Mostrar mensagens com a etiqueta rescue me. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta rescue me. Mostrar todas as mensagens

sábado, 5 de março de 2011

Rescue Me - Capitulo 51


Novo capitulo. Desculpem se demorei. Obrigada por todos os comentarios e espero que gostem.


Não o queria largar. Só queria ficar a noite toda nos braços dele, sentia segurança, os meus medos e receios a desaparecer, sentia algo que me fazia tremer, que me aquecia, sentia-me feliz, sentia-me bonita e amada. Senti que a “velha” Catarina tinha voltado, que tinha recuperado parte da pessoa que fui, tudo por causa do David. Os meus pensamentos foram interrompidos com um beijo nos lábios, suave, doce, sentindo toda a paixão e o amor que ele sentia por mim.

“Amo você.” – o David disse, depois de quebrar o beijo, senti cada palavra nos meus lábios.

“Eu também. Muito.” – disse a sorrir.

“Eu amo mais.” – ele sorria.

“Não, eu amo mais.”

“É melhor a gente parar ou vamos ficar continuando nisto.”

“Também acho.”

“Devíamos voltar. Devem tar preocupados com você Catarina.”

“Só mais um bocadinho. Estou tão bem contigo David. Se pudesse ficava assim toda a noite, nos teus braços.” – disse, abraçando-o com mais força, juntando mais os nossos corpos.

“Eu sei. Só mais um bocadinho, depois vamos.”

“Obrigada. Sabes que te amo?”

“Sim. Também amo você boba. Quer dançar? Eu não sei dançar bem não, mas sei que você gosta.”

“Não há música, tonto. Só se for do meu telemóvel.”

“Eu danço de qualquer jeito, só preciso de um par pra me ficar ensinando.”

“Eu ensino-te algo simples. Dançamos algo mais calmo para ser mais fácil.”

Agarrei no telemóvel e escolhi a música. Pus a tocar, dirigi-me a ele e coloquei os meus braços à volta dele, juntei o meu corpo ao dele e ele repetiu o gesto, colocando as mãos na minha cintura. Olhei nos olhos dele e sorri, ele também estava a sorrir, vi nos olhos dele.

“Segue o que eu faço. Apenas deixa-te ir.”

Comecei a mexer-me lentamente, a dar pequenos passos, para a direita e para a esquerda, com o ritmo calmo da música, sem tirar os olhos do David. Ele desviou o olhar para o chão, pus a minha mão no queixo dele e forcei-o a fixar o olhar em mim, ele voltou a sorrir e desta vez já não voltou a olhar para chão, apenas fixou o olhar em mim e dançamos até a musica acabar, sempre a sorrir e sem tirar os olhos um do outro, não era preciso dizer nada, os nossos olhares revelavam tudo o que sentiam, naquele momento, não havia mais ninguém, era apenas eu e ele, não havia preocupações, medo, pressão, outras pessoas. Sentia-me segura, sentia-me como naqueles filmes em que quando a rapariga encontra o seu “príncipe” e dançam, parece não haver mais ninguém na sala a dançar a não ser eles.

Ele interrompeu a dança beijando-me, não evitei e sorri no beijo. Quebrei aquele curto, mas viciante beijo e olhei nos olhos dele.

“David?”

“Sim?” – ele perguntou, afastando uma mecha de cabelo da minha cara

“E agora? Como fazemos? Não quero contar isto, não agora, quero manter segredo do que temos, se isto se sabe agora não sei se vou aguentar.”

“Eu sei. Eu não quero ninguém magoando você e sabe que não gosto de andar falando da minha vida pessoal. Quero você bem, e é melhor continuar escondendo isto até ser o melhor momento.”

“Ainda bem. E as nossas famílias? Não seria melhor contar? É que não vou conseguir esconder da minha.”

“Sim. É melhor. Eu sei que elas não vão ficar contando nada não. Catarina, é melhor a gente voltar pra festa.”

“Não…podemos ficar aqui toda a noite. Mas é melhor irmos, mas antes quero mais uns beijos.”

“Você é mesmo boba. Amo você.”

“Eu também te amo tonto.”

Ele puxou-me para mais perto dele, colocou uma mão na minha cara, respirou fundo e beijou-me, os beijos não eram intensos, eram calmos, doces, apaixonantes, daqueles beijos que podia dar para sempre, que cada beijo me fazia sentir cada vez mais apaixonada, não queria que ele parasse, sentia-o a sorrir em cada beijo, mas sabia que tínhamos de voltar para a festa em breve.

“Awww!” – imediatamente quebramos o beijo e olhamos para onde vinha aquele aww.

“Andreia! Ruben! Por onde vocês andaram? Liguei-vos há tanto tempo.”

“O Ruben não apanhou bem as direcções. Andamos meio perdidos. Mas ainda bem, vocês ficam tão lindos juntos.”

“O manz nunca foi bom nessas coisas.”

“Não é verdade David. Mas se soubesse ainda tinha andado perdido mais tempo.” – e ele fez um sorriso malandro.

“Engraçadinho. Vocês não podem contar isto a ninguém. Eu e o David decidimos manter isto privado. Só vamos contar à minha família, espero que percebam.”

“Ok.” – responderam os dois.

“Mas antes de irmos quero ver um beijo. Já que na festa não vou ver quero ver um agora.”

“Andreia! Só um. Depois vamos e nada de abrir a boca.”

O David olhou para mim e eu para ele e ele deu-me um beijo curto, apenas um simples tocar de lábios.

“Isso não é um beijo.” – disse a Andreia.

“Fraquinho David. Beijas assim? És um fraquinho.” – o Ruben estava a gozar.

Ele olhou para mim, colocou um braço à minha volta, puxou-me para ele e beijou-me, um beijo como o primeiro que tínhamos dado, calmo, suave, sem pressa nenhuma, a mão esquerda agarrou na minha direita, entrelaçando os nossos dedos. Quando ele quebrou o beijo abri os olhos e olhei nos olhos dele, ele retirou o braço, mas continuava com os dedos entrelaçados nos meus. Olhei para as nossas mãos juntas, sorri e ele também.

“Tão lindo.” – disse a Andreia a sorrir.

“Isso já é um beijo, mas foi muito lamechas.”

“Acabou manz. Não esteja gozando mais.” – e o David fez uma careta para o Ruben e o Ruben respondeu com um sorriso.

“Vamos para a festa, já devem andar a perguntar onde eu ando.”

Voltamos para a festa, eu e o David continuamos de mãos dadas até começarmos a ver pessoas, até começarmos a ver a tenda.

Ele reparou no meu nervosismo e no meu receio antes de entrar de novo na tenda, agarrou na minha mão discretamente, e sussurrou-me ao ouvido.

“Calma, eu amo você Catarina.” – e sorriu-me.

“Também te amo.” – senti o meu nervosismo a desaparecer, sorri de volta.

Quando o David largou-me a mão e entrou na tenda, senti que tinha perdido uma parte de mim, senti-me um bocado vazia, insegura sem ele, mas ao mesmo tempo completa, porque ele podia ter uma parte de mim, mas eu tinha uma parte dele.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Rescue Me - Capitulo 50 (parte 2)


Desculpem pela demora. Como prometido a parte 2 do capitulo 50. Obrigada por todos os comentários e espero que gostem.

Quando parei de correr nem sabia como respirava, doía tanto, doía mais do que qualquer dor possível, as forças faltavam-me e sentei-me no relvado. Desejei desaparecer, ir para longe de tudo e todos, para esquecer, para fazer me fazer crer que isto tudo não era mais que um pesadelo, mas não o podia fazer. Senti-me vazia, como se já não valesse a pena viver, mas a dor era diferente da dor que habitualmente sentia, a vontade de fazer uma loucura não existia, apenas existia uma grande vontade de chorar.

Tinha tudo acabado, por culpa minha, agora nada ia voltar a ser igual. Quando o conheci, a minha vida mudou em todos os aspectos, sobrevivi e ganhei um anjo da guarda, que me protegeu de tudo e de todos o melhor que podia, até protegeu de mim mesma. Ele fez-me sentir feliz, fez-me acreditar que eu podia ser feliz, fez-me voltar a confiar e a amar.

Mas agora, não sei quando vou voltar a confiar em alguém, quando vou voltar a amar alguém, porque a única que pessoa que confio, que amo rejeitou-me e provavelmente vai-se afastar de mim. Porque é que todas as pessoas que amo me abandonam?

Continuei a chorar, o meu telemóvel vibrava incessantemente no bolso do meu vestido. Sabia que era ele, não ia atender, não conseguia, só ia doer mais e precisava de estar afastada dele. O telemóvel parou de tocar durante um bom bocado, ele deve ter-se cansado de ligar. Olhei para as estrelas, e não pude deixar de perguntar que mal tinha eu feito para merecer isto? Porquê eu? Voltei a sentir o telemóvel a vibrar, vi o número e desta vez não era ele, mas o Ruben. Atendi, mas não respondi, não fosse ele do número do Ruben.

“Catarina? Estás a ouvir-me?” – a voz era do Ruben.

“Sim…”

“O que se passa? O David ligou-me desesperado a dizer que não consegue falar contigo e agora ouço-te a chorar.“

“Eu…” – nem conseguia dizer a verdade.

“Disseste-lhe o que sentias não foi? E ele não correspondeu, pois não?”

“Não…” – disse quase num sussurro.

“Oh…estamos preocupados contigo. Não faças nada Catarina, prometes? Podes dizer-me onde estás? Queremos ir ter contigo.”

“Prometo. Quem vem? Não quero ele…” – chorei mais, nem o nome dele conseguia dizer.

“Eu e a Andreia. Não sei do David e não quero ele perto de ti agora. Diz-me como chegar a ti.”

Expliquei-lhe o melhor que podia onde estava, apercebi-me que estava muito longe da tenda e que eles iriam demorar a chegar até mim. Olhei para as estrelas e cantei.

But somewhere we went wrong
We were once so strong
Our love is like a song
You can't forget it

Perguntei-me como iria sobreviver, como iria viver sem ele do meu lado, acho que não vou conseguir aguentar. Ele tornou-se numa espécie de pilar principal da minha vida, sem ele tudo se desmorona. Tudo cai e fica reduzido a nada, e não sei se vou conseguir voltar a reconstruir tudo de novo, se conseguir vai demorar muito tempo, e não sei se aguento voltar a passar tanto tempo a sofrer por algo que talvez se vá desmoronar outra vez. Continuei a cantar, a mesma música, musica que ajudava-me a lidar com a dor, a apagar parte dela, mas desta vez não apagava, apenas acentuava o que sentia.

Somewhere we went wrong
Our love is like a song
But you won't sing along
You've forgotten
About us

O meu corpo estava completamente dormente da dor e só sentia as lágrimas na minha cara porque eram molhadas e frias. E eu iria voltar a ser uma pessoa fria, vazia, um corpo sem alma, um olhar sem brilho, porque estou farta de lutar por algo que nunca vou ser, por algo que nunca vou voltar a sentir, mais vale parar de lutar e de sentir, nunca iria ser alguém, sou nada, não valho nada, o meu pai sempre teve razão.

Ouvi barulho, sabia que já não estava sozinha, devia ser o Ruben e a Andreia. Quando olhei para o lado era a única pessoa que não queria ver, nem estar perto. Levantei-me, pensei em fugir, mas sabia se desta vez o fizesse ele me apanhava logo.

“Catarina…”

“Não tenho nada mais a dizer-te…” - disse olhando o chão e passando por ele, tentando-me afastar.

“Espere. Me deixe explicar.” – a mão dele agarrou no meu pulso e puxou-me para ele.

“Larga-me. Larga-me!” – gritei, tentei soltar-me dele, mas sabia que não ia conseguir.

“Depois de eu explicar eu largo. Mas tem de me ficar ouvindo.”

“Ok.” – respondi, olhando para o chão.

“Sou eu quem tem o seu coração, Catarina?”

“Sim…” - disse num sussurro, sentindo as lágrimas nos meus olhos.

“Porque não falou? Porque ficou sofrendo?”

“Porque não queria estragar tudo, mas acabei por o fazer na mesma. Fiz com que o teu namoro acabasse, e destrui tudo o que tínhamos, porque sei que agora vais-te afastar de mim, porque não me vês mais do que uma amiga e não consegues estar comigo sabendo o que sinto.”

“Você não tem culpa de nada. Fui eu que terminei, quando você tava no hospital ela disse que tinha de escolher entre ela e você Catarina, ela falou que eu tava demasiado preocupado quando você tava mal, mais do que devia e ela exigiu eu escolher o que era mais importante para mim e sabe o que fiquei escolhendo.” – senti a mão dele na minha cara, a tentar limpar as lágrimas.

“Não me toques!” – a mão dele deixou a minha cara.

“Na altura não fiquei entendendo algo que ela falou, ela falou que o escolhi não tava longe do que sentia, mas agora sei. Catarina eu te…”

“Não digas, tu não o sentes David, só dizes isso para evitar que eu faça algo de mal.”

“Não. É a verdade. Te amo Catarina e não vou parar enquanto você não acreditar em mim.”

“Não acredito, como sei que é isso que sentes? Como sei que não me estas a mentir? Não consigo acreditar, perdi a confiança em ti.”

“Me olhe nos olhos, me diga o que ta vendo, me diga se tou mentindo.” – senti a mão dele que agarrava o meu pulso a puxar-me para mais perto dele.

Pela primeira vez desde o inicio da conversa, olhei-o nos olhos, mas não conseguia ver bem o que ele sentia. Sempre fui capaz de ler sentimentos das pessoas que conheço com o olhar, saber se estão a dizer a verdade, mas ele era um turbilhão de coisas, uma indefinição, se era verdade ou não, ou então era eu, blindada, por tanta dor que não via realmente o que é verdade.

“Não consigo, não sei o que vejo…”

“Te amo Catarina, acredite por favor...” – continuei a olhar, mas nada.

“Não consigo…” – sentia as lágrimas a cair, a dor, coisas do passado na minha cabeça.

“O que diz o seu coração?”

“Não sei…está dividido.”

“Mas ele sabe o que você sente por mim.”

“Sim…”

Senti a mão que agarrava o meu pulso direito a segurar-me na mão e a leva-la na direcção do peito dele. Ele colocou-a no peito, na zona do coração e segurou-a lá.

“O seu coração bate por mim. Sinta se o meu tá batendo da mesma forma, se ta batendo por você.”

Sentia o meu corpo todo a tremer, aquele simples toque no peito dele fez bater o meu coração com uma intensidade inexplicável, naquele momento o meu coração reagia ao simples toque com o David, o olhar dele esperava por algo, por algum sinal, algo que dissesse o que eu acreditava. Ouvi o coração dele, a pulsar na minha mão, batia intensamente, respirei fundo, deixei-me levar, apenas a sentir. Devia ouvir dois corações bater, devia sentir dois batimentos, mas não. Ouvia apenas um, e não sabia de quem era, pensei que fosse o meu coração que deixasse de bater, mas ainda respirava, naquele momento soube e não foram precisas palavras para o descobrir.

“David…” – o nome dele saiu-me dos lábios, num sussurro, como se o meu coração chamasse por ele.

Senti a outra mão do David na minha cara, limpando-me suavemente com o polegar, uma lágrima, senti a respiração dele próxima da minha, os olhos dele mais perto dos meus. Os lábios dele tocaram nos meus, os meus olhos fecharam-se e deixei-me levar pelo que sentia, deixei de ter medo, confiei nele, os lábios do David moviam-se lentamente com os meus, todos os sentimentos dele transpareciam naquele beijo, os nossos lábios era como se soubessem que pertenciam um ao outro, encaixando numa forma única. A mão direita dele continuava na minha cara, fazendo pequenas carícias enquanto a outra continuava a segurar a minha no peito dele, sentindo o coração dele batendo em uníssono com o meu.

Quando o David quebrou o beijo, parecia que o beijo tinha durado um tempo indefinido, como se o tempo tivesse parado naquele instante. Abri os olhos e vi os olhos dele nos meus, sabia que ele devia estar a sorrir, pois vi o olhar dele a brilhar daquela forma quando ele sorria.

“Te amo Catarina.” – e uma mão dele passou pelos meus cabelos, retirando-os da minha cara.

“Eu sei. Amo-te David.”

Sorri, passei uma mão pelos caracóis dele e ele envolveu-me com os braços, puxando-me para o peito dele, eu coloquei os meus braços de volta dele, olhei nos olhos dele e ele beijou-me novamente, apenas um simples beijo curto, mas que selava que pertencíamos um ao outro, que selava o nosso amor.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Rescue Me - Capitulo 50 (parte 1)


O capitulo que tanto esperavam. (ou não) Um capitulo cheio de emoções e dividido em duas partes. Esta é a primeira, espero que gostem e ouçam com a música que esta faz sentido com o que acontece no capiutlo. Preparem-se que é um capitulo grande. E comentem. Obrigada.

Tenda:




Inicio do mês de Junho


Hoje devia ser um grande dia para mim e para a minha irmã, fazemos 21 anos, mas só penso nele. As coisas já estão melhores, mas continuam estranhas, sinto-me culpada, sinto que ele não anda bem por minha culpa, por causa das minhas crises. Sinto-me triste porque duvido que o David venha à minha festa, ele está de ferias agora, eu convidei-o mas disse-lhe que não ficava chateada se ele fosse de ferias e não pudesse vir. O período de ferias dele é curto e disse-lhe que ele tinha de aproveitar.

Já não falo com ele há uns tempos, e as crises tem sido piores, muito por minha culpa, mas não quero pensar nisso agora. Estou no local da minha festa, é um sitio onde está a haver uma feira, tem um relvado enorme, tem concertos e tudo, tem de se pagar entrada para ir e está sempre cheio de gente, mas a minha festa vai ser num local mais recatado, numa tenda montada um pouco distante do alvoroço todo, mas a festa foi feita ali com a intenção de podermos aproveitar a feira.

Não convidei demasiada gente, apenas os meus amigos mais próximos e a minha família, desde que tudo saiu nas revistas tenho medo que mais seja exposto e não quero sofrer mais com o que as pessoas dizem e pensam de mim. Tenho um vestido que gosto muito, coloquei-lhe as alças para não o puxar para cima, comprei já com a intenção de o vestir hoje, coloquei as pulseiras como habitualmente para esconder as cicatrizes. Tenho um pouco de maquilhagem, foi uma amiga minha que me maquilhou e achou que tinha de me produzir para a minha festa, estou com umas sandálias rasas, estive de saltos mas não ia aguentar dançar e andar de um lado para o outro de saltos, só de pensar que há uns meses nem um vestido vestia e saltos nem pensar, há coisas que mudam, eu mudei e a minha vida também.

Os meus amigos foram chegando aos poucos, dando-me os parabéns e a minha irmã, muitos impressionados com o meu visual. Sorri-lhes e recebi os presentes de alguns deles, mesmo assim não me sentia feliz, o único presente que queria era ele na minha festa.

“Não paras de pensar nele pois não?”

“Não Andreia. Gostava que ele estivesse aqui, mas não lhe podia exigir isso, ele tem de aproveitar as férias que tem.”

“Catarina, podes vir comigo lá fora?” – disse a minha irmã.

“Ok. Vens Andreia?” – ela acenou e saímos as 3 da tenda.

Olhei em redor e percebi porque e que a minha irmã me quis fora da tenda. Sorri, o David e o Ruben vinham na direcção da tenda e estavam a olhar para mim. Não resisti, corri até eles e abracei o David. Ele levantou-me do chão.

“David! Pensava que não vinhas mesmo.” – ele pôs-me no chão, aproveitei e passei uma mão pelos caracóis dele, para os despentear, mas estes voltaram à forma inicial.

“Não ia ficar faltando a uma grande festa, em especial da sua, Catarina. Parabéns.” – ele sorriu e cumprimentei-o com um beijo na cara.

“E eu? Não mereço um abraço e um beijo da aniversariante?”

“Claro melga ou é Ruben? Já não sei o teu nome.” – ele olhou para mim com cara de poucos amigos, mas depois sorriu, abraçou-me e dei-lhe um beijo na cara.

O Ruben começou a andar em direcção da Andreia e da minha irmã para a cumprimentar também e eu e o David seguimo-lo um pouco mais atrás.

“Você tá linda Catarina. Você é linda, mas hoje ainda tá mais.”

“Não sejas tonto.” – sorri e baixei a cabeça para ele não ver que eu estava a corar.

Chegamos ao pé da minha irmã, da Andreia e do Ruben e não conseguia fazer mais nada do que sorrir.

“Ruben é a minha amiga, a Andreia. Vocês vão dar-se bem, são os dois tontos, sempre a inventar esquemas, muito coscuvilheiros e a armarem-se em casamenteiros. Mas Ruben, cuidado! Ela é uma mulher do Norte, e do Futebol Clube do Porto.”

“Eu aguento com pessoas do Norte e do Porto. Aguento com este aqui, aguento com qualquer um.” – ele disse a apontar para o David.

O David olhou para o Ruben com cara de poucos amigos, bateu-lhe com a mão na cabeça e sorriu.

“David, a minha prenda? Não me digas que não trouxeste nada!”

“Eu pensava que a sua prenda era eu.”

“David! Tu és uma boa prenda, mas tu sabes que gostava de ter uma prenda tua.”

“O Ruben tem no saco.”

O Ruben deu-me o saco e eu estava com um grande sorriso sem saber o que podia ser. Abri o saco e vi duas caixas embrulhadas em papel verde com um laço branco. Abri primeiro a caixa quadrangular, era maior e tudo. Lá dentro estava uma maquina do tipo que eu gostava de ter, a bolsa, um cartão de memoria e uma lente.

“Obrigada! Muito obrigada! Não devias ter gasto tanto dinheiro nisto, David! Mas como sabias?”

“Fui eu, tu contaste-me que gostavas de ter uma máquina assim. E o David disse-me que andavas sempre a tirar fotografias a tudo com a máquina que tinhas. Abre a outra, é minha.” – respondeu o Ruben.

Abri a outra e era uma lente, mas de longo alcance, também não deve ter sido nada barata, só pensei que eles eram doidos por terem gasto tanto dinheiro comigo.

“Vocês são doidos! Isto foi muito caro! Não era preciso uma prenda assim. Mas muito obrigado, estou muito feliz pelo que me deram e por estarem aqui, não podia pedir melhor para o meu aniversário.” – dei um beijo na cara de cada um, para agradecer aquelas prendas.

O Ruben chegou ao pé da minha irmã e também lhe deu algo que estava num segundo saco, não vi o que era, mas ela estava muito contente.

Entramos na tenda, tocava musica do computador que levamos, os meus amigos conversavam e iam comendo, alguns estavam a dançar. A minha irmã entrou com a Andreia e o Ruben e depois entrei eu com a caixa da máquina e o David com a lente que o Ruben me deu. Vi a minha mãe a sorrir, ela devia saber que o David vinha, olhei para alguns amigos meus e família e alguns estavam surpreendidos de ver o Ruben e o David na minha festa de anos, apesar de já saberem que eu sou amiga deles, mas não agiram como fãs e foram logo pedir autógrafos, continuaram com o que faziam apesar de eu saber que alguns deles iam me pedir para os conhecer e tirar fotos. Mostrei a máquina a minha mãe e montei-a para tirar algumas fotos com ela, só para a testar, a primeira foto que tirei foi do David a fazer uma careta. Tirei umas quantas mais, até que tive de pousar a máquina porque fui arrastada para a zona onde os meus amigos dançavam, dancei um pouco e estava a divertir-me muito, não podia pedir melhor festa de anos.

“Ele não tira os olhos de ti. Sempre lhe vais contar o que sentes?” – perguntou-me a Andreia.

“Não sei. E ele está a olhar porque está a gostar de me ver assim, e deve estar surpreendido de eu estar a dançar assim. Não estejas com ideias, ele não gosta de mim assim, ele ainda deve sentir algo pela rapariga com quem ele estava.”

“Tu não sabes isso. E devias contar, não perdes nada com isso e ias sentir-te melhor.”

“Eu depois vejo isso. Agora só quero aproveitar esta noite.”

“Então acho que vais aproveitar, porque o David vem aí.” – olhei e vi ele a aproximar-se de mim e da Andreia.

“Catarina, posso falar com você? Só nós os dois?”

“Sim…” – disse sem saber o que esperar daquela conversa.

“Vamos cantar os Parabéns.” – disse a minha mãe, parando a musica.

Dirigimo-nos a mesa, onde estava o nosso bolo, com velas indicando 21 anos em cada ponta e 2 foguetes. Acendemos as velas e os foguetes, apagaram as luzes da tenda e começaram a cantar os parabéns, eu só pensava na conversa que ia ter com o David, o que seria que ele queria falar comigo?

Depressa acabaram de cantar os parabéns, eu e a minha irmã apagamos as velas, retiramos uma e mordemos pedindo um desejo. O meu desejo? Ser feliz, não havia nada que mais desejasse naquele momento. O Ruben tirava fotografias com a minha máquina nova. Eu e a minha irmã partimos o bolo e distribuímos aos convidados, que rapidamente voltaram a pista de dança ou a mesa da comida, a minha irmã foi dançar e eu também era para ir quando me lembrei da conversa com o David e vi que era o melhor momento para ir. Ele saiu da tenda primeiro e eu fiz o mesmo pouco depois, andamos um pouco em silêncio, para longe da tenda, para longe de todos, pisando o relvado daquele local, ouvindo ao fundo o barulho da tenda e da feira.

“O que querias falar?” – resolvi quebrar o silêncio, visto que ele não o fez.

“Queria saber como você tá. Como se tá sentindo? Faz um tempo que não falamos nem tou com você.”

“Estou bem.” – disse sem olhar para ele

“Não tá bem não. Não me engana Catarina. Eu conheço você e isso já não pega comigo. Me conta a verdade.” – sentei-me na relva, e ele sentou-se à minha frente.

“A verdade é que podia estar melhor. Na escola tem sido mau, continuam a gozar comigo, a chamar-me de coitadinha, a dizer que ninguém gosta de mim, que fui eu que disse as revistas que tu eras o meu namorado e que tu só és meu amigo e estas comigo por pena.”

“Não fique ligando a isso, eu sei a verdade e você sabe também, eles tem inveja de você me conhecer e ser seu amigo. Não liga a eles, se não ligar eles param.”

“O problema é que não param, percebes, David? E fazem-me acreditar que é verdade, porque em parte é. A maior parte das pessoas me olha com pena, a única coisa boa nisto é que sei quem são os meus verdadeiros amigos, e são poucos, mas tem me dado algum apoio e me defendido quando não consigo.” – fiz um esforço para não chorar, não queria que ele me visse assim.

“Ainda bem que você tem pessoas que a apoiam. Você merece tudo de bom. E você tem alguém que conheceu e ficou gostando? Namorado?”

“Não.” – cada vez mais era difícil controlar as lágrimas.

“Porquê? Catarina, você é linda, incrível, a melhor garota que conheço. Qualquer pessoa seria sortuda em ficar com você. Eu tou achando que em Portugal há muita gente que não vê bem não. “ – comecei a chorar.

“Porquê? Porque nunca ninguém vai ver para alem disto, destas marcas, todos os rapazes que conheço ou já sabem quem sou e tentam usar-me para chegar a ti, ou se não sabem, quando vêem ou não querem nada comigo ou tem um encontro comigo por pena. E não consigo confiar em pessoas assim, o Ruben viu-me para alem disto, amava-me por quem eu sou, mas estava tão partida, tão desfeita, que nem confiei nele o suficiente para lhe dar uma hipótese, para tentar poder voltar a amar. E agora que consigo fazê-lo, não posso…” – senti a mão do David a limpar-me as lágrimas que não paravam de cair.

Vi nos olhos dele o quanto destroçado ele estava por me ver assim. Sabia que se ia dizer-lhe o que sentia só tinha esta oportunidade, visto que ele depois ia voltar às férias dele e talvez pudesse vir a sair do clube ainda este ano. Mas tinha medo, muito medo de poder perder tudo o que tínhamos se lhe dissesse.

“Não pode o quê?”

“Não posso dar o meu coração David. Porque ele já não me pertence. Pertence a alguém que não posso ter, alguém que não quero perder, alguém que me vê como sou, alguém que vê para lá destas imperfeições, deste defeito.” – mostrei-lhe os pulsos com as cicatrizes, afastando as pulseiras.

“Isto não é defeito, não é imperfeição. Faz parte de você. É o que torna você é única, e você é perfeita de uma forma diferente, é um perfeito único, porque mais ninguém tem esta perfeição. Isto é perfeito Catarina.”

Ele disse, olhando-me, agarrando-me no pulso direito, passou o dedo polegar na cicatriz, percorrendo-a, fazendo-me arrepiar e respirar fundo. Aproximou-se da cicatriz como se fosse observá-la melhor, aproximou os lábios da mesma e beijou-a. As lágrimas não paravam de cair, aquele simples gesto, aquelas simples palavras fizeram com que eu me apaixonasse mais por ele, com que eu o amasse mais, se isso fosse possível.

Não pensei no meu próximo passo, reagi com o coração, deixei-me levar pelo que sentia. Mal o olhar do David se cruzou com o meu, beijei-o, pressionei os meus lábios contra os dele, por um instante, uns segundos apenas, não senti nenhuma reacção dele e ali soube que ele não sentia o mesmo que eu. Quebrei o beijo, quando abri os olhos, não vi nenhuma reacção do David, e juro que ouvi o meu coração a partir-se, sabia que o tinha perdido, ele nunca mais ia conseguir ter uma amizade comigo porque ia achar que eu o ia ver assim. Fui estúpida em o ter feito pouco tempo depois de as coisas com a rapariga que provavelmente ele amava terem acabado por mim. Levantei-me e fugi, não conseguia olhar para ele sem sentir dor, corri até onde as minhas pernas me levavam, corri para fugir do passado, para fugir do presente, corri até deixar de sentir nada mais que dor.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Rescue Me - Capitulo 49


Novo capitulo. Peço desculpa pela demora, mas estive doente. Espero que gostem.

Voltei a ter uma noite em que mal dormi, o motivo era o David, mas desta vez era porque doía, porque por minha culpa ele estava destroçado e eu não queria isso, custava-me vê-lo assim. Sabia que tinha de falar com ele hoje, se falasse ele talvez melhorasse, se tentasse recuperar a amizade que tínhamos e ele tinha de saber a verdade, que eu não fiz isto para morrer, apenas para apagar a dor, para esquecer.

Mal comi, estava nervosa por ter de falar com o David e o meu estômago ainda estava um bocado estranho, muito por culpa da lavagem ao estômago que devem ter feito, sabia que tinha de resolver as coisas com ele, mas não lhe podia dizer o verdadeiro motivo que me levou a faze-lo, não podia dizer que o amava. Mas o resto podia tentar explicar.

O dia estava cinzento, o céu demasiado escuro para Maio, sabia que ia chover, mas as primeiras gotas ainda não tinham caído. O tempo reflectia o meu estado de espírito, escuro, triste, quase em lágrimas, destroçada, por não ter o coração do David e por o ter feito sofrer e deixar a pessoa que ele provavelmente amava.

A minha mãe voltou a ver-me à hora de almoço e percebeu que algo estava errado.

“Catarina, o que se passa? E não digas que não é nada.”

“Tudo mudou. As coisas não vão ser as mesmas, nada vai ser o mesmo.”

“Estás a falar do David? O que mudou?”

“Tudo. Dói. Ele já não pode ser feliz por minha culpa. Ele pode ter-me magoado, traído, mas eu não era feliz e ele era e eu destrui tudo porque sou egoísta.”

“Não és egoísta e o David sabe disso. Ele está muito arrependido de não ter atendido o telemóvel, e em parte sente-se culpado por tentares acabar com a própria vida outra vez.”

“Eu não queria matar-me! Só queria parar com a dor, só queria adormecer para entorpecer a dor, queria adormecer e quando acordasse que a dor já não estivesse ali.” – gritei.

“Gostava que me pudesses ter dito o que sentias, podia ter ajudado.”

“Não podias fazer nada. A sério. E não queria que tu ou a mana sofressem por mim, não queria ninguém a sofrer por mim, então não disse nada.”

“Mas para a próxima, sabes que podes contar-me qualquer coisa. Só quero que fiques bem.”

Pouco depois ela teve de sair para ir trabalhar. Os meus amigos ligaram-me e estive algum tempo ao telemóvel com alguns deles, assegurando-lhes que ia ficar bem. Eles não podiam vir visitar-me por estarem em aulas.

O Ruben falou comigo ao telemóvel e disse que ia tentar vir na hora das visitas da tarde, mas que não prometia nada porque tinha assuntos a tratar. Tentei entreter-me vendo televisão e jogando no meu telemóvel, também chateei as enfermeiras, carregava no botão e vinha sempre uma e pedia agua e bolachas e sei lá mais o quê. Elas já estavam fartas de mim. Acalmei quando chegou a hora das visitas, estava a tentar ver quem poderia vir visitar-me, a minha mãe disse que não sabia se ia chegar a tempo, mas eu sabia que uma pessoa devia vir de certeza e isso estava a pôr-me nervosa. Tinha de falar com ele e resolver isto, não o queria perder desta forma. Olhei para a porta, à espera dele e esperei.

Pouco depois vi-o a entrar, ele apercebeu-se que eu estava acordada e dirigiu-se a mim calmamente, como se tivesse receio que eu o voltasse a expulsar do quarto.

“Como se sente?”

“Nem bem nem mal.”

“Tenho de lhe dizer algo. Preciso de contar algo, Catarina. Não me mande embora enquanto eu não falar.”

“Ok. Fala.”

“Desculpe. Por não ter atendido a sua chamada, por não estar disponível quando você estava precisando de mim. Me sinto culpado pelo que aconteceu, se eu atendesse talvez você não fizesse isto, eu quase a perdi e isso me fez ver muita coisa.”

“David…”

“Deixe eu acabar. Quando vi você deitada na cama, os comprimidos à sua volta, cheguei perto, peguei em você e chamei, não tava reagindo e nem se mexeu, comecei abanando o seu corpo mas nada, não tava respondendo, pensei que ia perder você. Não sabe a dor que fiquei sentindo ao ver aquilo, chorei, porque tava doendo demais, não podia a perder Catarina, se tornou demasiado importante pra mim.”

A voz dele estava muito aguda, as lágrimas enchiam-lhe os olhos, a mão dele tinha agarrado na minha mal ele começou a contar isto. Sentia a minha cara molhada, estava também a chorar, sentia a dor que lhe tinha provocado e sabia que não o podia perder, não podia afastar-me dele.

“Terminou tudo. Já não tou com ela. Dizem que é preciso acontecer um grande mal pra perceber o quanto alguém é importante, agora tou vendo tudo muito claro, e o quanto você é importante para mim, agi mal em ter dado mais atenção a ela do que a você, não tava vendo que você estava sofrendo por não ter alguém do seu lado, tava cego por ela. Me desculpe por ter quebrado a promessa, quando a vi, deitada na cama, me lembrei do que fiquei prometendo, prometi nunca deixar você, magoar você, fiquei traindo a sua confiança, como o seu pai, e fiz você chegar aqui. Me perdoa Catarina.” – ele apertou-me a mão com mais força.

“Desculpa David, eu não queria morrer, só queria apagar a dor, só queria dormir e não ter pesadelos, só queria dormir e quando acordasse que a dor já não estivesse ali. Mas não desaparecia e tomei cada vez mais comprimidos até que adormeci. Não queria que ninguém sofresse por isto, não queria que sofresses tanto, não era suposto as coisas chegarem a este ponto, fui estúpida em ter abusado nos comprimidos. Desculpa por ter acabado tudo por causa de mim. Eu perdoo-te David, não consigo ver-te assim e não quero perder-te, quero que faças sempre parte da minha vida.” – larguei a mão dele, abri os braços e abracei-o.

“Eu também quero isso, Catarina. Gosto muito de você, garota e só quero ver você bem e feliz.” – ele disse-me ainda abraçado a mim.

Sabia que as coisas entre nós tinham melhorado, mas sentia-me culpada por ter acabado as coisas entre ele e ela. Sabia que as coisas entre nós iam ficar estranhas, até passar isto tudo, mas agora tinha voltado a recuperar o meu amigo, e ele iria estar comigo quando precisasse dele.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Rescue Me - Capitulo 50 (preview 2)


Segunda preview do capitulo 50, um capitulo cheio de emoções e com algumas surpresas. Espero em breve posta-lo. Espero que gostem desta preview. Obrigada por todos os comentários até agora e se quiserem colocar alguma questao ou falar comigo podem fazê-lo no chat.


“Ele não tira os olhos de ti. Sempre lhe vais contar o que sentes?” – perguntou-me a Andreia.

“Não sei. E ele está a olhar porque está a gostar de me ver assim, e deve estar surpreendido de eu estar a dançar assim. Não estejas com ideias, ele não gosta de mim assim, ele ainda deve sentir algo pela rapariga com quem ele estava.”

“Tu não sabes isso. E devias contar, não perdes nada com isso e ias sentir-te melhor.”

“Eu depois vejo isso. Agora só quero aproveitar esta noite.”

“Então acho que vais aproveitar, porque o David vem aí.” – olhei e vi ele a aproximar-se de mim e da Andreia

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Rescue Me - Capitulo 48



Acordei, vi uma luz branca, brilhante. Será que morri? Mas não era essa a minha intenção. Só queria dormir, só queria parar com a dor. Vi paredes brancas, devia estar num hospital, senti a dor a voltar, desejei voltar a dormir outra vez.

Olhei para o lado e vi-o, a dormir, deitado na cama ao lado da minha, a mão dele agarrava a minha, e vi o que parecia lágrimas nos olhos dele. Estava uma lastima, nem parecia ele, imediatamente senti um aperto no meu peito, senti toda a dor, lembrei me do motivo que me fez fazer aquilo. Senti as lágrimas na minha cara, desejei que ainda estivesse a dormir, para não me lembrar, os olhos dele abriram-se, ele olhou para mim.

“Catarina?”

“Larga-me! Deixa-me em paz.” – soltei a minha mão da dele.

“Não fique chorando, já tá tudo bem.” – a mão dele aproximou-se da minha cara.

“Não me toques! Não te atrevas.”

“Que foi que eu fiz?”

“Diz antes o que não fizeste David. Deixa-me.”

“Catarina…desculpa. Eu devia ter atendido. Prometo que não volta a acontecer.”

“Desculpa? Tu não percebes que desculpas não resolvem isto? Não prometas algo que eu sei que não vais cumprir, e tu também o sabes. Não me mintas! Sai! Nem consigo olhar para ti sem que doa!” – cada vez mais a dor era maior, as lágrimas não paravam.

“Catarina…” – vi lágrimas nos olhos dele.

“Sai! Sai!” – gritei com ele.

Ele saiu, fiquei sozinha no quarto e chorei. Foi um erro ter me apaixonado por ele, eu sabia o que ia acontecer com isto, era uma espécie de maldição e tinha acontecido. Ele quebrou a promessa de nunca me magoar, que ia estar sempre do meu lado, tal como o meu pai, que tinha quebrado as promessas que me tinha feito. Os homens são todos iguais. Todos. E eu ia sempre sofrer desta maldição. Nunca poderia amar ninguém, cada pessoa que eu amo, magoa-me e acaba por me abandonar de uma maneira ou de outra. E foi o que o David fez.

Chorei até não ter mais lágrimas, chorei até que a dor e o cansaço me consumiram, não conseguia dormir, só pensava nele e como não conseguia odiá-lo pelo que tinha acontecido, naquele momento desejei que pudesse voltar atrás no tempo e evitar que me apaixonasse por ele ou de lhe ter dito o que sentia antes de ele estar com ela. Porque ele por mais que me prometa que não vai acontecer sei que vou perdê-lo, sei que ele vai deixar de fazer parte da minha vida, vou perder o meu anjo e sem ele não sei como vou aguentar viver.

Fechei os olhos e tentei relaxar, tentei parar a dor de cabeça que tinha surgido. Mal comi o que me deram, o meu estômago ainda estava às voltas, devem me ter feito uma lavagem ao estômago.

Já devia ter passado muito tempo, lá fora o céu escurecia, a noite aparecia.

“Menina, esta uma pessoa para a ver.” – disse-me a enfermeira.

“Como é essa pessoa?” – perguntei, mas já desconfiava que fosse o David, a minha família tinha vindo de manha enquanto eu ainda dormia.

“É um senhor, alto, cabelo aos caracóis.” – bingo! Eu bem sabia que era ele. Sou bruxa.

“Não o quero ver.”

“Não posso dizer-lhe que não. Posso dizer é que está a dormir. Se ele quiser vê-la na mesma tem de fingir que dorme.”

“Pois. Obrigada.”

Pouco depois ouvi passos, fechei os olhos, tentei respirar o mais calmamente possível. Senti alguém perto, agarrou-me na mão e sabia que era ele, conhecia aquele cheiro, aquele toque que queimava, que me dava um choque, senti o meu coração a acelerar, a respiração a descontrolar, fiz um esforço para não abrir os olhos e para controlar a respiração.

“Catarina, me deixou pensando no que me disse. Se pudesse voltaria atrás e não deixava você sozinha, eu só quero que me perdoe. Não vou esquecer o que vi, você não tava atendendo, nem respondendo quando toquei na campainha da sua casa, me deixou preocupado, entrei usando a chave que me deu e vi a luz do quarto acesa. Fiquei pensando que estivesse dormindo, mas tive de ver você, havia algo que me disse que tava algo errado. Quando a vi, percebi o que tava errado, tava deitada na cama, parecia estar dormindo normalmente, mas vi embalagens de comprimidos vazias e comprimidos espalhados à sua volta, peguei em você, chamei o seu nome, o seu corpo nem mexeu. Abanei e chamei de novo, nada, parecia morta nos meus braços, fiquei pensando que a ia perder e a culpa ia ser toda minha, chorei, a abracei e fiquei pedindo desculpa, pedindo que você não morresse, que não a podia perder Catarina, que não podia morrer nos meus braços.” – a voz dele tinha se tornado muito aguda, ouvia-o fungar, sabia que ele estava a chorar e controlei-me para não chorar também, para não demonstrar que estava acordada.

Virei a cara para o lado oposto de onde ele estava, porque não consegui evitar e senti uma lágrima a escorrer pela minha cara, mesmo sem o ver, sentia a dor na voz, nas palavras e isso provocava-me dor.

“Catarina…acabei com ela. Você é mais importante para mim do que ela e quase perdi você pra ver isso, pra ver que você é demasiado importante para mim, não iria conseguir continuar vivendo sem você na minha vida. Me desculpe, me perdoe por só tar vendo agora o quanto você significa pra mim.” – senti a mão dele apertar a minha uma vez mais, senti algo molhado e quente na minha mão, sabia que era um beijo.

Ele largou a minha mão e pouco depois ouvi passos. Abri os olhos e ele já tinha saído. Parte de mim sentia-se feliz por ele já não estar com ela, por eu ser importante para ele mais do que ela, mas a outra parte estava desfeita, de o ouvir chorar, de saber que fui eu que o pus assim e que ele também devia estar destroçado de ter acabado as coisas com ela por mim, ele devia ama-la e por culpa minha não podia ficar com ela.