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domingo, 7 de novembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 29


Desculpem pela demora mas não tenho andado bem e não tenho escrito. Alem disso tenho andado um pouco bloqueada na escrita, se tiverem alguma sugestão para avançar com a historia agradeço. Obrigada por todos os comentários, espero que gostem.


Continuei a pensar no que fazer, se não acedesse ao pedido dele ele ainda ia ficar mais destroçado, se acedesse não sabia o que podia acontecer, não queria dar-lhe esperanças com um beijo, apesar de ele já saber o que sinto por ele.

“Sim…” – decidi que não o ia magoar mais, ele não merecia.

Senti ele aproximar-se de mim e uma mão dele na minha cara, sentia-me nervosa, era apenas um beijo, mas eu nunca beijei ninguém sem sentir nada e não sabia como agir, se devia deixar-me levar, se devia responder ao beijo com intensidade. Não tive muito tempo para pensar nisso, olhei nos olhos dele, que brilhavam intensamente, uma última vez, e senti os lábios dele nos meus. Perdi a reacção, deixei-me levar pelo aquele beijo calmo e suave, apaixonado. Tudo o que o Ruben sentia por mim traduzia-se naquele beijo, o meu corpo começou a ceder, senti o meu coração a bater, não por sentir algo mas do nervosismo, da adrenalina de estar a ser beijada.

Senti a outra mão dele nas minhas costas e o corpo dele próximo do meu, aplicando pressão com fez com que me deitasse na cama e o corpo dele cobrisse o meu. O beijo também mudou, tornou-se mais intenso, senti a língua dele a tocar-me nos lábios, senti o ar a faltar-me, o corpo dele a aquecer o meu, ouvi uma espécie de gemido, quase de certeza que era meu, porque ouvi outro de seguida e era dele, sabia que tinha de parar, não queria que ele pensasse que podia ter uma hipótese comigo, apesar de tudo o que lhe disse antes.

“Ruben…” – disse praticamente num sussurro, quando os lábios dele deixaram os meus por um segundo.

“Diz…” – senti o que ele disse nos meus lábios, da proximidade entre os lábios dele com os meus.

“Pára. Não te posso dar mais, não te quero magoar mais, desculpa.” – ele saiu de cima de mim, visivelmente triste.

“Desculpa, parte de mim me fez crer que o que me tinhas dito era apenas um sonho, sabes? Mas sei que não é verdade. Eu fico bem, desejo que melhores, porque mereces. Que possas confiar, ser feliz, e que percebas que quem tem o teu coração é ele.” – ele aproximou-se de mim, deu-me um beijo na cara e saiu do quarto, pouco depois ouvi uma porta a fechar e sabia que ele ido embora.

Dirigi-me à sala, um pouco triste por ter feito aquilo ao Ruben, mas não podia forçar algo que não sentia. O David estava a olhar para mim com uma cara muito seria, como se tivesse feito algo de mau, ou como se ele estivesse chateado comigo.

“Você não disse ao Ruben que não sentia nada por ele, né?”

“Disse. Porque é que estás assim?”

“Eu vi, ele em cima de você, eu vi vocês se beijando, não minta.”

“É verdade, mas não é o que pensas.”

“Eu vi, não esteja dizendo que não. Você está brincando com ele e ele vai ficar sofrendo quando souber que você o usou, Catarina. E ele não merece, ele não é um jogo.” – senti as lágrimas na minha cara, como é que o David achava isso de mim? Depois de tudo o que lhe contei?

“Se quiseres liga-lhe, pergunta o que aconteceu, mas a verdade foi que lhe disse que não o via mais que um amigo, porque não consigo amar, se não fosse esta a situação talvez pudesse sentir algo por ele, mas que não consigo. Ele pediu-me um beijo, só para saber como seria se eu gostasse dele, queria dizer que não, mas ele já estava tão triste, tão magoado, que se o rejeitasse ia magoá-lo mais. Deixei ele beijar-me, apenas deixei-me ir, nada mais, não senti nada, porque já não sei o que é sentir.” – gritei, e já não sentia nada a não ser as lágrimas na minha cara.

“Desculpe Catarina, não me tava parecendo isso, mas você nunca me mentiu, acredito em você. Desculpe ter duvidado.” – ele aproximou-se de mim e abraçou-me.

“Odeio-me, odeio-me tanto. Gostava de conseguir amar, aquele beijo fez-me sentir amada, desejada, fez-me sentir que alguém me ama, gostava de o poder amar, mas estou tão estragada, que nem consigo dizer que amo alguém, não consigo senti-lo. Só magoo as pessoas que me amam, e talvez nunca ninguém me vai amar como o Ruben, ele ama-me por quem sou, ele vê para além das cicatrizes, para além desta alma desfeita. Odeio-me tanto, estou farta disto! Não mereço que ninguém sofra por mim, se Deus queria que eu ficasse viva, porque é que magoa tanto? Porque é que tenho que magoar toda a gente? Talvez não mereça viver agora, talvez Ele tenha visto o erro que fez em deixar-me viva.” – gritava, cerrei os punhos e batia no peito dele com raiva de tudo e de todos.

“Não diga isso. Você vai ficar bem, alguém vai amar você Catarina, você vai entender porque é que ainda tá aqui. Descanse, precisa de limpar a cabeça.” – parei de lhe bater, deitei-me no sofá com a cabeça no colo dele, adormeci pouco depois, tinha sido muitas emoções e estava esgotada, só queria ser feliz, mas não sentia nada por quem me amava e essa pessoa disse que o meu coração era do David, adormeci a pensar nisso, mas sabia que não podia ser verdade, não podia dar o meu coração sem poder voltar a sentir, sem voltar a amar.