Fala.”

“Não. Porque ligaste?”

“Queria saber a que horas posso a ver.”

“Quando quiseres, mas só posso receber visitas daqui a 1 hora.”

“Ok. Catarina, não chora não, prometo ir aí, me dê 2 horas. Quando chegar não quero a ver chorando.”

“Não te posso prometer isso, não te posso prometer nada. Desculpa, adeus.”

A minha cabeça gritava, não queria responder-lhe assim, queria pedir ajuda, não queria ficar sozinha, queria pedir que ele estivesse comigo agora, queria sentir-me segura, mas não consegui, foi como se o meu corpo não me obedecesse dizendo algo completamente diferente. Senti as lágrimas a escorrer cada vez mais, eu era mesmo inútil, uma falhada, talvez o meu pai tivesse razão…

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Rescue Me - Capitulo 7 (preview)


Porque me pediram deixo um paragrafo do próximo capitulo só para vos deixar mais ansiosas. Espero que gostem. Não se esqueçam de comentar, agradecia muito.

Olhei para as minhas pernas e vi a camisola dele, agarrei-a com a força que tinha, sentia os pulsos a doer, mas não a larguei, senti as lágrimas a escorrer, senti a dor a diminuir ao lembrar-me dele ao sentir uma parte dele comigo, a dor ainda estava lá, mas já sentia algo e sentia que talvez valesse algo.

Rescue Me - Capitulo 6


“Nem sei o que dizer. Nunca pensei. Foi demasiado, percebo porque o fez, mas não foi a melhor solução, devia ter feito algo. Se soubesse, se a conhecesse há mais tempo não deixaria que acontecesse nada. Acredito que deva doer demasiado, vejo nos seus olhos, o sinto.”

“Acho que o faria na mesma. Antes disto tudo acontecer perguntava-me como alguém conseguia acabar com a própria vida, mas agora sei porquê. Olho para trás e gostava de voltar a ver quem eu era, mas grande parte de mim desapareceu.”

“Como era?”

“Era alegre, divertida, doida, tímida, faladora, querida. Também tenho defeitos mas esses continuam. As vezes ainda sou assim, mas é raro, é só para disfarçar.”

“Gostaria de conhecer essa Catarina.” – olhei nos olhos dele.

“Eu também gostava de voltar a vê-la.”

Continuamos a falar sobre nada de especial e durante aquele tempo não pensei em mais nada a não ser ele, apesar de sentir dor cada vez que mexia os pulsos ele fazia-me esquecer e era bom ter alguém com quem falar, alguém que não sentisse pena, apenas que falasse comigo para me sentir melhor.

“Menina, tem mais visitas. É a sua família.” – a enfermeira avisou-me.

“Não quero falar com elas, diga que estou a dormir ou assim.”

“Catarina, tem de falar com a sua família.”

“Eu sei, mas não consigo, dói muito. E vou desiludi-las.”

“Lembra o que prometi? Estarei aqui com você.” – e senti ele a apertar me levemente a mão.

Dei ordem à enfermeira para que elas entrassem. Olhei para a porta e vi a minha irmã entrar primeiro e a minha mãe de seguida. Elas estavam em choque, eu não devia parecer nada bem, mas o choque delas podia ser mais, devido a ter a camisola do David nas minhas pernas e ele ao meu lado a segurar-me na mão.

“Catarina, como te sentes?”

“Estás bem mana?”

Apenas abanei a cabeça, a dizer que dizia que não sabia. Não conseguia falar, doía.

“Catarina, fala.” – disse o David e voltou a apertar-me a mão.

Olhei para ele e abanei a cabeça que não. Ele viu que eu parecia perturbada e olhou para a minha mãe e irmã.

“A Catarina se sente cansada, precisa de dar uma descansada, ela depois fala com vocês.”

“Ok. Pode vir lá fora para podermos falar?” – a minha mãe perguntou. Ele acenou que sim, largou-me a mão e foi para fora do quarto com a minha mãe e irmã.

Olhei para os meus pulsos e ao vê-los ligados apeteceu-me cortar as ligaduras, gritar, fazer algo para que acordasse deste pesadelo, mas sabia que não era possível porque era bem real. Olhei para eles e senti as lágrimas na minha cara, a dor mais forte que nunca, sentia o corpo dormente da dor que sentia, do vazio.

“Chorando? Não! Pare de pensar e de olhar, olhe para mim.”

Não conseguia olhar, era como se não tivesse forças. Vi uma das mãos dele a segurar na minha mão direita.

“Porque estava vestindo de verde?” – ele mudou o assunto da conversa.

“Se souberes não vais gostar.” – e olhei para ele.

“Não interessa. Quero saber.”

“Ok. A minha cor preferida é verde e quis ser do contra e ir de verde. Mas também não é esse o motivo.”

“Não é do Benfica, certo?”

“Sim.”

“Pela cor é lagarta, tou certo?”

“Certíssimo.”

“Uma lagarta na Luz e nem era contra o Sporting. Suspeito…” – e ele sorriu.

“Não quis ficar em casa, e isto fica entre nós. Sou simpatizante do Benfica…”

E eu sou o seu jogador preferido.” – ele interrompeu-me.

“Mas como sabes?”

“A sua família me contou.”

“Nunca sabem ficar de boca calada.”

“Não faz mal. Você é a primeira que não é do Benfica e que gosta de mim que eu conheça.”

“É estranho?”

“Um pouco, eu e lagartos não combina, mas com você está combinando.”

Não evitei e sorri ligeiramente.

“Você sorriu! Estou gostando dessa Catarina.”

“É bom que aproveites porque muito raramente ela aparece.”

“Eu estou aproveitando. E desejando que ela apareça mais vezes.”

“Talvez ela apareça, mas não tem sido fácil…”

“Desculpem interromper, mas vai ter de sair, a hora da visita acabou, agora só daqui a umas horas.” – a enfermeira avisou.

“Fica bem, Catarina? Tome o meu numero se precisar de falar quando estiver sozinha. Vou tentar voltar depois.” – ele escreveu o numero no meu telemóvel.

“Fico, David. Obrigada, e não precisas de voltar se tiveres algo.”

“Não me esta convencendo com o fico, mas aceito. E eu volto sim, gostei de falar e estou preocupado com você.”

“Ok. Tu é que sabes. Adeus, David.”

“Adeus Catarina.” – e ele saiu do quarto.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Rescue Me - Capitulo 5


Aviso: Este capitulo baseia se em factos reais, numa história verídica, fala de assuntos susceptiveis, nao me responsabilizo pelo que possam sentir ao ler.


Comecei a pensar se isto tudo seria verdade, podia ser apenas um sonho, mas parecia tudo tão real, sentia dor nos meus pulsos ao mínimo movimento, tinha o David Luiz ao meu lado e a camisola dele em cima das minhas pernas.

“Está a pensar no quê?” – olhei para ele sentado ao lado da minha cama.

“Estava a pensar que isto pode não ser real, talvez seja só um sonho, um pesadelo, mas no estádio foi tão real. Talvez eu morri mesmo.” – senti a beliscarem-me no braço e dei um grito.

“Sonho não é. Desejava que fosse?”

“Sim. Se estivesse morta talvez fosse melhor. Não sei como vou encarar toda a gente agora, mas o pior não é isso, o pior é a dor que sinto.”

“Não diga isso! Dói algo, Catarina? Quer que chame alguém para lhe dar algo?”

“Não é essa dor, esta dor não se cura assim. È uma dor que está sempre dentro de mim, umas vezes adormecida outras não, uma dor que me consome, que me destrói de dentro para fora. E complicado de explicar, o que sinto é indescritível.”

“Compreendo e percebo. Nunca vou esquecer esse dia e o que vi.”

“Acredito, o meu sangue, deve ter sido demasiado, não foi? Desculpa David Luiz.”

“Me chame só de David. Não foi só o sangue, nunca vou esquecer o seu olhar, vi dor, desespero, vazio. Mas quando olhou para mim, os seus olhos ganharam vida, pediram ajuda e nunca vou esquecer isso, não a podia deixar morrer, tinha de fazer algo.”

Olhei nos olhos dele e senti me impressionada pelo que ele disse, mas mal porque ele nunca ia esquecer o que aconteceu.

“Desculpa David. Não queria que mais ninguém sofresse por mim, mas por culpa minha tu nunca vais esquecer o que se passou e não queria traumatizar-te. Devia ter morrido, assim não via mais ninguém a sofrer por mim.” – lutei para não voltar a chorar, mas voltei a sentir dor, fechei os olhos e senti uma lágrima a escorrer.

Senti uma mão na minha cara e abri os olhos, sabia que aquela mão só podia ser de uma pessoa.

“Não me toques! Não quero a tua pena, não quero nada! Só preciso de ficar sozinha.” – gritei e desviei a cara dele.

“Não vai ficar sozinha, não vou deixar, não quero que faça o mesmo de novo.”

“E se fizer? A dor é demasiada, não sei se aguento.”

“Aguenta sim. Catarina, porquê? Porque é que se tentou matar?”

“Queres mesmo saber, David? Não sei se consigo contar, dói muito.”

“Não é preciso ser agora, mas se for, estou aqui, prometo.”

“Não prometas algo que não podes cumprir!” – gritei e senti mais lágrimas a cair.

“Mas eu vou cumprir.” – olhei nos olhos dele e algo fez me ver que ele não estava a mentir.

“Eu conto. Tens tempo?”

“Todo o tempo.” – respirei fundo e comecei a contar.

Isto tudo começou há 2 anos atrás, quando o meu pai decidiu sair de casa, porque tinha uma amante mais nova do que ele quase 20 anos. Nesse dia ele tratou-me a mim e à minha irmã muito mal, disse que nós não valíamos nada para ele. Como é que um pai tem coragem para dizer isto aos filhos?

Mais tarde, pediu desculpa pelo que disse, disse que estava de cabeça quente e disse as coisas sem intenção, perdoei-o mas não completamente, ele magoou-me muito. Prometeu-me que iria dar-me a mim e à minha irmã dinheiro para as despesas que tivéssemos.
Nisto passou-se um tempo, a minha mãe entrou numa grande depressão e mal comia, só chorava, eu não conseguia fazer nada para a animar, a minha irmã também entrou numa depressão por causa do meu pai. Ela tinha ataques de ansiedade, sentia-se mal e tremia muito, foi ao psiquiatra e ficou medicada.
Eu fui a única menos afectada por esta situação, uns meses mais tarde, tudo piorou. Já não recebíamos dinheiro do meu pai e começamos a ficar mal economicamente e fiquei em risco de ser posta na rua. Com isto tudo, a minha mãe piorou e se não chorava, gritava comigo e com a minha irmã, a única coisa que me preocupava era como iria manter a minha família unida, se esta já estava a desfazer-se….

A minha vida piorou a partir daí, só me apetecia chorar e não conseguia dizer a ninguém da minha turma o que se passava, porque estava na universidade e não confiava totalmente nos meus amigos para lhes contar, muito por os conhecer há tão pouco tempo.

Umas semanas depois, estava mesmo mal, não me conseguia concentrar na universidade e não aguentava estar na sala, ao intervalo saí e fui para casa. Chorei e chorei, sentia-me vazia, incompleta, por mais que fizesse a minha vida não melhorava, só piorava, já estava farta de lutar para voltar a ser feliz.

Tentei matar-me, mas não o fiz. Deus salvou-me, pedi um sinal para não o fazer e ele deu me. Uma música começou a tocar no meu mp3 que dizia para não desistir e não o fiz, a minha mãe e irmã nunca souberam, se lhes contasse elas ficariam pior. Mas os telefonemas do meu pai continuaram e ele continua a tratar me mal. E só me lembro de tudo o que se passou quando ele foi-se embora e dói. Ele está semanas sem ligar mas quando liga magoa-me sempre. E faz-me acreditar que não valho nada, quando ele me diz isso, que não sou ninguém e dói, magoa, telefonou-me ontem e não aguentei, quebrei e cedi, e agora a dor não pára, nunca parou desde aquele dia e agora estou marcada, marcada para sempre.” – os meus olhos eram só lágrimas, mal via, mas senti a mão dele na minha, e vi os olhos dele, em lágrimas a olhar nos meus.

Rescue Me - Capitulo 4



Já não me sinto leve nem livre. O que se passa? Que luz é esta? Devo estar no céu. Vejo paredes brancas e tecto branco, deve ser mesmo o céu, ou algo, não sei se mereço ir para o céu, afinal matei-me.

Olhei bem para o que me rodeava e vi que afinal não morri, estou num hospital. Olhei para os meus pulsos e vi-os com tubos e ligados, comecei a chorar imediatamente, devia ter morrido, estou viva e devo ficar com umas cicatrizes horríveis para sempre e a dor vai continuar, não quero enfrentar a minha família, desapontei toda a gente ao fazer isto.

“Já vi que já acordou. Está bem? Dói-lhe algo?” – perguntou-me uma enfermeira.

“Estou! E não me dói nada, só quero ficar sozinha.”

“Já que está acordada queria dizer lhe que tem uma visita.”

“Se é a minha família diga que ainda não acordei, não quero vê-las.”

“Não é a sua família, é um jovem, alto e muito engraçado.”

“Não estou a ver quem possa ser. Apenas deixe-me sozinha.” – a enfermeira saiu.

Tentei limpar as lágrimas e senti dor nos meus pulsos. Fiz um esforço para não gritar ou voltar a chorar. Olhei para a janela e o dia até estava bom, sentia dor, não a dos meus pulsos sentia a dor que me fez fazer isto, e agora sabia que esta dor não ia desaparecer, apenas ia piorar com o que fiz.

Ouvi passos e virei-me, olhei para a porta e vi quem tinha acabado de entrar. A última pessoa que vi, a ultima voz que ouvi. À minha frente estava o David Luiz, a ultima pessoa que esperava ver.

“Como está? Como se sente?”

“Bem, não quero ser mal-educada mas não estou com cabeça para falar.”

“Mas você não me parece bem. Parece estar com dores.”

“Mas estou bem, não te preocupes.”

“Não está, e enquanto não estiver bem vou estar sempre preocupado.”

“Eu não mereço que te preocupes comigo, David Luiz.”

“Merece. Eu vim aqui não só para saber como está Catarina, mas porque tenho algo para lhe dar. Tentei dar à sua família mas disseram para lhe dar em pessoa.”

Ele tirou de dentro de um saco a camisola dele. Pensei logo que ele me a estava a dar por pena ou algo assim, mas aceitei a camisola, assim talvez pudesse ficar sozinha mais depressa.

“Eu ia lhe dar a camisola, eu reparei que estava vestida de verde, e ia lhe dar quando vi o seu pulso e peguei nele, tentei fazer algo para parar de sangrar. E esqueci a camisola.”

“Não merecia nada disso. Eu devia ter morrido, não valho nada. Estou farta de não sentir nada, toda a gente me abandonou, até Deus, pedi ajuda, pedi força e nada, se Ele se preocupasse tinha evitado que fizesse isto.”

“Não fale assim. Vale algo sim Catarina, é alguém. Deus não a abandonou, se o fizesse não voltaria para a bancada, ficaria na casa de banho a morrer, mas ao voltar teve uma oportunidade de ser salva.”

Naquele momento o que o David Luiz me disse fez todo o sentido, talvez não era suposto eu morrer, talvez eu tinha de fazer isto para ser salva, e ele foi o meu herói, o meu salvador, o meu anjo.

Rescue Me - Capitulo 3


Aviso: Este capitulo fala de assuntos susceptiveis, nao me responsabilizo pelo que possam sentir ao ler.

A verdade é que o telefonema não me saia da cabeça até nem me apercebi que o Benfica tinha marcado o 3º golo do jogo, só reparei depois ao ver toda a gente a festejar, e de ver os jogadores a abraçarem-se. Sabia que o resultado estava praticamente definido, ainda havia muito da 2ª parte para se jogar, mas o Benfica estava a gerir bem o jogo e com 2 golos de diferença ainda ia ser mais fácil.

“Não tiras os olhos dele. Estás mesmo apanhada.”

“Não estou nada mãe! Para com isso, apenas o gosto de o ver jogar.”

“Ok, eu paro. Não amues, baba-te à vontade.”

Nem respondi, não queria enervar-me o suficiente e contar do telefonema. A verdade é que não parava de pensar no telefonema e comecei a sentir-me mal, a sentir uma dor inexplicável, uma dor que me consumia de dentro para fora, tinha de a fazer parar, e só pensava numa coisa, em magoar-me, sabia que isso ia fazer desaparecer a dor. Não devia faltar muito para o jogo acabar e quase que não controlava o que sentia, as lágrimas queriam sair e fiz um esforço imenso para não chorar ali. Agarrei na minha mala e retirei uma pequena lâmina que lá tinha, ela estava na mala escondida, apesar de nunca a ter usado tinha a posto lá sabendo que a ia usar mais cedo ou mais tarde. Apercebi-me que só magoando talvez não fosse suficiente para parar com a dor, tinha de tomar uma medida mais drástica, eu queria que a dor desaparecesse completamente, queria ser livre e não sofrer mais. Escondi a lâmina no bolso das calças, olhei para a minha mãe.

“Vou a casa de banho.”

Cada passo que dava pesava mais, mas tinha tomado a minha decisão, não aguentava mais. Entrei na casa de banho deserta, toda a gente estava a ver o fim do jogo, ouvia os cânticos, as buzinas e os gritos, retirei a lâmina e encostei-a ao pulso. Senti as lágrimas a escorrer pela minha cara mas não me lembro quando comecei a chorar. Pressionei a lâmina com mais força e fiz um pequeno corte, vi o sangue de cor vermelho como o estádio, como o mar de adeptos e fez me sentir um pouco melhor mas a dor continuava e não diminuía.

Agarrei na lâmina com mais força e cortei, senti-me mais livre, senti a dor desaparecer aos poucos, fiz o mesmo ao outro pulso e era uma sensação libertadora, saber que ia ficar livre de toda a dor, e que ia deixar de ver tudo, de sentir tudo, de sonhar com tudo. Vi o sangue a escorrer mas não me importei, não sentia dor nenhuma, baixei as mangas da camisola e sai da casa de banho, as lágrimas tinham secado e a dor estava a desaparecer.

As pessoas estavam a sair do estádio, o jogo deve ter acabado ou está perto disso, dirigi-me ao meu lugar e vi a minha mãe lá, mas não a minha irmã, passei pela minha mãe olhei para ela.

“A Filipa está perto do relvado para ver se consegue a camisola, vai lá ter com ela.”

“Ok. Desculpa.”

A minha mãe não ligou ao meu pedido de desculpas, deve ter pensado que estava a pedir desculpa de ter demorado na casa de banho, mas estava a pedir porque a minha vida ia terminar ali.

“Catarina! O David Luiz vem aí! Despacha-te!”- ouvi a minha irmã gritar e vi-a no meio da pequena multidão que se tinha formado ali.

Aproximei-me e fiquei lado a lado dela, mesmo à frente, passando pelas pessoas, comecei a sentir me tonta mas não liguei, senti a perder as forças lentamente, mas ignorei, sentia-me cada vez mais livre e sem dor. Vi-o cada vez mais próximo, ele tirou a camisola ficando de tronco nu e estava a ver a quem a ia dar. Estiquei o braço e fiquei ainda mais tonta, ele estava perto de mim, praticamente à minha frente. Tinha os meus olhos presos nele, queria que a cara dele fosse a ultima coisa que a minha mente registasse antes de me apagar e desaparecer.

“Catarina!” – a minha irmã gritou.

Olhei para ela e vi o motivo. A minha camisola estava ensanguentada, já não era bem verde, e o corte no meu pulso era bem visível. Ouvi as pessoas em choque, sentia cada vez mais tonta e já não via bem as coisas, até os sons começaram a ficar distorcidos. Senti algo a agarrar-me no pulso, com força e consegui ver que era uma mão. Olhei para ver de quem era a mão e vi que era ele, olhei nos olhos dele e vi desespero, dor, tristeza, naquele momento o olhar dele fez-me lutar, fez-me pedir ajuda, fez-me querer viver por um instante, mas comecei a perder as forças, os meus olhos começaram a fechar e deixei de ver, mas ainda ouvi o que parecia ser a voz dele.

“Ajudem! Não morra, não pode morrer, por favor Deus a salva.” – e foi a ultima coisa que ouvi.

Rescue Me - Capitulo 2


Não tive muito tempo para pensar no arrepio e no pressentimento, os jogadores entraram e o jogo ia começar, o ambiente tornou-se ensurdecedor, ouvia-se gritar Benfica e só se via um mar de vermelho. O jogo começou depressa tal como os minutos que passavam rapidamente, tentei tirar algumas fotografias com a minha máquina já um bocado ultrapassada, algumas até ficaram decentes mas não eram nada do que eu realmente desejava. O Benfica marcou dois golos praticamente de seguida e o estádio fez se ouvir e os cânticos não paravam. Eu pensava que o jogo já estava decidido quando o Paços marcou um golo, mesmo antes do intervalo, mesmo assim sabia que o Benfica ia ganhar, estavam a jogar muito melhor e só se cometessem algum erro é que o resultado podia mudar.

O intervalo chegou e fui à casa de banho, o meu telemóvel tocou e vi quem era, o meu pai. Não queria atender, mas se não o fizesse ele ia continuar a ligar me até que atendesse, atendi e sabia que era discussão certa.

“Olá, Catarina.”

“Olá.”

“Tudo bem?”

“Sim, e tu?”

“Também, estou a ouvir muito barulho, onde estás?”

“Estou no Estádio da Luz. Porquê? Eu posso ir onde me apetecer.”

“Tu a veres o Benfica? Não esperava por essa.”

“Não ia ficar em casa. Porque ligaste?”

“Queria saber como estavas.”

“E só ligas de mês a mês? E não me venhas dizer que eu é que tenho a obrigação de ligar.”

“E tens. Não sou só eu filha.” – arrepiei-me quando ele me chamou filha, depois de tudo como ele tinha coragem para me chamar isso?

“Tu é que tens a obrigação de ligar, foste tu que saíste de casa para viveres com outra, foste tu que traíste a mãe, foste tu que me disseste que eu e a Filipa não valíamos nada. A culpa é tua e eu posso ser tua filha mas as atitudes que tens não é de um pai.” – sentia as lágrimas pela minha cara, só de me lembrar de tudo.

“Estás a dizer que não sou mais o teu pai? Eu que te dei tudo?”

“Tu deixaste de dar tudo no momento em que saíste de casa. Prometeste que nunca me ia faltar nada, e deixaste dar dinheiro para a minha educação e outras despesas, deixaste de me ligar da noite para o dia. Quase que ficamos sem casa e quase que tive de deixar de estudar, tudo por tua culpa.”

“Não ia dar dinheiro a tua mãe, vocês não iam viver as minhas custas!”

“Desiludiste-me muito, pensava que te conhecia, mas foi 18 anos de mentira.” – desliguei o telemóvel e fui limpar as lágrimas, não queria enervar a minha mãe e não queria que ela soubesse o que se tinha passado.

Voltei para o meu lugar tentando parecer o mais normal possível, tentando não mostrar o que realmente sentia, a minha irmã e mãe estavam felizes e não queria que voltassem a ficar em baixo. Tentei não pensar nisso e quando o voltei a ver a entrar em campo distraiu-me um pouco, centrei o olhar nele e tentei não pensar em mais nada, naquele momento não me importei que era do Sporting e não me importei se me apanhavam a olhar para ele, ele era o único que sem saber fazia me esquecer e só isso importava.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Rescue Me - Capitulo 1


Hoje é mais um dia, um dia como tantos outros, um dia onde acontece o mesmo e nada muda. Chamo-me Catarina, tenho 20 anos, não sou nem muito alta nem baixa, tenho por volta de 1.70 m, sou magra, com cabelo castanho-escuro comprido e uma franja e com olhos verdes acastanhados. Vivo com a minha mãe e irmã gémea, que não é nada parecida comigo. O meu pai, foi-se embora de casa, e não quero falar disso, e muito complicado e magoa, dói.

“Catarina, sabes onde vamos amanha?” – disse a minha irmã.

“Não, não sou bruxa.”

“Vamos ao Estádio da Luz ver um jogo do Benfica!”

“Se fossemos ao de Alvalade é que era.”

“Catarina! Eu sei que lá no fundo tu queres ir à Luz, tudo por uma pessoa em especial.”

“Não quero não. Cala-te Filipa.”

“Ela quer ir sim, tudo por causa do David Luiz.” – a minha mãe interrompeu a conversa.

“NÃO! É mentira!” – gritei.

Estava a nega-lo mas era a verdade. Eu uma Sportinguista desde que me lembro, obcecada por um jogador do Benfica. Mas não foi por ele ser bonito que me fez olhar para ele, foi a maneira de jogar, de se entregar ao jogo, o amor que ele tem ao clube e à camisola. Só reparei nele muito depois. Sofro da maldição de gostar sempre de um jogador do Benfica apesar de ser do Sporting, antes do David Luiz era o Rui Costa. Sempre fui viciada por desporto em especial por futebol, até percebo e sei mais que muitos rapazes, deixo-os surpreendidos com o que percebo e conheço de futebol.

“Eu vou ver o jogo, mas vou vestida de verde.”

“Sempre do contra.”

“Preocupa-te contigo Filipa.”

A noite voltei a ter um dos meus pesadelos e acordei a meio da noite com vontade de me magoar, mas não o fiz, tudo por elas, a minha mãe e irmã que iam sofrer, mas não sei mais quanto tempo aguento assim, só choro e a dor continua e é cada vez maior e a culpa é toda dele. Apesar de ele já ter ido embora há muito não apagou tudo o que ele fez e o que aconteceu.

Depressa chegou o dia seguinte e as horas para ir para o estádio iam diminuindo. Eu cumpri e vesti-me com uma camisola verde de manga comprida com uma branca por debaixo também de manga comprida. É Março, ainda está fresco. Partimos para o estádio cedo, para arranjar lugar e estarmos à vontade. O Sporting tinha ganho ontem e desejei que o Benfica perdesse hoje. Iam jogar com o Paços de Ferreira e estava mesmo a ver que iam ganhar, mas até podiam perder se o desejasse muito.

Vi o estádio e vi algumas pessoas a irem para lá, de certeza que o ambiente era de festa, mas não me interessava minimamente, tinha os phones nos ouvidos para abafar qualquer cântico relacionado com o Benfica. Não odeio o Benfica, simpatizo devido à minha família ser e devido a gostar do David Luiz, mas sou de um clube rival não posso mostrar minimamente que gosto, para evitar ser gozada.

Andei um pouco as voltas no estádio que já conhecia e pouco depois entramos. Os nossos lugares eram no piso zero em direcção da bandeirola de canto e estava na fila 10 ou algo assim, estava mais próxima da relva do que da zona dos bares e das casas de banho. Esperei e pouco depois os jogadores entraram para o aquecimento, os meus olhos ficaram presos completamente num jogador, ele. Só por ele tinha valido ir ao jogo, para o ver jogar e poder admirar ao vivo as capacidades dele. A minha irmã tinha um cartaz que eu é que fiz a pedir a camisola dele, mas não me atrevia a andar com ele, não queria aparecer na televisão e ser reconhecida por Sportinguistas e Benfiquistas depois ia ser gozada.

Os jogadores recolheram aos balneários, depois de ter tirado umas fotografias e esperei, senti um arrepio e fiquei preocupada, sabia que aquele arrepio não era dos que trazia um bom pressentimento, e desejei que fosse o que fosse não fosse nada de mais.

Rescue Me - Prefacio


O quanto vale a vida? Para muita gente vale muito, para outros nada. Mas porque é que para alguns a vida não vale nada?

Para uma pessoa a vida não vale assim tanto como toda a gente pensa, o que toda a gente vê, não é realmente essa pessoa, apenas uma fachada, algo que ela mantém para que ninguém se preocupe.

Ela perdeu a esperança em tudo e em todos, será que vale a pena continuar a viver? Mas a esperança é a ultima a morrer e há sempre uma luz ao fundo do túnel…será que ainda tudo pode mudar? E que haja razoes para continuar a viver? Será que uma pessoa pode ajudar a mudar tudo? Será que ela pode ser salva?