terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 41


Obrigada por todos os comentários. Espero que gostem e não fiquem desliludidas.

Abri os olhos, olhei para o lado e o David dormia profundamente, com a camisola vestida, era apenas um sonho, mas um sonho que me deixou ainda mais confusa. Eu apaixonada pelo David? Não pode ser verdade, isto é só o meu subconsciente a tentar arranjar um namorado para mim, só pode. E depois sinto-me um bocado sozinha, sei que tenho amigos e família, mas preciso de outro tipo de pessoa na minha vida e como o David é o mais próximo disso devo ter sonhado com ele assim. Mas ele é só o meu melhor amigo, nada mais.

Olhei para ele uma única vez e passou-me pela cabeça desejar que fosse verdade.

“Não!” – disse na minha cabeça a alto e bom som.

“Catarina? Você tá bem?” – o David acordou completamente confuso e assustado.

“Sim. Desculpa, pensava que apenas o tinha dito na minha cabeça.” – disse, sentando-me na cama.

“Tava pensando no quê? No que o doutor lhe disse?” – ele parecia mais desperto.

“Não interessa.”

“Catarina…não tou gostando desse tom. Você não ta bem.”

“Já te disse que estou.” – respondi irritada.

“Catarina…” – ele aproximou-se de mim e senti os braços dele à minha volta, abraçando-me.

“Larga-me!” – o abraço dele fazia me sentir coisas que não sei se queria sentir, assustava-me.

Cada vez me sentia pior, não sabia o que fazer ou o que dizer, não sabia bem o que era isto que sentia, apenas sabia que tinha de falar com alguém sobre isto. Saí do quarto disparada, entrei no quarto onde costumava ficar e fechei a porta.

“Catarina…” – ele disse batendo na porta.

“David, não. Preciso de ficar sozinha por um pouco.”

Agarrei no telemóvel e mandei uma sms ao Ruben, talvez ele me pudesse ajudar. Pouco depois obtive resposta, dentro de uma hora ele viria falar comigo. Resolvi despachar-me e vesti algo, não me preocupei muito com o que estava a vestir, era só por causa do Ruben.

Agarrei no meu mp3 e pus musica a tocar, tentei relaxar o máximo para poder explicar bem ao Ruben isto tudo, pouco tempo depois a porta tocou e sabia que era o Ruben. Saí do quarto disparada e abri a porta.

“Ruben! Ainda bem que pudeste vir.” – e dei-lhe um abraço.

“Tudo para a rapariga dos olhos lindos. O que queres falar? Eu até acho que sei o que é.”

“Vamos para o quarto.” – fomos em direcção do quarto de hospedes.

O David e o Ruben cumprimentaram-se e o Ruben seguiu-me, o David ficou curioso e com uma cara que algo se passava comigo e eu não queria contar-lhe e tinha chamado o Ruben por isso mesmo.

“Fala. Mas acho que isto está relacionado com a conversa do outro dia. E acho que tiveste aquela crise em parte por causa da conversa que tivemos e peço desculpa por isso.”

“Não podias saber. E não tiveste a culpa, o que tu me disseste apenas me fez pensar. Não sei o que sinto e tenho medo.”

“Que sentes? Estás a falar do que sentes pelo David certo?”

“Sim.”

“É evidente que gostas dele. Mais do que simples amigos.”

“Não é nada assim Ruben. Comecei a sentir-me estranha à volta dele desde ontem. Quando acordei vi-o a dormir tão calmamente e veio me à cabeça saber como seria o sabor dos lábios dele, como seria um beijo dele. Eu acho que isto está relacionado com eu me sentir um pouco isolada, um pouco só, e desde que me beijaste gostava que alguém gostasse de mim assim e que eu pudesse gostar também.”

“Não sei bem se é isso. Eu acho que tu estás a começar a aperceber-te do que sentes por ele. Tentaste negar tempo demais e agora já não aguentas mais.”

“Negar o quê? Tu estás parvo? Eu nunca neguei nada, eu não sinto nada por ele. E depois feita parva ainda nem sei como fui sonhar que lhe dizia que sentia algo por ele e que ele me dizia que sentia algo por mim e acabávamos aos beijos. Só tenho sonhos parvos. E não consigo ver o sorriso dele, sentir um abraço dele sem me sentir estranha.”

“Estás mesmo a ficar apanhada por ele. Eu sabia.” – ele afirmou, sorrindo e armado em convencido.

“Não posso Ruben, se isto é verdade não posso. Não quero perder o David, se isto é amor, se lhe digo vou perdê-lo, porque ele não sente o mesmo que eu. Mas eu nem sei bem o que isto é, não vou arriscar até saber bem. Tenho medo de fazer algo e depois não ser bem isto o que sinto. Mas a verdade é que tenho medo do que sinto, porque nunca senti-me assim.”

“Acredito, mas não podes ter medo do que sentes, tens de abrir o teu coração, tens de apenas sentir, nada de pensar, apenas sentir.”

“Sentir dói. É suposto doer? Estou farta de sentir dor. Só quero ser feliz, só quero deixar de sentir dor. Estou tão confusa.” – senti as lágrimas nos meus olhos, mas já não queria saber.

O Ruben abraçou-me e fez me melhorar, mas a dor ainda estava lá. Lembrei-me da ultima vez que tínhamos estado naquela situação e que lhe fiz a vontade e beijei-o, lembrei-me de não ter sentido nada mais do que aquele beijo, a dor tinha desaparecido momentaneamente.

“Ruben…beija-me.” – ele parou de me abraçar e olhou para mim.

“Não. Tu só estás confusa, só queres sentir algo diferente do que sentes e não te posso dar isso. Quando deixares de estar confusa vai doer menos, quando souberes o que sentes. Só espero que te apercebas disso rapidamente, senão pode ser tarde demais.”

A dor continuou, a minha cabeça era uma confusão completa, e no meio daquilo tudo não sabia bem o que sentia. Só espero descobri-lo rapidamente, espero o que o Ruben me disse ajude, e espero que não sinta nada mais do que uma amizade, porque não posso amá-lo, se isso acontecer, vou voltar a ser abandonada, porque toda a gente que amo, me magoa, me deixa de uma maneira ou de outra.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 40


Muito obrigada por todos os comentários. Agora preparem-se porque a partir daqui emoções nao vão faltar. E como prenda de Natal deixo-vos com um capitulo. Espero que gostem e Feliz Natal a todas.

Porque é que pensei naquilo? Eu não estou bem da cabeça…isto deve ter sido de eu não ter namorado há muito e de precisar de me sentir amada. O David é só meu amigo, nada mais. Olhei para ele e nunca tinha visto algo tão simples, mas tão belo, tão hipnotizante como ele a dormir calmamente. Belo? Não estou nada bem…

“David…acorda.”

Mas ele não se mexeu. Toquei lhe no braço e senti uma espécie de electricidade, ignorei e abanei-o ligeiramente.

“David, vá lá, acorda.”

“Só mais um bocadinho…”

“Acorda.”

Ele continuava a ignorar-me. Com isto tudo, ele mexeu-se e puxou-me para perto dele com o braço, estava literalmente colada a ele, senti o meu coração a acelerar e estava a ficar muito nervosa. Senti necessidade de o acordar rapidamente, não sei se ia aguentar a proximidade a ele, os meus olhos fixaram-se nos lábios dele e instintivamente lambi os meus, sentia uma grande vontade de o beijar e de me bater por isso, eu não gostava do David, não daquela forma, não podia.

“David, acorda! Por favor.” – ele abriu os olhos.

“Bom dia.” - e sorriu-me ainda bem ensonado.

“Bom dia dorminhoco. Podias largar-me?” – aquele sorriso estava a fazer me sentir estranha.

“Ok. Você dormiu bem?” – e ele retirou o braço de mim.

“Sim. E tu também parece-me que sim.” – levantei-me da cama.

Ele levantou-se da cama, o cabelo dele meio despenteado, mas mesmo assim estava lindo, os músculos dos braços dele a contrair enquanto ele se espreguiçava, fez-me respirar fundo, novamente queria bater-me por estar a reparar naquelas coisas.

“Vou tomar banho.” – um banho ia ajudar-me a limpar a cabeça deste tipo de coisas.

A verdade é que o banho não sei se ajudou, mas ia tentar não pensar no que tinha acontecido, se não pensasse isto ia passar. Vesti uns skinny jeans e uma camisola verde de manga comprida, não pus quaisquer pulseiras ou acessórios porque não ia sair de casa.

Fui tomar o pequeno-almoço e os comprimidos, o David olhava-me atentamente, pondo-me nervosa. Olhei para ele e os olhos dele olharam os meus, o meu coração parecia ter parado, mas deve ter sido só de ter sido apanhada de surpresa a olhar para ele.

Fui para a sala e o David agarrou no comando da playstation, vi logo que estava a ser desafiada para um jogo, e aceitei sem hesitar.

“Quem perder pode sofrer uma consequência ou pedir algo.”

“Ok. Entao é você que vai perder.”

“Nos teus sonhos David.”

O jogo começou e debati-me bem, o David tentava-me distrair por tudo e por nada para que eu perdesse a concentração mas eu não cedi, mesmo assim perdi.

“Diz lá o que queres.” – disse chateada.

Ele sorriu-me com ar maroto e “atacou-me” fazendo-me cócegas. Imediatamente fiquei deitada no sofá, sem forças para me levantar.

“Pára! David!” – comecei a rir muito e a espernear para me soltar.

“Assim não paro não!” – ele continuou, não me deixando soltar

“Carneirinho! Pára!” – ele parou e ficou a olhar para mim com um grande sorriso.

Eu voltei a sentir me estranha e empurrei-o para ele sair de cima de mim. Sentei-me o mais longe dele do sofá, ainda me sentia estranha e quanto mais próxima estava mais nervosa ficava. Novo jogo, desforra! Nova derrota.

“Quero um abraço. Não tenho um abraço seu há muito Catarina.”

“Pensava que me ias atacar com cócegas outra vez. Um abraço é bem melhor.”

Nem pensei o que um abraço implicava, neste caso, contacto físico e como me estava a sentir não era a melhor coisa, mas não podia voltar atrás. Senti os braços dele à minha volta, os meus foram à volta dele, foi natural. Senti o corpo dele próximo do meu, ouvia o coração dele bater, sentia o cheiro dele, e estava a sentir arrepios, e uma sensação estranha na barriga, queria larga-lo, mas parte de mim desejava ficar ali para sempre.

Ele largou-me e voltou a sorrir-me, eu sorri de volta. O resto do tempo tentei manter a distancia dele, mas havia sempre algo que me aproximava, que me fazia toca-lo, ou algo que o fazia sorrir, tentei não dar nas vistas de me afastar para ele não desconfiar e até agora estava a conseguir.

A noite veio e comecei a sentir-me nervosa de ir dormir com ele, não queria mas ele não me deixava dormir sozinha ainda, ele tinha medo que acontecesse algo como na outra noite. Mas tentei ignorar e tentei agir o mais calmamente possível, senti que ele estava a desconfiar de algo quando entrei no quarto dele já pronta para dormir, deitei-me na cama primeiro, e ele de seguida.

“Boa noite.” – dissemos um ao outro e ele apagou a luz.

“Catarina?”

“Diz.”

“Porque você tem tado estranha comigo? Se ta passando algo?” – ele acendeu a luz e olhou para mim.

“Estranha? Não.” - sentei-me na cama e ele fez o mesmo.

“Sim. Ta fugindo de mim, não me quer olhar e fica pior quando tou tocando em você.”

“Não é nada.”

“É pois, me diga. Não faz mal.”

“Eu hoje estava a olhar para ti de manha e um pensamento veio-me à cabeça. Não sei porque comecei a ver-te de maneira diferente e desejei beijar-te. E não sei porquê, e agora não paro de pensar nisso e tenho sentido coisas estranhas quando me tocas, sorris ou olhas para mim.”

“É isso? Tava pensando que fosse pesadelo. Não há mal. Isso quer dizer que você sente algo por mim. Se quiser pode realizar o seu desejo, eu sinto algo por você, mas nunca falei por você não tar bem Catarina, e tinha medo da sua reacção. Não sei bem o que sinto, mas acho que estou me apaixonando por você.”

“A serio? Eu acho que também estou a apaixonar-me, mas não sei e tenho medo porque eu já não sei bem o que é sentir isto.”

Ele aproximou-se de mim, colocou uma mão na minha cara e olhou-me nos olhos. Respirei fundo, senti o meu coração a bater descompassadamente e nem tive tempo para pensar, senti os lábios dele nos meus e foi como se explodisse, os lábios dele eram muito mais do que eu tinha imaginado, a textura, um sabor único, sabiam a ele e era viciante, não queria parar. Deixei-me levar pelo desejo que sentia e as minhas mãos foram debaixo da camisola do David, toquei nos abdominais dele e ouvi-o gemer. Senti ele a tornar-se mais ousado e senti a língua dele a tocar na minha, as mãos dele foram debaixo da camisola do meu pijama e percorreram-me as costas, fazendo-me gemer. Ele parou, e tirou a camisola que tinha vestida, vi o corpo dele, perfeito e senti ainda mais o meu coração disparar. Ele deitou-me na cama e o corpo dele cobriu o meu e os lábios dele voltaram aos meus, apenas deixei-me levar.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 39


Obrigada a todas que comentaram. Só peço que quem lê que comente, mesmo que só diga se gostou ou não, é importante para mim. Espero que gostem deste capitulo e preparem-se que os próximos vao mudar muita coisa.

Acordei, sabia que o que tinha acontecido só podia ser real, olhei para o meu pulso e vi-o ligado, o David tinha-me ligado o pulso com uma ligadura e posto um penso no meu dedo. Quis chorar, senti dor, mas controlei-me, não queria que ele me visse assim.

“Oi.”

“Olá.” – olhei para o David, falando sem convicção.

“Melhor?”

“Não sei.” – respondi, sentando-me na cama.

“Vou pegar algo para você comer e os seus comprimidos.” – olhei para a mão dele e vi um penso no dedo indicador.

“Isso foi ontem?”

“Sim, quando lhe tirei das mãos me cortou, mas tá tudo bem, não tá doendo, foi só um golpe.”

“Desculpa.”

“Você não tem a culpa de nada Catarina.”

Não lhe respondi, se dissesse que tinha ele ia dizer que não e não saiamos dali. Não parava de pensar no pesadelo e tinha medo que pudesse acontecer a maior parte dessas coisas. Ele voltou pouco depois com um copo de água e os meus comprimidos.

“Me quer contar o que tava sonhando?”

“Não.”

“Não faz mal. Agora vai comer algo, depois pode fazer o que quiser. Mas vai ter terapia logo.”

“Eu sei.” – olhei para o meu pulso ligado, ligadura que tapava a cicatriz.

Levantei-me e fui comer algo. Não falei o tempo todo, não havia nada para dizer. Vesti algo, porque o doutor ia vir e estar de pijama não ia ser o melhor. Vesti uma camisola de manga comprida castanha e uns skinny jeans.

Fui para a sala e liguei a tv. O David sentou-se ao meu lado e pôs num canal onde estava a dar um filme que estava a começar e resolvemos ver o filme até que o doutor chegasse, sem me aperceber dei por mim encostada a ele, como se ele fosse uma almofada, podia ficar assim para sempre, sem ter de me preocupar, apenas eu e o David, sem todos os dramas, mas o mundo real não era assim.

A campainha tocou, o mundo real esperava-me. Quase de certeza que ele ia tocar no assunto das revistas, não quero falar, não quero lembrar.

“Olá Catarina.”

“Olá.” – disse sem satisfação nenhuma.

“Hoje vou lhe pedir uma coisa…”

“Se é para falar do que tem acontecido ultimamente, não.” – disse rapidamente interrompendo-o.

“Não é isso. Quero o seu diário.”

“Não o vai ler alto pois não?”

“Não. Só quero ler as suas últimas coisas.”

Fui buscar o diário e trouxe-o até ele. Ele abriu nas últimas paginas escritas e vi os olhos dele a passarem pelas linhas, cada linha que ele lia ele pensava cada vez mais, era visível pelos olhos dele. Observei o doutor e depois olhei para o David, completamente intrigado com o que devia estar naquele caderno escrito. As ultimas entradas tinham a haver com tudo o que se tinha passado nestes últimos dias, todos os meus pensamentos e duvidas, incluindo o sonho da noite anterior. E na maior parte das páginas tinha escrito “odeio-me, odeio isto” E fazia uma seta e desenhava os pulsos e as cicatrizes, e escrevia que desejassem que desaparecessem, também escrevi “ninguém me ama, não assim, sou uma boneca com defeito.” Mas a última coisa escrita era: “O que é que o Ruben queria dizer com “tarde demais”?”

“Em relação à sua pergunta final, só você pode descobrir o que quer dizer, tem de abrir-se, deixar de se esconder e de se fechar. Quando fizer isso vai saber qual é a resposta. Apenas não tenha medo do desconhecido, não tenha medo de sentir.”

Ele falou comigo mais um pouco, mas nunca tocamos no assunto proibido, continuei o resto do dia sem falar ou fazer muito, apenas pensava, o David bem que tentou distrair me para falar mais, para ver se algo mudava em mim, mas eu continuava a pensar nas palavras do doutor.

“Catarina, é melhor você ir pra cama.”

“Não, tenho de pensar nisto.”

“Não vai ficar pensando em nada, apenas tem de deixar as coisas acontecerem, tem de fazer o que lhe disseram, pensando não ajuda. Apenas siga o seu coração.”

Apenas acenei que sim e fui vestir o pijama, pouco depois fui a casa de banho e quando sai ele estava à porta à minha espera, sabia bem porque era, ia de novo dormir no quarto com ele. Vi nos olhos dele que ele tinha receio de me deixar no outro quarto sozinha, fui com ele para o quarto, deitei-me na cama primeiro e ele depois. Mantive a minha distancia do David e fixei o olhar no tecto do quarto.

“Boa noite Catarina.” – virei-me e olhei para ele.

“Boa noite David.” – ele apagou a luz.

Voltei a olhar para o tecto do quarto e senti um braço à minha volta, era ele, sabia que ele estava a fazer aquilo para me proteger, para que eu me sentisse mais segura, e a verdade é que sentia. Adormeci com as palavras do doutor e do David na minha cabeça, tinha de me abrir, de seguir o meu coração.

Acordei no dia seguinte, senti um braço no meu corpo, sabia que era ele, abri os olhos e vi que estava mais perto do David que o normal, consegui acender a luz da mesa de cabeceira, apesar de o braço dele me prender, sem me conseguir soltar sem o acordar. Olhei para ele, tão calmo, tão sereno, sentia a respiração dele em mim, o calor do corpo perto do meu, o cabelo um pouco despenteado, mas os caracóis estavam perfeitos, e a luz iluminava-os fazendo-os mais claros e brilhantes, dando-lhe um aspecto mais angelical, olhei bem para a cara dele, tentei ver bem quaisquer marcas, sinais e dei por mim a tentar decorar o local onde estavam e a contar, a luz e a proximidade realçavam cada pedaço de pele. Os olhos estavam fechados e desejei que estivessem abertos, para ver a cor deles, cor que mudava quando a luz batia, quando o David estava feliz brilhavam, olhos que demonstravam sempre o que ele sentia, queria saber o que ele sentia quando abrisse os olhos e olhasse para mim. Olhei por fim para os lábios, era como se fossem desenhados exactamente para ele, únicos, que mostravam um sorriso indescritível, que me aquecia sempre, pensei como seriam ao toque, já os tinha sentido inúmeras vezes, mas nunca tinha tomado atenção como seria, imaginei o sabor deles, se seriam doces, se iriam saber a algo, se ele tinha algum sabor característico, queria saber, desejei que ele me beijasse.

Beijar? Eu não estou bem...eu quero beijar o David? Será que sinto algo por ele? Não pode ser...será que toda a gente tinha razão?

domingo, 19 de dezembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 38


Por isto tudo, recusei-me a sair de casa, mal falava, só chorava, e quando não conseguia chorar mais era quando parava, os meus olhos pareciam de vidro, completamente vidrados, vazios, tinha um aspecto miserável, comia, mas se me lembrasse de algo perdia o apetite. Era uma espécie de fantasma, um corpo sem alma.

O psiquiatra recomendou que não fosse às aulas durante uns tempos, até que acalmasse. A terapia começou a ser praticamente todos os dias, e algumas sessões até foram em casa do David, para não sofrer tanto. Agora estava a passar estes dias em casa do David, ele não quis deixar-me sozinha e na minha casa sentia o olhar de toda a gente do meu bairro e passava a maior parte do tempo sozinha, coisa que fui desaconselhada a ficar.

Os pesadelos voltaram, e esgotavam-me fisicamente, mal dormia, porque sabia se adormecesse iria ter um pesadelo. Passei a dormir a maior parte das noites com o David, ao menos assim acordava menos vezes durante a noite e não acordava a gritar, só a chorar.

A campainha tocou, imediatamente me escondi no quarto, era assim sempre que o David tinha visitas, fosse quem fosse.

“Catarina, não fique se escondendo, é o Ruben.”

Mal ouvi o nome, sai disparada do quarto, e abracei o Ruben.

“Calma, estou aqui, rapariga dos olhos lindos. Não chores mais.” – senti a mão dele nos meus cabelos e deixei as lágrimas cair.

“Doi…” – disse quase num sussurro.

“Eu sei, mas vai passar Catarina.”

“Catarina, tem de tomar os comprimidos.”

“Sim…”

Larguei o Ruben e o David foi buscar os comprimidos.

“Tens de lhe dizer.”

“Não há nada para dizer.”

“Eu sei o que sentes por ele.”

“Pára de inventar, não sabes nada Ruben. Eu só quero que as pessoas esqueçam, só quero ficar bem.”

“Eu sei, mas mais tarde ou mais cedo vais parar de o negar e vais te aperceber. Só tenho medo que seja tarde demais.”

O David entrou e o Ruben parou de falar no assunto. O David sentou-se ao meu lado e deu-me um copo com água e os comprimidos, tomei-os e liguei a tv e fiquei a olhar. Senti a mão do David a agarrar a minha, ele apercebeu-se que eu não estava bem outra vez, encostei-me a ele e pus a cabeça no ombro dele, só me passava pela cabeça o que o Ruben me tinha dito.

Pouco tempo depois o Ruben teve de ir embora, ele tinha coisas por fazer, fiquei de novo com o David e não parava de pensar o que o Ruben me queria ter dito com tarde demais e comecei a pensar que talvez o David fosse embora, fosse para o estrangeiro jogar, era conhecido o interesse de alguns clubes bem conhecidos e eram bem capazes de oferecer o que o Benfica e o David queriam.

Não parava d pensar nisso, sabia que era uma possibilidade, mas era algo que me assustava, não queria perder o David, não agora, não iria saber o que fazer, não iria conseguir viver sem ele, não agora.

A noite veio rapidamente e com ela a hora de ir dormir. A vontade não era muita, os pesadelos iriam vir, não queria voltar a dormir com o David para não o chatear, para ele dormir descansado, mas ele não me deixou ir para o quarto onde habitualmente ficava e fui para o quarto dele. Deitei-me do lado da cama onde costumo ficar e olhei para a janela, sabia que estava fechada mas tentei imaginar a vista do estádio de Alvalade, senti ele a deitar-se ao meu lado, tentei relaxar o máximo para não ter pesadelos, mas só ouvia as palavras do Ruben na minha cabeça.

“Boa noite Catarina.”

“Boa noite David.” – respondi sem olhar para ele.

A luz apagou-se e debati-me contra o sono, mas muitas noites mal dormidas estavam a dar cabo de mim e depressa adormeci. Vi as capas das revistas, vi as pessoas na minha escola a olharem-me de lado, ouvia a voz do Ruben a dizer “Tarde demais.”, vi as capas dos jornais a falar que o David ia deixar o Benfica, vi-me sozinha, sem ninguém, algumas pessoas a chamarem-me nomes, a desprezarem-me, ouvi a voz do meu pai a dizer que eu não valia nada, não era ninguém.

Acordei com lágrimas nos olhos, tremia, o David dormia calmamente, levantei-me e fui a casa de banho, sentia uma dor imensa, os meus pulsos ardiam, retirei uma lâmina que tinha escondido nos meus produtos de higiene.

“A culpa disto e vossa…se não existissem, se desaparecessem, ninguém sabia.” – disse num sussurro às cicatrizes.

Agarrei na lâmina e pensei cortar a pele à volta das cicatrizes, se cortasse à volta a dor parava, as cicatrizes desapareciam da minha pele. Coloquei a lâmina no meu pulso esquerdo e pressionei um pouco e fiz um pequeno corte de teste, vi o sangue, sorri, senti a dor a diminuir, o ardor a parar, uma sensação de liberdade. A lâmina foi-me retirada da mão à força, fazendo-me um golpe no dedo. Não precisei de olhar, sabia que era ele, ele pressionou uma toalha sobre o corte, vi sangue no chão da casa de banho, senti de novo dor, as lágrimas a voltarem, senti a culpa, senti que o tinha magoado. Olhei nos olhos dele e estavam quase a chorar, abracei-o, e continuei a chorar.

“Não me deixes…não me deixes…não me abandones…não quero ficar sozinha…não consigo, dói.”

“Prometo, não vou deixar você, não vai ficar sozinha Catarina. Eu não seria capaz de magoar você assim, prometo.” – a voz dele tremia, enquanto ele passava uma mão pelos meus cabelos.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 38 (preview)


Obrigada a todas, pelos comentários. Vou tentar postar ainda hoje mas como nao sei se consigo vou deixar-vos com um pouco do capitulo. Espero que gostem.


Larguei o Ruben e o David foi buscar os comprimidos.

“Tens de lhe dizer.”

“Não há nada para dizer.”

“Eu sei o que sentes por ele.”

“Pára de inventar, não sabes nada Ruben. Eu só quero que as pessoas esqueçam, só quero ficar bem.”

“Eu sei, mas mais tarde ou mais cedo vais parar de o negar e vais te aperceber. Só tenho medo que seja tarde demais.”

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 37


Passaram-se alguns dias, voltei à terapia mas o doutor não insistiu muito comigo, ele nota que ainda estou frágil, apenas falamos e tentamos arranjar formas de eu me manter calma com os olhares das pessoas e os comentários. Também para ver se eu me concentro melhor na escola e se consigo fazer o semestre sem ter de ir a exame a tudo.

Voltaram a sair mais fotos numa revista de eu e do David, fala-se que eu sou a namorada dele de novo, coisa que ele desmentiu publicamente afirmando que sou só amiga dele, pedindo que me deixassem em paz, que ele só estava a ajudar-me com algumas coisas. Numa das fotos da revista vê-se a minha cicatriz, mas a foto não é a maior e a qualidade não é a melhor, só olhando bem é que se vê algo, mas pode ser confundido com uma simples sombra, ou nem sequer repararem. Na foto estou a olhar para o David e estava a tirar o cabelo da cara, quando fiz isso o casaco que tinha desceu um pouco e vê-se a cicatriz, mas não falaram disso, por enquanto tenho o segredo seguro, mas tremido.

“David.”

“Sim?”

“Tenho medo.”

“Não fique pensando nisso. Assim é pior pra você.”

“Eu sei, mas é difícil.”

“Mas você tem de ser forte, se eles repararem que você não tá bem Catarina, vão ficar sabendo da verdade mais rapido.” - acenei que sim.

“Lembrei-me que devia ir jogar no euromilhões, depois não vou ter tempo. Volto já.”

“Não quer que a leve lá?”

“Não, não é longe, prefiro ir a pé.”

Agarrei na minha mala e sai de casa, coloquei os phones do meu mp3 e cliquei no play, uma melodia começou a tocar, melodia que me acompanhou até que cheguei à papelaria. Estavam algumas pessoas e tive de esperar na fila, não ouvi o que elas estavam a falar, mas reparei que algumas delas olhavam para mim, sem desviar o olhar, retirei um dos phones dos ouvidos e ouvi uma das pessoas comentar com outra que eu era a rapariga da revista, a rapariga daquele jogo. Não percebi bem de que jogo falavam, nem fazia sentido, e elas olhavam para mim com pena, como se fosse uma coitadinha.

Estava confusa com aquilo, não percebia o porque daquele olhar, tentei ignorá-las, a fila avançou, tentei distrair-me com algo e olhei para as revistas ao meu lado, as revistas cor de rosa. Os assuntos eram sobre namorados, ou separações e escândalos de famosos, coisas normais de revista, o meu olhar parou numa, imediatamente percebi o que se passava, o porque daquela conversa.

Era eu, com o David na capa, lado a lado, o meu pulso direito tinha uma bola à volta e fazia zoom, mostrando bem no zoom a minha cicatriz, e uma foto do David do jogo onde tudo aconteceu, comigo ao colo, em tronco nu, cheio de sangue.

Senti as lágrimas na minha cara, a dor a voltar, o texto da capa na minha cabeça.

“Toda a verdade sobre a amiga mistério de David Luiz. Ela é a rapariga que ele salvou de se suicidar no jogo.”

Saí disparada daquele sítio, a dor começou a dominar-me, corri até casa, sentia o corpo a arder, custava-me a respirar, as lágrimas não paravam de cair. Tremia tanto que nem conseguia abrir a porta, toquei a campainha da minha casa e a porta abriu, subi as escadas a correr e vi-o à porta, ele olhou para mim e imediatamente o David percebeu o que tinha acontecido, o olhar dele foi suficiente para me retirar o resto das forças do meu corpo, a dor agora dominava-me completamente, as minhas pernas cederam e só não cai no chão desamparada porque ele agarrou-me. Levantou-me, e levou-me ao colo para dentro de casa, agarrei-me à camisola dele como se a minha vida dependesse disso e continuei a tremer e a chorar.

Gritei, a dor não parava, e comecei a dizer que não sem parar, senti uma mão dele nos meus cabelos, depois na minha cara, limpando as lágrimas que não paravam de cair, que me enevoavam a vista.

“Devia a ter protegido melhor. Não merece nada disto Catarina. Me desculpe, quem dera ter feito mais.” – a voz dele me dizia tudo, tristeza, dor, desilusão.

Tudo o que eu não queria tinha acontecido, agora não sabia como poderia encarar toda a gente, se iria conseguir sobreviver a toda a dor que sentia, a única coisa que queria agora era desaparecer, era poder adormecer e acordar quando tudo tivesse passado, ou até mesmo adormecer e nunca mais acordar.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 36



Voltei para dentro do edifício, fui dentro do laboratório, comecei a arrumar tudo para sair, as lágrimas molhavam-me a cara, a dor tinha voltado. Se isto estava a acontecer só por isto, se a verdade for descoberta vai ser bem pior, não sei se vou aguentar.

Vi o meu professor parado à porta do laboratório, ele não me ia deixar sair.

“Catarina…”

“Não consigo…só sei falhar. Nem uma promessa consigo cumprir.” – as lágrimas não paravam.

“Não tem a culpa de nada. Eu vou falar com o aluno para evitar que isto volte a acontecer. Fique.”

“Não consigo estar na mesma sala que ele. Dói muito. Só quero ficar sozinha ou com o David.”

“Eu vou ver o que fazer. Não a posso deixar ir assim para casa, não está bem e ainda pode fazer algo mau. Não pode ligar ao David para a vir buscar?”

“Não, ele está no treino, não deve ter o telemóvel com ele, ele vem no fim da aula buscar-me, tenho terapia hoje.”

“Fica aqui no gabinete à espera. Eu venho ver se você está aqui e se está bem durante a aula, depois peço a alguém que lhe dê os apontamentos da experiencia. Beba água e tente ficar calma.”

“Obrigada.”

Ele saiu do gabinete mesmo ao lado dos laboratórios e fiquei ali, resolvi ouvir musica, para tentar acalmar-me, para ver se as lágrimas paravam, se a dor diminuía, mas não parava de pensar no que ia acontecer, quando a verdade fosse descoberta. Como eu ia continuar a viver quando toda a gente soubesse, os olhares, os comentários, as historias, tudo.

O tempo ia passando, já não tinha lágrimas, mas a dor continuava, o meu professor veio ver como eu estava e depois voltava, eu as vezes saia do gabinete e via se o carro dele aparecia, mas nada. Não lhe liguei, tinha medo que ele se passasse e pudesse ter um acidente pelo caminho, apenas esperei.

Pouco depois vi o carro dele, ele nem se preocupou em esconder-se muito, já se sabia a verdade. Ouvi barulho vindo da sala, devia estar a aula a acabar, sai do edifício e já sentia de novo as lágrimas, o David reparou, saiu do carro e não hesitou em vir na minha direcção, senti os braços dele à minha volta e deixei as lágrimas cair.

“David…desculpa.” – disse agarrando-me a ele com força.

“Não faz mal. Vai tudo ficar bem, tou aqui.”

“Já estás a chorar outra vez? Dói ouvir as verdades, não é?” – sai dos braços dele e olhei para o Paulo.

“Cala a boca. A Catarina tava falando verdade.” – ele olhou bem e ficou em choque ao ver o David.

Alguns colegas meus que saíram deparam-se com aquela cena, o David ao meu lado, com um braço à minha volta, eu com lágrimas nos olhos.

“O que a revista diz não é verdade. Só sou amigo dela e tenho ajudado ela, a Catarina não sabia da revista, nem eu. Se volta a magoar ela, você vai ver como eu sou.”

Ele não respondeu, apenas seguiu caminho. Os outros rapazes nem se aproximaram do David, ele estava com uma cara de mau, parecia que era capaz de matar alguém com aquela cara. Fomos para o carro, ele continuava com o braço à minha volta, sentia-me emocionalmente cansada, lembro-me de entrar no carro, por o cinto, ouvir o barulho do motor, o carro a arrancar, o rádio a tocar uma calma melodia e adormeci.

Acordei, e senti que já não estava no carro, mas numa cama. Pensei logo na terapia, abri os olhos e reconheci onde estava, na minha cama, tapada com os lençóis, vi o David sentado ao meu lado, na cama da minha irmã.

“A terapia…”

“Fica pra depois. Falei com o doutor e ele me disse pra trazer você pra casa. Que precisava de descansar e terapia não ia fazer melhor hoje.”

“Obrigada por me teres trazido.” – disse abrindo a boca.

“De nada. Não vou poder tar aqui muito mais, treino daqui a nada. Você fica bem quando eu for?”

“Sim, acho que sim. Ainda sinto-me cansada, acho que vou dormir mais.”

“Primeiro vai comer algo e tomar os comprimidos Catarina.”

“Ok. Obrigada David, por tudo. Se não fosses tu não sei como aguentava.” – voltei a chorar.

“De nada. Mas o faço porque você merece Catarina, merece tudo e muito mais.” – ele limpou-me as lágrimas da cara.

Abracei-o, sabia que com ele por perto talvez as coisas melhorassem, talvez se tornasse mais fácil de suportar isto tudo. Mas só o tempo o dirá, só sei que enquanto o tiver na minha vida, uma parte de mim vai sempre lutar para não desistir de viver, tudo por ele.

Informação

Peço desculpa, mas não tenho podido postar porque tenho andado ocupada com as aulas e com frequências, e hoje era para postar, mas tive um contratempo e perdi tudo o que tinha na pen, incluindo a fic. Mas recuperei parte dela porque a tinha enviado a umas pessoas daqui, mas o ultimo capitulo que tinha escrito perdi-o e não vou poder postar hoje como tinha planeado.
Peço desculpa e espero postar em breve.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 35


O David tirou a toalha de mim, e tentou tirar-me a camisola molhada, senti o ar a bater na minha barriga e arrepiei-me ainda mais. Não queria que o David me visse parcialmente despida, fazia-me confusão, agarrei nas mãos dele parando-o.

“Tem de tirar, assim continua tremendo.”

“Eu tiro, mas não contigo aqui.”

Ele saiu, encostei a porta e despi-me lentamente, vestindo a roupa que ele tinha trazido, a roupa que eu tinha levado para a casa de banho, vesti-me lentamente, e depois abri a porta. Voltei a agarrar-me a ele, só ele me fazia sentir segura. Acabamos deitados na cama, o David acendeu a televisão mas não cheguei a ver nada, apenas olhava para ele, admirava-o e pensava como uma pessoa como ele era amiga de uma pessoa como eu, ele fazia-me sentir quente, fazia-me relaxar com um simples toque, um simples olhar, ele é o meu anjo. Adormeci nos braços dele.

Ele acordou-me para ir jantar, a minha mãe já sabia da situação, mas não comentou. O David acabou por ficar, ele devia ter ido para casa para estar com os pais dele, mas ele estava preocupado comigo. Ele acabou por ficar comigo e voltei a adormecer com ele, nos braços dele, não tive um pesadelo porque a minha mãe me deu um comprimido para dormir, porque eu não adormecia.

“Catarina…”

“Mãe…deixa-me dormir.”

“Não sou sua mãe e você tem de ir para a escola.”

“Não quero.” – disse olhando para o David ainda meio ensonada.

“Você tem de ir. E vai, eu levo você.” – tapei-me com os lençóis e ignorei-o.

Não queria ir, não queria ver as pessoas, não queria saber a reacção delas. O David tirou-me os lençóis da cabeça e não saiu de perto de mim até que me levantei. A custo fui para o quarto vestir algo e voltei pouco depois já com a mala e com as coisas, penteei-me, lavei os dentes e saímos, entrei no carro e ele arrancou. Não havia muito para dizer, apenas olhava para o exterior e ouvia a musica que tocava no rádio, a única coisa que se ouvia naquele carro, cada vez que estava mais próxima da escola o aperto que sentia aumentava, o medo consumia-me, mas não podia voltar atrás.

“Depois já sabe tem terapia. Eu venho aqui ter com você. Calma, eu volto rápido, não ligue se falarem de algo, tente ficar calma por mim, ok? Me promete?” – ele perguntou olhando-me nos olhos.

“Sim…” – respondi com a voz a tremer, não sabia se ia cumprir.

“Vou indo. Fique bem. Volto logo. Te adoro Catarina.” – ele abraçou-me e deu-me um beijo na cara.

Saí do carro, disse-lhe adeus, ele foi para o treino e eu fui para o laboratório, era a aula com o professor bom, vi os meus colegas e nem quis aproximar-me deles, mas tinha de ser, só pedia que eles não tivessem visto a revista. Agarrei no caderno com mais força e aproximei-me deles.

“Bom dia.” – tentei dizer o mais calmamente possível, mas por dentro tremia.

“Bom dia.” – responderam algumas colegas minhas.

Até agora parecia tudo normal. Vi o professor e ele disse bom dia, olhou para mim como se estivesse a perguntar se estava bem. Eu apenas baixei a cabeça. Entrei depois de ele ter entrado e ele chamou-me.

“Já vi que não está bem. Se precisar de algo diga ok? Passou-se algo para estar assim?”

“Ok. Obrigada. Não quero falar disso, mas acho que vai descobrir mais cedo ou mais tarde.”

Nisto entraram o resto dos meus colegas, e a conversa acabou ali. A aula começou e estava a decorrer normalmente, a experiencia estava a decorrer, senti o telemóvel a vibrar e vi que era uma sms do David. Era ele a dizer que ia começar o treino e estava a perguntar-me se estava tudo calmo. Respondi rapidamente, o professor não ligava muito se eu o fazia porque ele sabia dos meus problemas, mas escondi dos meus colegas.

“Catarina, podes dar o teu número aqui ao meu amigo? Ele diz que gosta de ti.” – disse um dos rapazes no gozo comigo, enquanto saiamos para um intervalo.

“E se eu não quiser dar?”

“Pois é, não podes dar, o teu namorado fica chateado não é? É melhor não te fazeres a ela Valério, o namorado dela é muito maior que tu e se te apanha ficas negro.”

“Cala-te Paulo. Eu simplesmente não quero dar o numero, não tem a haver com namorado nenhum, não tenho namorado.”

“Não tens? Ou estás a escondê-lo? Não vale a pena esconderes, eu já vi quem é, e duvido que o David Luiz seja o teu namorado, cá para mim foste tu que disseste isso às revistas e arranjaste maneira de te tirarem fotos com ele.”

“Cala-te! Tu não sabes nada! Ele não é o meu namorado, sou só amiga dele, já o conheço há meses eu não disse nada a ninguém, nem sabia nada disto das fotos.”

“Tu nem sequer mereces estar com ele, e nem deves ser amiga dele, conheceste-o e tiraram as fotos. Só queres ser é alguém, mas não és ninguém.” – comecei a tremer, tentei acalmar-me por ele mas não estava a conseguir, senti as lágrimas nos meus olhos.

Vi alguns dos meus colegas em choque, outros não pareciam tão chocados por saber da história, mas estavam sem reacção daquela conversa, eu cada vez mais me sentia pior, sabia que estava a falhar à promessa que lhe fiz.