domingo, 30 de janeiro de 2011

Rescue Me - Capitulo 45


Peço desculpa pela demora, mas tenho andado em exames e tem sido praticamente impossivel escrever. E quando tive tempo para o fazer o meu portatil estragou-se e tive de o formatar. Perdi praticamente tudo, mas felizmente tinha a fic numa pen e consegui salvá-la.
Mas ontem consegui acabar um capitulo e vou postá-lo agora para vocês. Espero que gostem e tenham um pouco de paciencia até postar o próximo. Obrigada por todos os comentários e continuem a comentar, gosto muito de ler as vossas opiniões e criticas, isso ajuda-me a melhorar.

Como consequência disto tudo não consegui dormir quando voltei para o quarto, apenas voltei a chorar e pensei nele, pensei se ele fosse meu. Quando ouvi barulho sabia que o David estava acordado, mas não me apetecia enfrenta-lo, estava num estado provavelmente lastimoso e ele iria perguntar-me o que se passava e não iria conseguir responder. Podia ficar no quarto todo o dia só para me esconder dele, mas provavelmente não iria ser uma boa ideia.

“Catarina?” – ouvi a voz dele a chamar baixinho.

A porta abriu, tentei tapar me rapidamente e fingir que estava a dormir, mas ele ia reparar.

“Catarina, ta passando algo? Você não me ta parecendo bem. Foi pesadelo?” – ele aproximou-se e eu levantei-me da cama fugindo dele.

“Não é nada. Foi apenas uma noite má.

“Catarina, você teve chorando, não diga que não foi nada.”

“Deixa-me em paz David, apenas deixa-me.” – senti as lágrimas nos meus olhos.

Senti os braços dele à minha volta, a pele dele contra o meu corpo, senti-me a arder, queria larga-lo mas não conseguia, tinha os punhos fechados contra o peito dele, bati-lhes com eles com força suficiente para marcá-lo, soltando a frustração, a dor, tudo o que ele me fazia sentir.

Parei quando me senti cansada, senti a minha cara molhada, sem saber quando comecei a chorar, ele não fez nada para me parar, apenas deixou-me magoá-lo. Abri as minhas mãos, deixando uma repousar no peito dele, ouvindo o coração a bater, comecei a ceder aos meus sentimentos e a outra mão desceu lentamente, sentindo o corpo dele na ponta dos meus dedos, sentindo cada curva, parando na zona inferior do abdómen, perto do umbigo, todo o meu corpo tremeu, começando na ponta dos dedos, senti o calor a espalhar-se, fazendo-me arrepiar. Ele abraçou-me com mais força ao sentir-me tremer.

“Eu só quero você bem. Se não quiser não conta, mas quanto tiver mal me diga. Fica doendo muito quando a vejo assim, Catarina.”

Podia doer-lhe ver me assim, mas doía mais a mim, tendo-o tão perto de mim, mas nunca poderia ser meu, podia tocar-lhe, mas nunca como desejava.

Passaram-se uns dias, andava num estado miserável, tinha pesadelos e mal dormia, e era bem visível no meu aspecto. Na escola estava a prejudicar-me com isto tudo, o cansaço era demasiado, o Ruben andava preocupado comigo e falávamos todos os dias, ele nunca tocou no assunto da rapariga, apenas falávamos de coisas. O David já nem tanto, ele levou-me à terapia e ouvi-o falar ao telemóvel quando saímos do carro, não ouvi a conversa mas ele estava a sorrir que nem um parvinho e vi logo que só podia ser um motivo. Quando lhe perguntei ele disse-me que tinha combinado sair com alguém, não me disse mais nada, mas ele já devia desconfiar que eu sabia de algo, talvez pelo Ruben. Na terapia voltei a dar um passo atrás com esta situação, eu acho que o psiquiatra sabe dos meus sentimentos, mas não mencionou isso uma única vez por estar sempre com o David.

Chegou o fim de semana e tive de ficar com o David, não queria, mas o psiquiatra exigiu, tentei-me esquivar sem que o David percebesse, dizendo que ia ter uma frequência, mas tive de ir na mesma.

“Catarina?”

“O que foi?” – disse chateada, enquanto montava o portátil na sala.

“O que ta fazendo?”

“Vou estudar. Porquê?”

“Nada. Ta mesmo bem? É que algo ta estranho.”

“Não tá nada. Apenas tou chateada, mas não é nada de relevante para ti, coisas da escola e escusas de perguntar se estão a fazer-me algo que não estão, os professores estão a controlar tudo.”

“Tá. Tava pensando que podíamos ver um filme ou ficar jogando um pouco, algo para relaxar, mas como tem de estudar fica pra depois.

Nisto o telemóvel dele tocou e ele foi atender para o quarto. Quando voltou estava de novo com aquele sorriso estúpido.

“Vou sair hoje. Você fica bem aqui logo?”

“Não sei, talvez seja melhor ficar em algum lado, não me sinto bem a ficar sozinha hoje.”

“Eu deixo você com o Ruben, se não se importar, acho que fica bem.”

“Posso ficar lá a dormir? É que tenho medo de me deitar e ainda não estares em casa.”

“Ok. Depois pego você de manha.”

Pouco depois estávamos a sair, tinha um saco com algumas coisas para ficar na casa do Ruben, o David todo o caminho com um sorriso estúpido e eu estava a ficar irritada porque sabia o motivo daquele sorriso.

“Você fica bem?”

“Fico. Diverte-te na tua saída. Adeus.” – disse a palavra saída de uma forma irritante.

Sai do carro e pouco depois já estava à porta do Ruben e ele à minha espera na porta, larguei o saco no chão e mal o Ruben fechou a porta abracei-o e chorei.

“Catarina, ele…”

“Sim…”

E não foi preciso dizer mais nada. O Ruben sabia o que me tinha posto assim e custava-lhe ver-me sofrer pelo David, depois de tudo o que tinha passado ainda tinha de sofrer por amor. A dor consumia-me, estava a deixar de sentir, já mal sentia os braços do Ruben à minha volta, sentia um enorme aperto no coração, a tornar difícil a respiração. Precisava de sentir, precisava dele. Olhei nos olhos do Ruben e beijei-o, sentindo os lábios dele com os meus.

“Catarina, não. Isto não é solução.” – ele disse depois de quebrar o beijo e de me largar.

“Por favor Ruben, preciso de sentir, preciso de sentir algo mais que dor.” – respondi-lhe baixinho, sentindo mais lágrimas na minha cara.

Ele beijou-me, lentamente, suavemente, como se fosse partir a qualquer momento, sentia os lábios dele, a mão esquerda dele nas minhas costas, puxando-me para perto e a direita na minha cara, fazendo pequenas carícias, sentia tudo aquilo, sentia onde ele me tocava, no resto a dor continuava. Ele quebrou o beijo, agarrou-me ao colo e levou-me para o quarto dele, quando entramos ele levou-me para a cama e deitou-me lá, deitando-se ao meu lado, e colocando um braço à minha volta, olhando para mim.

Não aguentei o afastamento dele, tinha de voltar a sentir mais do que o simples braço dele, a dor estava a voltar a toldar-me a vista, olhei nos olhos e vi o David, com o olhar a brilhar, reagi por impulso, sentei-me em cima dele e beijei-o, ele não lutou contra isso e beijou-me de volta, continuando com os beijos de anteriormente. Coloquei as mãos na camisola dele, parei de o beijar, vi os olhos do Ruben, mas não queria saber, só queria sentir algo mais que dor, levantei a camisola dele e passei as mãos pelo corpo dele, senti as mãos dele nos meus pulsos, tentando-me parar, olhei para ele e senti mais lágrimas, ele lentamente largou-me os pulsos e continuei a passar as mãos pelo corpo dele, sentindo cada curva. Retirei-lhe a camisola e beijei-o desesperadamente, puxando o lábio dele e mordendo um pouco, arranhando o corpo dele. A dor era praticamente inexistente, apenas sentia calor, ardor, sentia-me bem.

Parei de o beijar, o calor era imenso, coloquei as mãos na minha camisola e retirei-a, olhei nos olhos do Ruben, visivelmente mais escuros, a respiração dele estava acelerada, um pouco ofegante, o corpo dele estava quente. O corpo dele ergueu-se da cama, ele passou a mão direita pela minha cara e a esquerda repousou nas minhas costas, os olhos dele nos meus, talvez à espera de algo para parar, a tentar ver se eu estava bem, mas eu não ia parar, não era suficiente, ainda sentia dor e tinha de parar e estava disposta a continuar, a ir até onde fosse preciso para que apenas sentisse, para que a dor desaparecesse, para esquecer o que sentia pelo David.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Rescue Me - Capitulo 44


Como prometido, um novo capitulo. Nao tenho muito a dizer, apenas preparem-se que é cheio de emoções. Espero que gostem e não se esqueçam de comentar, é muito importante para mim a vossa opinião.

Pouco depois já estava pronta, e a porta tocou. O David sabia que ia sair com o Ruben, só não sabia que íamos falar sobre ele, agarrei no meu casaco castanho e na mala e sai. O Ruben estava dentro do carro à minha espera, entrei, cumprimentei-o e seguimos para casa dele. Não falei durante o caminho, apesar da insistência do Ruben querer saber o que me preocupava, estávamos a aproximar-nos do destino e o nervosismo aumentou, comecei a ter o pressentimento que não ia gostar do que do Ruben me ia contar e desejei que o meu pressentimento fosse errado.

Ele parou o carro, saímos e fomos para casa dele, entramos, fomos para a sala e sentamo-nos no sofá.

“Agora vais me contar porque é que querias falar comigo. O que se passa com o David? Ele tem te tratado mal?”

“Não. Acho que ele está mais distante de mim, pode ser só invenção da minha cabeça, mas ele já não parece tão preocupado comigo, já não me dá um abraço ou aperta-me a mão quando me vê pior, há algo que não está bem é o que sinto e sei que tu podes saber algo do que se passa com ele.”

“Eu sei o que se passa, mas queres mesmo saber? Não sei se vais gostar. Duvido mesmo que gostes.” – a cara do Ruben estava muito séria, vi logo que não era nada de bom.

“Diz-me. Ele vai-se embora, não é? É isso?”

“Não, isso não é. Não sei nada sobre isso.”

“Então o que é? Diz-me Ruben, por favor.” – já estava a ficar desesperada.

“O David tem alguém. Ele conheceu uma rapariga nos dias em que não esteve contigo e já saíram. Parece-me ser serio, ele sente algo por ela.”

Senti algo a doer, uma dor forte e intensa no meu coração, senti a cara molhada, senti como se estivessem a arrancar uma parte de mim, como se estivessem a tirar o meu coração, senti-me vazia, e no local onde devia estar o meu coração não estava nada, apenas dor.

“Porque é que dói?” – senti os braços do Ruben à minha volta.

“Tu sabes porque dói, sempre soubeste.” – ele respondeu-me, abraçando-me com mais força.

E sabia, naquele momento tive a resposta para a duvida que pairava na minha cabeça, os meus sentimentos já estavam bem definidos. Apaixonei-me pelo David, amo-o, acho que já o amava há muito, mas neguei-o, o Ruben tinha razão.

“Não posso Ruben, não posso sentir isto. Não posso. Agora sei o que vai acontecer e vai destruir tudo.” – parei de o abraçar, mas as lágrimas continuavam.

“Não vai nada. Tens de lhe dizer. Mas tenho o pressentimento que já possa ser tarde demais. Eu avisei-te Catarina, agora não sei como as coisas vão ficar.”

“Não posso contar. Ele deve estar feliz e bem com ela, se contasse ia destruir a nossa amizade, porque ele nunca mais me ia ver da mesma forma, só tenho de o esquecer, não posso sentir isto, não posso.”

“Se negares o que sentes vai doer mais, acredita. Eu sei do que falo, e não vai destruir nada, ele não ia deixar de ser teu amigo por isso.”

“Mas a nossa amizade nunca mais iria ser a mesma, e tenho de negar. Estou amaldiçoada. Não posso amar, porque todas as pessoas que amo, acabam por desiludir-me, por abandonar-me, acabam por magoar-me e deixar-me de uma maneira ou de outra.”

“Catarina, tu não estás amaldiçoada, foi apenas algo que se passou na tua vida, há pessoas que nos deixam, que nos magoam por muito que as amemos. E tu não sabes como seriam as coisas com o David.”

“Sei, já está tudo a mudar. E sei que estou amaldiçoada, digas o que disseres, tomei a minha decisão.”

“Vais fazer o quê?”

“Prefiro ter o David como amigo, e sofrer, do que contar-lhe tudo, porque ao contar, vou perdê-lo, perder isto que temos, vou acabar por sofrer na mesma, porque ele nunca vai ser meu namorado, ele nunca vai sentir o mesmo que eu.”

“Só espero que seja a decisão certa.” – o Ruben parecia-me completamente desfeito de me ver assim.

“Também eu.” – sussurrei.

Chorei até ficar sem lágrimas, depois voltei para casa do David. Ele de certeza ia reparar nos meus olhos vermelhos e ia perguntar o que se passava, mas não ia responder-lhe porque não sabia o que lhe havia de dizer.

“Catarina? Como foi?” – ele perguntou, mal abriu-me a porta.

“Foi bem.” – respondi, sem olhar para ele.

“Me olhe nos olhos. Ta se passando algo?”

“Não. Eu estou bem.” – olhei por um momento nos olhos dele.

Fui para o quarto, entrei, fechei a porta e tranquei-a, senti as lágrimas a querem vir de novo e fiz um esforço para as conter.

“Catarina? Você teve chorando? Me abre a porta.”

“Eu estou bem David, apenas estou cansada. E chorei porque quando estive com o Ruben lembrei-me de umas coisas, mas já passou.” – disse de forma calma, controlando a minha voz que teimava em tremer e as lágrimas que começavam a escorrer.

“Tá bem, se tiver precisando de algo, me chama. Não gosto de ver você assim.”

“Está bem. Obrigada.”

Comecei a chorar sem parar, até a exaustão, até adormecer, mas um sono leve, ouvi a porta do quarto a ser aberta com uma chave, ouvi os passos do David, senti a ser tapada com algo e um beijo na minha testa. O meu coração acelerou daquele momento, era algo simples, mas para mim tinha uma dimensão muito maior. Abri os olhos, voltei a sentir as lágrimas na minha cara a dor de saber que alguém tão incrível nunca ia ficar comigo, continuei a chorar até não voltar a ter lágrimas, levantei-me para ir beber água, estava com sede.

Passei na porta do quarto dele, entreaberta, não resisti em olhar, estava o David deitado, a dormir, com o corpo descoberto, iluminado pela luz, que tinha acendido, do corredor, não queria entrar, mas era como se o meu corpo tivesse ganho vida própria e quando dei por mim estava encostada à cama dele. Ele parecia um anjo a dormir, algo tão indescritível que nem tinha explicação, sentia o meu coração a bater aceleradamente, parte de mim queria sair dali, mas o meu corpo não me respondia. Senti a minha mão direita a tocar levemente no corpo do David, ele reagiu ao toque mas continuou a dormir, via o peito dele a mover-se da respiração, calma e serena. Sentia fogo, choque, ardor nos meus dedos, dedos que pararam no peito dele, na zona do coração, que batia a um ritmo calmo, fazendo em parte acalmar o meu coração acelerado e descompassado. Senti as lágrimas nos meus olhos, a dor no meu peito, olhei para a cara dele.

"Desejava ver os teus olhos a olhar nos meus, da maneira que deves olhar para ela. De ver o teu sorriso, o sorriso que usavas só para mim. Desejava que o teu coração batesse por mim." – disse, num sussurro, sentindo as lágrimas a escorrer pela minha cara.

Mas por mais que o desejasse, não iria acontecer, ele nunca iria sentir o mesmo que eu, só tinha uma opção, ia doer, ia fazer-me sofrer, mas preferia tê-lo na minha vida como amigo, do que perdê-lo como namorado.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Rescue Me - Capitulo 44 (preview)


Desculpem pela demora, mas tenho tido exames e não tenho escrito. Hoje vou tentar acabar o capitulo e amanha vou ver se posto. Obrigada pela vossa paciencia e pelos comentários. Mas não vos quero deixar à espera sem nada então deixo-vos um bocado do próximo capitulo e tenho o pressentimento que vocês vão amar e odiar ao mesmo tempo, quando postar o capitulo todo.

“Porque é que dói?” – senti os braços do Ruben à minha volta.

“Tu sabes porque dói, sempre soubeste.” – ele respondeu-me, abraçando-me com mais força.

E sabia, naquele momento tive a resposta para a duvida que pairava na minha cabeça, os meus sentimentos já estavam bem definidos. Apaixonei-me pelo David, amo-o, acho que já o amava há muito, mas neguei-o, o Ruben tinha razão.

“Não posso Ruben, não posso sentir isto. Não posso. Agora sei o que vai acontecer e vai destruir tudo.” – parei de o abraçar, mas as lágrimas continuavam.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Rescue Me - Capitulo 43


Prometi e cumpri, um capitulo. Volto a pedir desculpas e espero que gostem. E não se esqueçam de comentar. Obrigada.

Ainda antes de sair da casa de banho e da escola, o David ligou-me os pulsos feridos, depois de os desinfectar. Cada toque dele fazia-me arder, sentir uma espécie de um choque, mas não conseguia estar longe dele, ele era a única coisa que me dava alguma segurança, que me fazia querer viver. Sai da casa de banho agarrada a ele, ele com o braço à minha volta e eu com um à volta dele, senti e vi os olhares dos meus colegas, senti o David agarrar-me com mais força, retirando-me parte do meu medo, das minhas inseguranças, da minha dor. Entrei no carro e mal ele entrou e arrancou deixei as lágrimas cair novamente, toda a frustração de ser fraca, de não conseguir lutar contra isto. O David acabou por ficar comigo naquela noite, apesar de eu não querer, o meu corpo ardeu ao sentir o braço dele.

Passaram-se uns dias, voltei às aulas e ninguém disse ou fez nada, pelo menos que tenha ouvido. Os meus professores devem ter avisado os meus colegas e provavelmente ameaçaram-nos se eles fizessem algo que me prejudicasse a nota deles podia alterar-se, sentia que alguns, em especial o Paulo, se controlavam para não dizer algo, os meus pulsos já não estavam ligados e apenas eram visíveis poucas marcas do que tinha feito, mas iriam desaparecer.

A terapia continuou, o doutor diz que estou a evoluir no meu estado novamente, que estou a abrir-me mais, que o diário tem ajudado a isso. A verdade é que tenho estado a abrir-me mais não só por isso, mas por algo mais, para tentar descobrir bem o que sinto, para descobrir se o David faz me arder, só porque preciso dele ou se há algo mais por detrás disso, se sinto mais do que uma simples dependência ou grande amizade por ele.

Tenho falado com o Ruben praticamente todos os dias, ele continua a insistir que eu sinto amor pelo David, mas eu não posso sentir algo que já nem sei o que é, que já nem sei como é sentir isso.

“David?”

“Sim?”

“Como sabes se sentes algo se já não te lembras como era esse sentimento?”

“Não sabe, apenas você sabe o que ta sentindo, o seu coração lhe diz o que ta sentindo, não precisa de ficar sabendo. Porquê?”

“Não sei. E que certos sentimentos para mim são confusos e quero ter a certeza que o que sinto é o que penso, para não cometer erros.”

“Ok.” – ele não perguntou ou falou mais.

Comecei a observar mais o David nestes últimos dias, não sei se era eu que andava a meter ideias estúpidas na cabeça, mas ele parecia-me mais distante, menos preocupado comigo, pensei que ele talvez se apercebesse que eu andava a afastar-me dele e estava a dar-me espaço, mas pareceu-me ser outra coisa. As vezes o telemóvel dele tocava e ele ia para outro lado atender, não liguei muito ao principio, podia ser algo do clube ou assim, mas começou a ser mais frequente e comecei a reparar que quando ele voltava parecia-me animado, feliz.

Não liguei. Estranhei foi ele ter me deixado ir para o quarto onde ficava, em vez de me levar para o dele. Pensei logo que ele tivesse alguma proposta de um clube grande na Europa e estava a preparar-me para quando ele fosse embora, comecei a passar-me com essa possibilidade, ele não podia ir, não agora. Tive um pesadelo.

Acordei a chamar o nome dele. Já não ia dormir sem o sentir, o medo de perder o David dominava-me, eu sabia que mais cedo ou mais tarde ele iria embora, mas só pedia para que ele fosse embora quando estivesse minimamente bem sem ele e agora não era capaz. Bati na porta do quarto dele, ele abriu e viu-me, e abraçou-me, o David estava ensonado, cansado e parecia arrependido por me ter mandado para o quarto de hóspedes. O meu corpo tremia, e ainda derramava algumas lágrimas.

“Calma. Foi só um pesadelo, você vai ficar bem. Eu tou aqui, não deixo você sozinha.” – a voz dele era sincera, mas o meu coração dizia-me que nem tudo era verdade.

Adormeci nos braços dele, mas uma parte de mim dizia-me que talvez fosse das ultimas noites que isso acontecia. Quando acordei no dia seguinte, senti a cama menos quente, não o vi ao meu lado, levantei-me e fui em direcção à sala.

“Oi. Como tá?” – o David perguntou-me.

“Olá. Acho que estou melhor.”

“Ainda bem. Agora vai comer algo e tomar os comprimidos.”

“Sim. David?”

“Que foi, Catarina?”

“Lembras-te o que me disseste naquele dia, quando tive a crise na tua casa de banho?”

“Sim. Porquê?”

“Prometes mesmo?”

“Sim. Pode confiar em mim.” – não sei porque, mas parte de mim não confiava e isso assustava-me.

“David?” – ia lhe perguntar porque ele parecia tão distante.

“Sim?”

“Deixa. Não era nada. Obrigada por tudo.” – não o fiz. Podia ser só filmes na minha cabeça.

Agarrei no telemóvel e mandei uma sms, uma pessoa devia saber algo de certeza.

“Ruben, precisamos de falar. É sobre o David e tu és capaz de poder esclarecer isto. Depois diz algo.”

Pouco depois o meu telemóvel vibrou.

“Ok. Daqui a nada passo aí para te ir buscar.”

Cada vez mais acreditava que ele estava distante, nem um abraço, nem um beijo na cara ou na testa hoje de manha, comecei a ficar nervosa com o que o Ruben poderia saber. A realidade é que tinha medo da verdade, do motivo porque o David estava distante e sabia que algo de bom não podia ser, tinha o pressentimento que não ia gostar de saber.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Pedido de desculpas


Quero pedir desculpas por não postar mas tenho estado em exames e tem sido dificil arranjar tempo para escrever. Espero escrever algo hoje ou amanha e mal tenha escrito posto. Obrigada a todas. Espero que tenham sido pacientes e volto a pedir desculpas.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Rescue Me - Capitulo 43 (preview)


Obrigada a todas pelos comentários. Peço desculpa pela demora mas tenho estado ocupada com coisas da escola, vou ter exames e não está fácil e tive a subita inspiraçao de escrever um capitulo que vai acontecer em breve e ainda não terminei este. Mas deixo-vos com um bocadinho dele e espero acabar em breve o capitulo.

Tenho falado com o Ruben praticamente todos os dias, ele continua a insistir que eu sinto amor pelo David, mas eu não posso sentir algo que já nem sei o que é, que já nem sei como é sentir isso.

“David?”

“Sim?”

“Como sabes se sentes algo se já não te lembras como era esse sentimento?”

“Não sabe, apenas você sabe o que ta sentindo, o seu coração lhe diz o que ta sentindo, não precisa de ficar sabendo. Porquê?”

“Não sei. E que certos sentimentos para mim são confusos e quero ter a certeza que o que sinto é o que penso, para não cometer erros.”

domingo, 2 de janeiro de 2011

Rescue Me - Capitulo 42


Desculpem pela demora, mas não tenho tido tempo para vir ao computador e mal tenho escrito. Espero que gostem. Obrigada pelos comentários.

Depois disto tudo continuei confusa, continuei a afastar-me do David sem lhe dar explicações apesar da insistência dele, precisava em parte de me afastar dele, apesar de me custar muito. Despedi-me dele de forma um bocado confusa, não o queria abraçar, ou sentir os lábios dele na minha cara, mas quando ele o fez não queria que ele parasse. Voltei para casa e a minha mãe percebeu que havia algo errado comigo.

“Catarina, o que se passou? Não me pareces bem. Foi alguma crise?”

“Não é nada. Apenas estou cansada.”

Fui para o quarto pensar em tudo o que o Ruben me tinha dito, em tudo o que se estava a passar e não conseguia chegar a nenhuma conclusão, comecei a desejar que o amanha não chegasse, estava com medo de enfrentar toda a gente sozinha, mas não podia adiar muito mais. Cansei-me de lutar contra os meus pensamentos e adormeci.

Acordei no dia seguinte, vesti uma camisola verde de manga comprida, uns skinny jeans e as minhas sapatilhas verdes, apesar de o tempo estar a aquecer e de toda a gente já saber a verdade não queria mostrar as cicatrizes, dei um jeito ao cabelo, agarrei nas coisas e saí com a minha mãe. Pus os phones nos ouvidos e musica a tocar bem alto, assim me ia abstrair de certas coisas e talvez custasse menos.

Pouco depois estava na escola, a viagem pareceu-me mais curta que o habitual, sai do carro sem dizer nada à minha mãe, e segui em direcção à sala. Já estava um pouco atrasada por ter apanhado um pouco de trânsito pelo caminho, mas nada de grave.

Dirigi-me ao pavilhão dos laboratórios, já não estava ninguém à porta à espera, já tinham entrado. Retirei os phones dos ouvidos, respirei fundo e entrei no pavilhão, ouvi burburinho na sala, sabia que já tinham começado a aula, respirei fundo mais uma vez e entrei. Quando entrei tudo parou de falar e olharam para mim, eu apenas segui para o meu lugar, completamente a tremer por dentro e comecei a tirar a bata e o material necessário, o professor voltou a falar e o burburinho voltou.

A aula ia decorrendo e eu ajudei o professor, visto já ter feito a experiencia antes, ele fazia-me sinais quando ninguém estava a ver, perguntando-me se estava bem, eu apenas acenava eu sim. Não estava muito bem, mas também não estava mal o suficiente para o preocupar.

Já passava mais de metade da aula e ainda não tínhamos tido intervalo, mas li no protocolo que teríamos de esperar perto de 30 minutos, e sabia que ia ser o nosso intervalo. Mal o professor deu ordem, despi a bata, agarrei no meu mp3, telemóvel e carteira e saí disparada da sala, não queria falar com ninguém.

“Catarina, espera.” – reconheci aquela voz e não ia esperar.

Continuei a andar até que senti a agarrarem-me no braço.

“Onde vais? Eu estava a chamar-te.”

“Larga-me Paulo. Não te interessa onde vou.” – e soltei-me dele.

“Vais chorar? Vais ligar ao David Luiz é? E porque usas manga comprida? Já está calor e toda a gente já sabe a verdade. Tens vergonha de mostrar o que tens nos pulsos? Mas não devias, a culpa foi tua, foste tu que o fizeste, não vale a pena esconderes, elas nunca vão desaparecer, se ao esconderes pensas que vais apagar tudo não vais, vais continuar a não ser ninguém, a seres nada. Apenas uma rapariga patética, se querias morrer porque não o fazes outra vez? Não o fazes porque não tens coragem, porque ninguém se ia importar, porque não és nada, nada.”

Comecei a ouvir a voz do meu pai a soar-me na cabeça a dizer que não valia nada e corri, senti as lágrimas na minha cara, senti tanta dor. Ouvi alguém a chamar-me, mas não queria saber, apenas queria apagar a dor. Fui para o pavilhão próximo de onde eu estava, corri para as casas de banho, entrei e tranquei-me numa delas, sentei-me no chão encostada à parede. Só ouvia sempre a mesma coisa na minha cabeça e não parava. Chorei ainda mais, a dor piorou, agarrei no meu mp3 e pus música a tocar para ver se abafava as palavras, mas não estava a fazer grande efeito, agarrei no meu telemóvel a tremer e liguei para o David, foi para as mensagens. Queria apagar a dor mas não tinha laminas, olhei para as cicatrizes e desejei que desaparecessem, comecei a arranhar os pulsos, senti um pouco de dor e continuei a arranhar.

“Catarina…responda. Abra a porta, por favor.” – era a voz do meu professor.

“Não…só quero parar a dor, só quero o David.” – sentia a voz a faltar-me.

“Calma Catarina. A dor vai parar, o David vai vir. Não faça nada de mal.”

“Não. Não pára… o David não atende, só quero o David…David.” – chamava por ele quase num sussurro.

Não parava de dizer o nome dele, estava a chama-lo, precisava dele. A musica já não fazia nada, o meu professor batia à porta e chamava por mim, mas eu não tinha forças, só sentia dor. Voltei a arranhar os pulsos, a cravar as unhas a sentir a dor, vi as marcas e sangue a aparecer, senti-me melhor. O tempo passava, e nem sei há quanto tempo estava ali a chorar, a arranhar-me, a ver o sangue, as marcas, a chamar pelo David e a sentir a dor a diminuir.

“Catarina…” – reconheci aquela voz, voz que estava tremula.

Abri a porta e senti aqueles braços familiares à minha volta, imediatamente uma parte de mim acalmou, a dor começou a diminuir, senti o cansaço, as lágrimas voltaram e não paravam.

“Catarina, porquê?” – olhei para os olhos dele e vi tristeza, sabia o motivo da pergunta, ele deve ter visto os meus pulsos.

“Não valho nada, não sou ninguém.” – agarrei-me a ele com mais força, senti o meu corpo a arder nas partes onde ele me tocava, mas não o podia largar.

“Isso não é verdade. Você vai ser sempre alguém para as pessoas que a amam, que gostam de você. Você vai valer sempre, vai ser sempre alguém para mim.” – senti mais lágrimas na minha cara, por o que ele tinha dito de forma tão sincera.

Senti ele a puxar-me para cima, a levantar-me do chão até estar de pé, os braços dele à minha volta puxando-me para o corpo, para o peito dele, encostei a cabeça e ouvi o coração dele bater, acalmando-me, apesar de sentir-me a tremer por dentro. Deixei-me relaxar e senti-lo apenas, sabia que por mais que pudesse e quisesse nunca poderia estar longe dele, porque só ele me compreendia, acalmava e fazia a dor desaparecer.