segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Comunicado
domingo, 26 de setembro de 2010
Rescue Me - Capitulo 21 (preview)
“Acho que sim. Coitado do manz. Ele gosta de você e é assim?”
“É só porque ele é um melga e esta sempre a elogiar-me cada vez que me vê.”
“Não gosta disso? Muita garota gosta.”
“Eu não sou como as outras, tenho um limite de elogios. Ele é querido, mas um chato. ”
“Manz! Veio ver a Catarina? Vamos ver um filme, quer ficar?”
“Olá Catarina, como está hoje a rapariga mais linda de todas?” – ele aproximou-se de mim e deu-me um beijo na cara sem eu esperar.
“Bem. Senta-te e cala-te, o filme vai começar.”
Rescue Me - Capitulo 20
O David foi abrir e eu já tinha começado um novo jogo mas desta vez sozinha. Até me estava a safar bem sozinha, marquei um golo logo ao inicio, estava a morder na língua de estar a concentrar-me no jogo, estava a ser complicado, nunca tinha jogado com uma dificuldade assim e ainda não ter sofrido golo era milagre.
“Porra! Malvado! Defesas que não valem nada!” - estive a um bocadinho de atirar com uma almofada para algum lado.
“Quem é que não vale nada? Está falando mal de mim? Não gosto não.”
“Acho que ela estava a falar mal de mim também. Olá Catarina.”
“Olá. Não me desconcentrem…estou a ver se ganho isto. Nunca joguei com esta dificuldade. Não vales nada Ruben, nem sabes correr!” – gritei para a tv.
“Calma lá! Tu é que não sabes jogar. Nada de dizer mal de mim, não sou eu que estou a jogar.”
“Já não jogo mais, isto está muito difícil para mim, já estou a perder por 3 a 1 e ainda só vou a meio da primeira parte.”
“Acho bem, agora pode conhecer bem o Ruben.”
Ele aproximou-se de mim, eu estiquei a mão para o cumprimentar e ele agarrou nela e beijou-a.
“Prazer Catarina, ou melhor, menina dos olhos lindos.” – e mostrou um grande sorriso.
“Ele é sempre assim ou está a tentar agradar-me?”
“Não sei não. Mas acho que ele não está mentindo.”
“Prazer Ruben, e não tenho nenhuma coisa boa para dizer sobre ti.” – sorri e o David riu-se.
“Não estou a gostar, não teve piada. Vamos jogar.”
“Agora disfarça…não lhe agrada disfarça. É inteligente, David.”
“Acabou. Que feitio que tu tens…só por causa de um elogio. O teu namorado deve passar muito por te aturar.”
“Não tenho namorado e é porque quero E o meu feitio não e sempre assim hoje e que não estou para aturar com coisas melosas, pirosas e sei lá mais o quê.”
“Ok. E sem namorado custa-me a acreditar, mas se é a tua opção. Que idade tens? O David falou-me em ti mas não me disse muito.”
“20, faço 21 ainda este ano. E não querias jogar? Ou o teu jogo é fazer um interrogatório a mim?”
“Catarina joga com o manz primeiro.”
“Assim perco! Ele joga melhor que eu de certeza.”´
“Então joga você e eu contra ele.”
“Só há dois comandos, não três. Acho que não sabes contar ou não tiveste matemática.” – desta vez foi o Ruben a rir.
“Sei pois, eu e você jogamos os dois com o mesmo comando.”
“Como?”
“Senta aqui.” – ele abriu um pouco as pernas e dava para eu me sentar no meio delas e foi o que fiz.
“Agora como jogamos? Quem controla o quê?”
“Você controla os remates os passes e isso e eu corro com os jogadores. Se não estiver dando trocamos.”- agarrei no comando e ele também, foi um bocado complicado com 4 mãos no comando mas lá se arranjou uma solução.
Era como se o David fosse uma cadeira, estava presa entre ele e o comando, mas estava sentada a vontade.
“Posso escolher a equipa?”
“Lagartos não!” – respondeu-me logo o David.
“Tu és lagarta? Manz, escolhes mesmo bem os amigos!”
“E qual é o mal de ser lagarta? Devia ganhar alergia a lampiões, mas com a convivência com a minha família tornei-me imune. E vou escolher o Benfica, quero ver se a equipa é alguma coisa de jeito, em especial dois jogadores.”
O Ruben e o David riram-se e o jogo começou. O Ruben era mesmo impecável, não me senti posta de parte ou vista de outra forma por ele, não vi pena, vi apenas uma pessoa que conheci e que me quis conhecer.
sábado, 25 de setembro de 2010
Rescue Me - Capitulo 20 (preview)
“Porra! Malvado! Defesas que não valem nada!” - estive a um bocadinho de atirar com uma almofada para algum lado.
“Quem é que não vale nada? Está falando mal de mim? Não gosto não.”
“Acho que ela estava a falar mal de mim também. Olá Catarina.”
“Olá. Não me desconcentrem…estou a ver se ganho isto. Nunca joguei com esta dificuldade. Não vales nada Ruben, nem sabes correr!” – gritei para a tv.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
One Shot
Fui para casa do David à noite e ele abriu me a porta todo bem vestido. Ri-me porque normalmente não o via assim, e ele riu-se e gozou comigo de estar de saltos, assim estava mais da altura dele. Ele deu-me a mão, abriu a porta e estava tudo escuro tirando uma mesa à luz das velas e ajudou-me a sentar, eu não conseguia parar de sorrir e ele muito menos.
Falamos um pouco sobre nada de especial e tentei descobrir o que ele tinha mais planeado, mas ele não disse. Todo o tempo sentia os olhos dele em mim e isso punha me nervosa. Jantamos, não sei bem o que era mas era muito bom e a sobremesa também era boa. Eu ainda estava a acabar de comer e ele pediu licença para se levantar e eu pensei que ele ia à casa de banho, mas ele foi à aparelhagem e pôs musica a tocar. Dirigiu-se a mim, esticou a mão e perguntou-me se eu queria dançar. Dançamos e não conseguia parar de olhar para ele e sorrir, até aquele momento estava tudo a ser perfeito, enquanto dançávamos ele beijou-me, coisa que ainda não tínhamos feito naquele dia.
Depois de me beijar agarrou me na mão e levou me ao quarto, ainda faltava a sobremesa, ele disse-me. Comecei a ficar nervosa porque raramente entrava no quarto dele, entrei e estava cheio de velas. Eu para ver se acalmava me perguntei o que era a sobremesa, aquilo tudo estava a por me cada vez mais nervosa. Ele respondeu-me que eram morangos e eu fiquei feliz porque eu adoro morangos, ele foi buscar a taça com os morangos que estava em cima da mesa e tinha outra taça na mão com o que parecia ser chocolate derretido.
"Guloso! Já não bastava morangos também tinha de ser com chocolate."
"Não sou o único a ser guloso aqui. Eu ouvi falar em chocolate e morangos no outro dia."
Ele dava-me os morangos à boca.
"Não me os dês assim! Eu tenho mãos para os comer! Ainda te mordo os dedos!" "Morde, não me interessa. Eu dou como quero."
Eu pus um dedo no chocolate sem ele ver e passei o na cara dele.
"Hey! Isso não valeu!"
"Vale sim!"
"Agora vai limpar!"
"Não vou não!"
"Eu digo é para fazer!"
"Não me interessa David, até ficas mais gostoso assim!"
"Vou me vingar vou."
Ele atirou-se a mim e começou a fazer me cócegas.
"Não paro se não limpar."
"Então podes continuar." - não me conseguia soltar dele, ele estava a prender me com as pernas.
"Ok, ganhaste."
"Ganhei o que?"
"Eu limpo, vou só buscar um papel."
"Nada de papéis, limpa com o que há."
"Então limpo com o quê?"
"Sê criativa..."- tentei limpar com os dedos mas só espalhava mais o chocolate.
"Que nervos! Metes me raiva, David! Como vou limpar isto?"
"Eu não ajudo mais."
Então só me lembrei de tirar com a boca, ou melhor com a língua, comecei a tirar o chocolate e um bocado estava mesmo perto do lábio dele, mal o toquei com a língua ele até respirou fundo, ele abriu os lábios dele sem que eu desse conta e senti a minha língua a tocar na dele, passei me um bocado, mas acalmei ao ver que ele não estava a pressionar mais nada e deixei me levar no beijo, comecei a sentir a erecção dele e comecei a ficar mais nervosa, ele sentiu e parou de me beijar.
"Não temos de fazer nada, não quero pressionar."
"Eu sei, mas eu quero, apenas estou nervosa, nunca o fiz."
"Tem a certeza?"
"Tenho toda a certeza."
"Eu prometo tratar de você."
Ele voltou a beijar-me e desta vez não o parei, ele quebrou o beijo e começou a despir-se, tirou a gravata e começou a despir a camisa, não conseguia tirar os meus olhos dele, sentia o meu coração a disparar, o meu corpo a tremer, a respiração a faltar, parecia que ia morrer. O corpo dele tornou-se mais perfeito devido à luz das velas que lhe dava um brilho especial. Não resisti em passar uma mão pelos abdominais dele e ouvi a respiração dele a acelerar, os lábios dele voltaram aos meus e senti o corpo dele no meu, fazendo-me tremer de nervosismo e ansiedade. Senti as mãos dele no meu corpo, a percorre-lo, a sentir cada curva, pouco depois ele parou no fim do meu vestido e retirou-o. As mãos do David voltaram ao meu corpo e senti os dedos dele por debaixo da minha camisola, no meu estômago, respirei fundo e os olhos dele prenderam-se no meus, percebi que ele estava à espera de uma confirmação para continuar e abanei a cabeça que sim e retirou-me a camisola.
Imediatamente senti o nervosismo a aumentar e os lábios dele voltaram aos meus, suavemente e calmamente, fazendo me acalmar, cada vez que ele me tocava era como se tudo tivesse estudado, como se soubesse onde me tocar para me fazer relaxar. Quando olhei bem para ele vi o cinto e o botão das calças desapertados e notava-se bem a erecção dele. Ele retirou-me os leggings e as meias e ia beijando-me o pescoço, não evitei respirei fundo do simples prazer que aqueles beijos me davam e entrelacei os meus dedos nos caracóis dele.
O David parou e olhou para mim, percebi o quanto estava exposta a ele e comecei a tremer, ele voltou a olhar-me nos olhos e o olhar dele estava diferente, mais intenso, via algo que não conseguia perceber o que era, olhar que brilhava com a luz das velas, ele apercebeu-se que eu não queria parar, mas que estava muito nervosa. Ele retirou as calças ficando de boxers e não pude deixar de olhar para o corpo dele, iluminado apenas com as velas do quarto, tornando-o ainda mais belo. Respirei fundo e evitei fechar os olhos, não queria esquecer aquela imagem, queria guardá-la para sempre na minha mente, ele dirigiu-se à cama, onde eu estava, cobriu-me com o corpo e beijou-me, cada beijo que ele me dava era diferente do anterior, mas sempre beijos calmos, apaixonantes e intensos.
Comecei a ficar mais nervosa outra vez, especialmente porque sentia ainda melhor a erecção dele e a tinha visto pelos boxers, eu ia mesmo fazê-lo e não conseguia deixar de pensar que ia doer, que não ia ser bom para mim nem para ele, que ele me ia ver nua, mas não podia deixar me afectar por aquilo tudo, eu queria fazê-lo, sabia que era o momento certo, não ia parar. Olhei nos olhos dele e respirei fundo senti o meu corpo a arrepiar-se, do frio do quarto com o calor do corpo dele no meu, o David notou que eu sentia frio e tapou-nos com os lençóis da cama, fazendo-me relaxar de estar coberta e de me sentir mais quente. As mãos dele retiraram-me as alças do sutiã, e os lábios dele tocaram-me desde o ombro até ao pescoço, senti a respiração a faltar-me e não conseguia dizer nada por muito que tentasse, sabia bem e não queria que acabasse.
Desapertei o sutiã e tirei-o, comecei a sentir cada vez mais calor, mas um calor diferente do normal, calor que vinha de dentro de mim, que se espalhava e intensificava cada vez que ele me tocava, senti os lábios dele nos meus e as minhas mãos percorreram-lhe as costas, parando nos caracóis dele, agarrando-os, enquanto que as mãos dele me percorriam o corpo lentamente, a sentir cada curva, cada parte de mim. Gemi, a minha voz tinha voltado, os lábios do David voltaram ao meu pescoço e gemi novamente, o corpo dele moveu-se contra o meu, senti a erecção dele no meu corpo e ouvi-o gemer baixo, contra o meu pescoço, juntei mais os nossos corpos, tornando o pouco espaço, inexistente, ouvi-o gemer baixo novamente, como se ele tivesse medo da minha reacção e continuava a mover o corpo dele com o meu, olhando-me nos olhos, como se procurasse algo.
Ele parou e senti-o a mexer-se, deixando de me cobrir com o corpo, pouco depois voltei a sentir o corpo dele no meu e não senti o tecido dos boxers, olhei nos olhos dele e pareciam mais escuros, mas brilhantes, tremi ao saber que ele estava completamente nu debaixo dos lençóis e que não iria faltar muito para que me acontecesse o mesmo. O meu coração disparou e senti as mãos dele na última peça de roupa que ainda separava os nossos corpos, os olhos dele continuavam nos meus, e ele parecia bem mais calmo que eu, hesitei e coloquei uma mão no peito dele como a pedir permissão para esperar, ele apenas acenou e senti o coração dele a bater tão depressa como o meu. O David estava tão nervoso quanto eu, mas não me o queria mostrar para que eu relaxasse, tentei relaxar o máximo e acenei ligeiramente, senti o pedaço de tecido a ser retirado lentamente, até que o deixei de sentir.
"David..." - disse quase num sussurro, olhando nos olhos dele.
"Eu sei, Catarina..." - ele sabia o que eu sentia, que eu tinha medo, tudo.
Aquelas palavras fizeram-me sentir um pouco segura, não tinha de recear nada. Ele tocou levemente com os lábios dele nos meus e abriu uma gaveta de onde retirou algo, vi que era um preservativo e o nervosismo voltou a aumentar, mesmo assim estava curiosa em sentir, em toca-lo e a minha mão direita percorreu-lhe o corpo, tocando novamente nos abdominais e descendo.
"Catarina..." - percebi pelo olhar dele que ele não queria que eu fizesse nada por obrigação.
Eu desci mais a mão e toquei-o levemente, ele respirou fundo quando envolvi a minha mão nele e a movi um pouco, ele mordeu o lábio, não parecia ser de dor, mas de prazer, senti-o a pulsar na minha mão e vi nervosismo no olhar dele. Ele colocou a mão dele na minha e eu parei, retirei a minha mão e ele abriu o preservativo, e levou-o para debaixo dos lençóis onde o colocou, posicionando-se com o meu corpo, a mão esquerda dele foi à minha cara, acariciando-a, os olhos dele prenderam-se nos meus e era indescritível o que via neles...
Ele beijou-me levemente e eu coloquei a minha mão direita na cara dele, durante o beijo, beijo calmo e apaixonante, colocando todo o sentimento nele, ele quebrou o beijo e os olhos dele voltaram aos meus.
"Catarina..." - a voz dele tremia, da intensidade do beijo, de tudo.
"David..." - respondi da mesma forma.
"Eu te amo." - e a mão esquerda dele entrelaçou-se na minha direita.
"Eu também te amo." - respondi, apertando a mão dele.
Senti ele a penetrar-me lentamente e a dor veio, ele apertou-me a mão, primeiro era suportável, mas ele aplicou mais força e pressão, senti algo em mim romper e a dor tornou-se insuportável, gemi de dor, apertei a mão dele com força e cravei as minhas unhas nas costas dele com a outra mão. A minha respiração estava incontrolável, o meu coração parecia que ia sair de mim com a intensificar dos batimentos, sentia-o dentro de mim, e ouvi-o gemer, um gemido de prazer que ele suprimiu ao morder o lábio, ele não queria demonstrar me que sentia prazer enquanto eu estava com dores. Ele parou de se mover e beijou-me a cara, as lágrimas que escorriam devido à dor que sentia. Os olhos do David mostravam preocupação, dor, doía-lhe ver-me assim, mas ele sabia que não podia fazer muito mais por mim do que já estava a fazer, mesmo assim estava a tentar ficar o mais quieto possível para não me magoar mais e beijava-me os lábios, o pescoço e todos os pedaços de pele que me davam prazer, numa esperança de me acalmar e de fazer com que a dor diminuísse e que o prazer fosse superior a ela. O meu corpo não relaxava por muito que tentasse, só sentia dor, fechei os olhos, mordi o lábio com força para não gemer de dor, nem sabia como ainda não estava a sangrar de o morder, senti uma mão na minha cara a tocá-la levemente, abri os olhos e vi os olhos dele. O meu corpo relaxou um pouco, o David encostou a testa dele na minha, sentia os caracóis dele, a respiração dele com a minha, a mão esquerda dele continuava na minha direita enquanto que a minha esquerda passou pelos cabelos dele, não sei quanto tempo ficamos naquela posição, senti a dor a diminuir e apertei a mão dele ligeiramente, ele percebeu e senti-o mover devagar, a dor continuava e ele a mover-se não ajudava, mas não o ia parar, sabia que de alguma forma ia sentir prazer, só não sabia quando e mesmo que não o sentisse, não o queria desapontar.
Ele continuava com os olhos dele nos meus, e sabia que provavelmente ele via dor nos meus, mas ele sabia que eu não o ia parar, ele continuou com toda a calma possível, como se eu partisse à mínima força, ele beijava-me beijos longos e apaixonantes, que me faziam esquecer a dor temporariamente, mas ela continuava, não tão forte como anteriormente, mas ainda a sentia, ainda me doía, só queria que parasse, sentia uma fina camada de suor no meu corpo e no dele também, não conseguia aguentar por muito mais tempo...
"David..." - disse, com dor.
"Calma...vai passar." - e ele beijou-me.
Senti ele a penetrar-me de forma diferente, parecia que ele tinha mudado ligeiramente o ângulo ou algo assim, mas ainda não sentia o mínimo prazer. Ele insistiu, senti dor, mas veio algo mais que fez a dor diminuir drasticamente, não evitei, apertei-lhe a mão e gemi, ele parou e acenei lhe que sim, ele sorriu e beijou-me novamente, prendendo o meu lábio inferior, fazendo-me gemer ainda mais daquela nova sensação. Ele continuou, mas o ritmo continuava lento, apaixonante, como se ele não quisesse que parasse e eu agora também não o queria. Ainda sentia uma ligeira dor, mas era ultrapassada pelo prazer que sentia, as nossas mãos continuavam juntas enquanto que a minha outra mão estava dividida entre o cabelo e as costas dele, as minhas pernas entrelaçaram-se com as dele, queria mais, o meu corpo desejava mais, mais proximidade, mais prazer...
Cada vez mais sentia mais prazer, e ele também, ouvia-o gemer, gemidos que se misturavam com os meus, o olhar dele parecia fogo, o suor a escorrer pelos nossos corpos, os beijos cada vez mais apaixonantes e intensos, as respirações cada vez mais ofegantes, os nossos corpos num ritmo único, sentia e ouvia o bater dos nossos corações como se fossem um só, vezes sem conta dissemos que nos amávamos e os nossos nomes, não queria acabar com aquele momento nunca, mas comecei a sentir como se tudo fosse demasiado, como se estivesse a chegar ao limite do prazer. Os olhos dele revelavam-me o mesmo, um prazer imenso, atingi o orgasmo, ouvi o nome dele a sair dos meus lábios, apertei a mão dele com força e cravei as minhas unhas nas costas dele, o meu corpo contraiu e tremeu incontrolavelmente. Ainda sentia ondas de prazer pelo meu corpo e ainda o David se movia e ouvia-o gemer, ouvi o meu nome, não sei se ele o gritou ou se o sussurrou, o corpo dele contraiu-se como o meu, a mão dele apertou a minha e senti-o pulsar dentro de mim, fazendo-me gemer novamente.
Quando ele recuperou, vi que ele estava tão esgotado quanto eu, senti ele a retirar-se de dentro de mim e foi um pouco doloroso, mas senti-me vazia depois, como se ele pertencesse dentro de mim. Senti-o mexer debaixo dos lençóis e ele deve ter retirado o preservativo, mas estava tão cansada que só me apetecia fechar os olhos e descansar um pouco. Os braços do David envolveram-me e juntaram os nossos corpos na cama, aninhei-me a ele e comecei a fechar os olhos.
“Eu amo-te, David.” – e olhei nos olhos dele com os meus mal abertos do cansaço.
“Eu te amo, Catarina. Amanha falamos, descansa.” – ele beijou-me mais uma vez e adormeci nos braços dele.
Rescue Me - Capitulo 19
Fomos para a terapia e a viagem foi rápida, o David gosta de acelerar, e eu hoje não estava com cabeça para lhe dizer que ele estava a passar o limite, o problema era dele, eu nem tenho a carta de condução. Quando reparei bem já estava no estádio da Luz e íamos a caminho do consultório, quando chegamos a porta o David bateu e entramos.
“Catarina, como está?”
“Bem melhor, se não estivesse aqui.”
“Catarina Rodrigues! Isso não se diz.”
“David Marinho! Não ia mentir.”
“Continuando, hoje não vou exigir que me diga como se sente ou contar o seu dia, vou lhe pedir que faça uma coisa. E tem tomado os comprimidos?”
“Já não basta ter trabalhos da minha escola, agora tenho trabalhos do médico. Tenho, que remédio.” – eu tomava anti-depressivos diariamente e tinha uns mais fortes que quando tivesse uma crise grande tinha de tomar e depois ficava KO.
“Calma, este não é obrigatório entregar amanha, tem de o ir fazendo. Quero que escreva uma espécie de diário, todos os dias tem de escrever algo, pode ser como foi o seu dia, como se sente, o que fez, memórias do passado ou simples frases e até letras de musicas, tem é de escrever.”
“Depois o doutor vai ler? Um diário é suposto ser privado.”
“Vou pedir-lhe para ler-me partes, ou deixar-me ler, mas é só o que quiser. Isto vai ajudar a soltar-se mais, a libertar sentimentos reprimidos e a criar uma relação e ganhar confiança com alguém apesar de não ser uma pessoa.”
“Está bem, eu faço. Mas prometo já que o que escrever não vai ser relevante para o doutor.”
“Isso você não sabe Catarina. David queria sugerir outra coisa, que a Catarina conhecesse mais pessoas, para ela criar relações e ganhar confiança com outros, fora do ambiente dela para afastar mas memórias, pessoas que ela possa confiar também.”
“Ok. Há uma pessoa que não me desgruda porque quer a conhecer e ele acho que é bom para isso.”
“Quem é? Diz-me David!” – disse já chateada.
“Depois vê.”
Passei o resto da terapia a ignorar o doutor, ele bem que tentou que eu dissesse algo mas não estava para lhe dar essa satisfação.
“Você hoje acordou mal, sonhou com bicho?”
“Se te considerares um bicho, sim.”
“Nem vou responder, vem comigo, você vai conhecer o meu amigo hoje. E seja simpática.”
“Se tiver para me chatear não vou ser simpática. Não quero aturar melgas.”
“Aquele safado as vezes é melga sim, mas é como um irmão pra mim. E você vai gostar dele.”
Pouco depois cheguei o que devia ser a casa dele. Segui-o e pouco depois estava a entrar.
“Ele vem aqui ter, esteja a vontade.”
E eu pus-me a vontade, descalcei-me como se estivesse na minha casa e fui para a sala, liguei a televisão, vi uma playstation e decidi que ia jogar. Depressa liguei-a e pus no canal certo, o jogo era de futebol, previsível, não era a minha especialidade, era melhor noutro tipo de jogos, mas lá tinha de me habituar.
“Não estejas a olhar para as minhas sapatilhas, não cheiram mal. Disseste para estar à vontade e foi o que fiz. Agora vou jogar, não tens mais nada sem ser futebol para jogar?”
“Tenho, mas não vou por outro só porque você quer. Eu quero esse.”
“Ok. Mas não sou muito boa nisto, se fosse outro tipo de jogo era num instante. Se tiver tempo para praticar aprendo bem.”
“Então pode. Eu jogo com você.”
“Contra mim não! Ainda levo 15 a 0.”
“Com você, assim ajudo um pouco. Escolha quem quiser menos os lagartos.”
“Assim não é justo, se não posso escolher a minha equipa escolho a tua lampião. Assim joga o David Luiz com o David Luiz.”
“Deve achar que é engraçada, mas não é não. Cadê ele? Já devia estar chegando.”
“Cala-te e joga. Já não vem?”
“Não sei, ele disse que estava chegando. Sempre o mesmo.”
Jogamos os dois e cada vez que o jogador do David era ele próprio eu ria-me e gozava com ele, e ele fazia-me o mesmo quando jogava com ele. Acabamos por ganhar o jogo facilmente e ainda marquei alguns golos quando ouvimos a porta a tocar.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Rescue Me - Capitulo 18
Primeiro dia de aulas depois de tudo ter acontecido. Nunca me senti tão nervosa, acho que mal saia do carro em vez de ir para a sala vou para casa. Mas sabia que não ia ter essa hipótese. A minha mãe ficou lá comigo e o David também, ele veio no carro dele ter à minha casa e fomos todos juntos para a minha escola. Fui falar com o professor, era o meu professor das aulas práticas, o professor bom, como as minhas amigas diziam, isto porque ele é novo e tem olhos azuis, até é engraçado mas é só, não babo por ele, até me assusto quando ele se põe atrás de mim a ler o que escrevo.
Fomos para uma sala dos professores naquele bloco, os meus colegas já estavam dentro do laboratório, fiz sinal ao David para vir, ele também estava o máximo disfarçado possível, ele tinha metido o carapuço da camisola na cabeça e estava com os óculos de sol postos, mas também agora não estava ninguém no exterior do pavilhão, estava tudo em aulas.
“O que se passa? O que me tem para contar?”
“Senhor professor, era sobre o motivo de a Catarina ter faltado as aulas nestes últimos dias, ela faltou a uma prática e temos justificação para isso.” – a minha mãe disse.
Eu estava perto do David, ele tirou o carapuço e os óculos da cara e o meu professor ficou admirado mas não disse nada. O David colocou um braço à volta dos meus ombros, como se me dissesse que estava ali, que estava a proteger-me.
“Contem-me o que se passou.”
“A Catarina esteve internada no hospital, por causa de algo que aconteceu. Queres mostrar?”
Abanei a cabeça que não, não queria ver aquelas coisas horríveis, estava a controlar para não chorar. O David olhou para mim e acenou com a cabeça, como se não tivesse hipótese. Ele ajudou-me a tirar o casaco e arregaçou-me as mangas. O meu professor estava em choque, eu senti as lágrimas na minha cara.
“Calma. Estou aqui Catarina.”
“David…” – não consegui dizer mais nada.
Senti-o a abraçar-me e continuei a ouvir aquelas palavras. Doía-me ver o que fiz, ver que estava marcada para sempre.
Quando acalmei e parei de chorar fui para a sala com o professor, mas antes abracei o David com força e ele deu-me um beijo na cara, e saiu. Fui para a sala e a aula decorreu mais ou menos normalmente, alguns dos meus colegas perguntaram porque estive tanto tempo sem vir as aulas e disse lhes que tinha estado com uma pneumonia e que tinha estado internada no hospital e tudo, eles acreditaram e o meu professor estava mais descansado, ele foi muito bom para mim, e quando se notou uma das minhas cicatrizes e eu não reparei, ele fez-me sinal e tapei-a a tempo.
A aula até passou rápido, tentei integrar-me ao máximo com o meu grupo e fazer tudo o mais normal possível, não fiz nada da experiencia directamente por ainda não estar bem dos pulsos mas ia dando indicações dos passos a seguir e registava os valores. No final o professor estava satisfeito por ter corrido bem e eu também apesar de me ter sentido à parte de toda a gente, como se não pertencesse bem ali, o meu telemóvel vibrou no meu bolso e mal o tirei vi o nome dele a piscar.
“Sim. O que se passa?”
“Correu bem a aula? Já está saindo?”
“Correu. E se não acreditas passo o telemóvel ao professor, ele está ao meu lado.”
“Acredito. Os seus colegas já saíram? Estou chegando, tem terapia ou já não se lembrava?”
“Estão a sair, espera que já te digo algo. E não quero…”
“Catarina Rodrigues.” – ele disse em tom autoritário
“David Marinho.” – respondi no mesmo tom.
“Me chamou de David Marinho.”
“É o teu nome certo? E podes vir que já não está ninguém perto.” – ouvi-o rir.
“Só me pegou de surpresa, as pessoas me chamam de David Luiz.”
Vi o carro dele a chegar pouco depois, o meu professor só se estava a rir da conversa entre ele e eu. Despedi-me do meu professor e agradeci a ajuda, de dentro do carro, o David de novo com um carapuço na cabeça mas sem os óculos postos e fez sinal ao meu professor como se perguntasse se tinha corrido tudo bem, se não tivesse ia haver alguma coisa e boa não era, mas o meu professor acenou e o David percebeu que tinha corrido.
“Pronta para a terapia?”
“Não, mas não tenho hipótese pois não?”
“Não.”
“Se o doutor tiver para me chatear ainda o mando ir a um sitio que cá sei, não tenho paciência para ele, ainda nem sei como não me passei na aula, tive sorte de ninguém desconfiar de nada e de ninguém fazer muitas perguntas.”
O David não respondeu, ele sabia que eu não estava com o melhor dos feitios hoje.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Rescue Me - Capitulo 17
Não ia conseguir aceitar um beijo dele, por muito que ele fosse o meu ídolo e já tivesse sonhado uma vez que o beijava, não podia fazer algo que não sentia, tinha de evitar que ele me beijasse. Levantei o meu braço direito e aproximei a mão dele, fechei os dedos deixando o indicador esticado.
“Trimmmm!” – disse e carreguei no nariz dele como se fosse uma campainha, coisa que fazia aos miúdos que conhecia.
“Boba! Porque fez isso?” – ele disse a rir.
“Apeteceu-me.”
“Não está me deixando fazer o que queria. Agora fica quieta, se você volta a fazer uma bobagem dessas volto a atacar você.”
“Ok.”
Sabia que não tinha hipótese, antes um beijo que um ataque de cócegas. Ele voltou a aproximar-se de mim, fiquei nervosa, ele estava cada vez mais perto, olhei para os lábios dele uma vez, mas depressa voltei o meu olhar para os olhos dele, não queria que ele visse para onde eu olhava. Senti a respiração dele nos meus lábios e preparei-me mentalmente para o que ia acontecer, senti os lábios dele, não nos meus mas na minha bochecha e sorri de alívio.
“Viu? Sou original, não fiz como nos filmes ou na novela. Não sou desses.”
“Acredito, até agora tens te revelado diferente.”
“Diferente como?”
“Não sei explicar, um bom diferente, sabes?”
“Acho que sei.” – ele soltou-me e voltamos a ficar sentados ao lado um do outro.
Pouco depois tive de lhe dizer adeus, ele tinha de ir, ia haver treino no dia seguinte, mas tinha o numero dele e o email para podermos falar.
“David, lembras-te de te ter dito que não sabia a última vez que fui feliz.”
“Sim. Porquê?”
“Porque agora já sei.” – ele sorriu e eu também.
Ele abraçou-me, deu-me um beijo na cara e eu dei-lhe um também e ajudei-o a sair para não ser apanhado por ninguém no meu prédio.
Nisto passou-se uns dias. Voltei a ter terapia com o David ao meu lado e foi calmo, o psiquiatra não tocou no meu passado, apenas falamos de varias coisas e ele deu-me oportunidade para desabafar e falar do que eu quisesse, ele não me deve querer pressionar e deve estar a tentar ganhar a minha confiança, mas é mais difícil confiar nele do que no David, com ele foi natural, foi como se já o conhecesse, ele quebrou todas as barreiras facilmente, com ele acho que nunca houve barreiras nem escudos, com ele sinto que posso ser eu, tenho falado muito com ele ao telemóvel quando não estou com ele e falamos de tudo e de nada. Vou voltar as aulas amanha, hoje tiro as ligaduras e sinto me nervosa, as dores já são poucas e já tenho mais sensibilidade apesar de as vezes deixar cair certas coisas ao chão, mas não posso forçar nada.
Entrei no consultório do médico ia ser ele a tirar-me as ligaduras e os pontos, porque ele queria falar comigo e ver como estava.
“Está pronta para retirar tudo?”
“Acho que sim. Vai doer?”
“Pode sentir desconforto e talvez um pouco de dor mas nada demais.”
Não quis olhar para os pontos a serem retirados, não queria ver as cicatrizes. Olhei para o lado, para o David e para a minha mãe, a minha irmã não podia vir por estar ainda no Algarve.
“Estão perfeitas. Não há qualquer problema, agora só tem de ter um pouco de cuidado nos próximos 2-3 dias e depois pode estar à vontade para começar a fazer tudo o que fazia normalmente.” – olhei para os meus pulsos e senti as lágrimas nos olhos.
“Perfeitas? São tudo menos isso. Odeio! São horríveis, feias, imperfeitas, como eu. Gostava de as poder apagar ou esconder para sempre!” – gritei com o médico.
Tinha uma linha em cada pulso, de cor avermelhada, algo imperfeito, horrível, algo que não pertencia ali, algo bem visível mal deixasse de usar camisolas de manga comprida. Chorei sem parar, senti o David a abraçar-me, abracei-o como podia e continuei a chorar, como eu ia continuar a minha vida com isto? Como podia melhorar se cada vez que olhava para os meus pulsos sentia a voltar tudo outra vez? Como podia voltar as aulas como podia enfrentar toda a gente assim? O meu pai tinha razão, não sou ninguém, não sou nada, sou uma falhada e este é o meu castigo.
“Vai ficar tudo bem, Catarina.”
“Não sabes isso, não sabes nada.” – gritei revoltada.
“Posso não saber, mas o sinto. Você é mais forte do que acha, vai ficar bem. Seja o que esteja pensando vai passar, vai ser forte, sabe que a vou ajudar, e quem ama você também.”
Sabia que tinha pessoas que se importavam comigo, sabia que tinha pessoas que me iam ajudar, mas uma parte de mim desejava ter morrido naquele dia, podia ter nunca ter conhecido o David, mas ao menos não via estas marcas, ao menos o passado morria comigo, mas assim nunca iria apagar o passado, marcado para sempre em mim.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Rescue Me - Capitulo 16
Dei por mim a pensar em tudo o que se tinha passado nos últimos dias e ainda não percebia porque ele se importava, porque é que ele me ajudava, porque é que o chamei quando estava mal, porque me sentia tão dependente dele.
Mas a principal questão era como tinha chegado a este ponto, como me perdi ao ponto de querer acabar com tudo. Olhei para ele e lembrei-me das palavras do psiquiatra, talvez confie mesmo nele, mais do que eu alguma vez contei em alguém que mal conhecia, como ele me fazia sentir coisas que nunca tinha sentido, como parte de mim deixasse de se importar de eu me fazer de forte, de mostrar os meus verdadeiros sentimentos, de não os esconder de todos para fingir que está tudo bem quando não é bem assim.
“Está pensando em quê?”
“Em tudo…como tudo mudou.”
”Não esteja pensando demais, acho que está me cheirando a algo.”
“Engraçadinho.”
“Mas não pense nisso pense em quem era quando era feliz.”
“Não sei a última vez em que fui realmente feliz. Agora tenho medo.”
“Quando menos estiver esperando vai ser feliz. Medo de quê?”
“De ir para as aulas de novo e enfrentar os meus colegas, eles não sabem de nada mas tenho medo que descubram e me tratem diferentemente e não quero ser uma coitadinha. Da minha família e amigos, que eles também achem o mesmo, os meus amigos duvido que ajam assim quando o meu pai saiu de casa eles disseram se precisasse de falar ou apenas de sair para limpar a cabeça podia contar com eles para isso e para tudo.”
“Isso é que são amigos. Tem sorte em ter gente assim. E não tenha medo se tiver de acontecer algo, sabe que estou ao seu lado, não vou abandonar você. Sou seu amigo né? E os amigos se apoiam e ajudam.”
“Obrigada David, mas não quero distrair-te, não quero prejudicar-te no teu trabalho, não quero prejudicar a tua equipa apesar de me dar jeito.”
“Lagarta. E estou dizendo que está tudo legal, não quero saber, você é minha amiga só a quero ver bem Catarina.”
“Ok, não vale a pena insistir contigo és um lampião teimoso.” – ele fez uma cara como se estivesse chocado comigo.
“Prefiro que me chame de carneirinho do que isso.” – o David ficou muito serio.
“Ahahahah! Espero sentado, eu chamo o que quiser.” – sorri a gozar.
“Não vai ficar me chamando isso não.”
“Vou pois, lampião, não podes fazer nada.” – e deitei-lhe a língua de fora.
“Lagarta boba me vou vingar.”
Num instante fui atacada pelo David e não tinha hipótese de defesa, ele começou a fazer-me cócegas na barriga, o meu ponto fraco, e não conseguia parar de rir, ele prendeu-me as pernas sentando-se em cima delas, tentei dar pontapés e mexer o corpo para me soltar, mas não conseguia, mantive os pulsos o máximo possível quietos para não fazer movimentos bruscos para não ter dores. Sabia que ele não me ia soltar e eu não ia aguentar muito mais.
“Pára lampião.”
“Assim não paro lagarta.”
“Carneirinhooo pára, por favor.”
Ele parou e eu ainda estava a recuperar o fôlego de tudo e a acalmar-me, já não me ria assim há algum tempo. Mesmo assim ele não me soltava, olhei para o David e ele estava a sorrir.
“Que sorriso parvo é esse?”
“Gosto de a ouvir rir e de ver o seu sorriso. Os seus olhos brilham tanto, ficam lindos.” – ele tinha se aproximado de mim e estava a olhar-me nos olhos.
Estava literalmente deitada no sofá com o David sentado em cima das minhas pernas a olhar me nos olhos, quem entrasse em casa ia achar que era outra coisa.
“Não me digas que vais fazer como nos filmes e nas novelas e depois de um momento assim, beijas-me. É demasiado previsível.”
“Talvez. Mas tem de me dizer se tem namorado, vi anéis nos seus dois dedos, não sei o que pensar.”
“Não tenho. Os anéis foi a minha mãe que me deu um e o outro foi uma prenda da minha prima, era para substituir este mas comecei a usar na mão direita. E se vais fazer como nos filmes vou achar que és muito piroso.”
“Os portugueses não devem estar vendo o mesmo que eu. Com os olhos desses ia jurar que você tinha alguém Catarina.”
“E volta outra vez a piroseira com uma bela frase habitual. Vais fazer algo ou vais soltar-me?” – estava a ficar nervosa de ele não me ter soltado e pensava mesmo que ele me podia beijar, o problema é que não sabia o que sentia por ele, mas não estava apaixonada por ele para isso.
Ele aproximou-se ainda mais, estava a tentar ver o que podia sentir, a minha reacção, e eu só pensava que ia ser beijada por um lampião, o pior lampião que uma lagarta podia conhecer, um jogador do Benfica, respirei fundo e esperei pelo que ele ia fazer nunca tirando os meus olhos dos dele, como num jogo em quem desviasse primeiro o olhar perdia.
Rescue Me - Capitulo 16 (preview)
Ele parou e eu ainda estava a recuperar o fôlego de tudo e a acalmar-me, já não me ria assim há algum tempo. Mesmo assim ele não me soltava, olhei para o David e ele estava a sorrir.
“Que sorriso parvo é esse?”
“Gosto de a ouvir rir e de ver o seu sorriso. Os seus olhos brilham tanto, ficam lindos.” – ele tinha se aproximado de mim e estava a olhar-me nos olhos.
Estava literalmente deitada no sofá com o David sentado em cima das minhas pernas a olhar me nos olhos, quem entrasse em casa ia achar que era outra coisa.
“Não me digas que vais fazer como nos filmes e nas novelas e depois de um momento assim, beijas-me. É demasiado previsível.”
“Talvez. Mas tem de me dizer se tem namorado, vi anéis nos seus dois dedos, não sei o que pensar.”
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Rescue Me - Capitulo 15
Acordei atordoada, mas sentia-me mais calma, não sabia bem onde estava quando acordei, depois vi que estava na minha cama, sei que não tinha adormecido aqui e pensei como tinha vindo aqui parar.
“Oi.”
Olhei para a porta do quarto e vi o David. Sabia agora como vim parar ao quarto, estava surpreendida de ele ter ficado na minha casa.
“Olá. Não estava à espera de te ver aqui.” – acendi a luz do candeeiro.
“Não a podia deixar. Não como você estava.” – levantei-me da cama.
“Não tens treino ou algo assim hoje?”
“Não. Folga.”
“A minha mãe…”
“Falei com ela, está tudo legal.”
“Ainda bem.”
“Quer falar de ontem?”
“Não.” – e passei por ele em direcção à sala e ouvi os passos dele atrás de mim.
“Porquê?”
“É difícil. Custa contar.”
“Não tem de contar, só quando se sentir preparada.”
“Obrigada.”
“Tem algo para fazer hoje?
“Não, também não me apetece.”
“Podiamos passar o dia falando. O que acha?”
“Falar do quê?”
“Do que quiser Catarina, podia me ir contando sobre você, não sei muito.”
“Pode ser. Vou só vestir algo.”
A custo vesti os meus skinny jeans e uma camisola de manga comprida castanha, para tapar os pulsos ligados e porque estava frio. Voltei para a sala pouco depois e o David estava a passar os canais da televisão a ver se encontrava algum canal que desse algo decente.
“Queres saber o quê?” – perguntei sentando-me no sofá ao lado dele.
“O que gosta de fazer ou gostava. Se gosta de mais coisas sem ser futebol.”
“Desportos? Gosto de muitos, amo futebol, ténis, futsal, snooker, patinagem artística, no geral vejo um pouco de todos os desportos. Gosto de ler, ouvir musica, ver televisão, em especial series, filmes, documentários e desporto, dançar, e sair com os meus amigos, amava praticar desporto e montar a cavalo, mas deixei quando fui para a universidade.”
“Tem saudades do que deixou por causa da escola?”
“As vezes, mas sei que foi a melhor decisão.”
“Defeitos? Qualidades já me disse, no hospital”
“Mas não acredites muito nos defeitos que digo, outras pessoas podem saber mais do que eu. Teimosa, impulsiva, inconstante, perco a calma facilmente, falo demais, e não me lembro de mais nenhum agora.”
“Medos e vícios?”
“Tinha o vício de roer as unhas, mas perdi-o quando usei unhas falsas para deixar de roer, mas brinco com os dedos e parto as unhas na mesma, ainda tenho o vício de por os dedos à boca para roer, mas não o faço. E tinha o vício de afastar a franja dos olhos quando a usava de lado, mas agora que uso direita já não o faço. Tenho medos muito parvos, ainda vais rir e gozar, não sei se devo dizer.”
“Fala, não digo nada não.”
“Medo de agulhas, injecções e vacinas sabes? Mas até controlo bem se não vir a agulha da seringa, e tento concentrar-me noutra coisa. E tenho muito medo de foguetes, fogo de artificio, mal ouço o barulho quando lançam um ponho logo as mãos nos ouvidos, ou se souber que há foguetes ponho os meus phones e musica no máximo, há uns tempos atrás fugia para debaixo de algo seguro quando ouvia um, agora já não.”
“Deve sofrer em festas com isso, né? Se você estiver comigo não vai a essas festas não.”
“Sofro, lembro-me de ter 6 anos e de estar de férias no Algarve com os meus primos e houve foguetes na praia, como a casa era perto da praia lembro-me de estar a ouvir musica num Walkman muito alto, de estar com o capacete das motas do meu primo na cabeça e com a viseira fechada e com as mãos por cima, no sítio dos ouvidos e os meus primos gozavam, batiam no capacete e perguntavam se estava alguém.”
“A sua família é mesmo boba. E você com as mãos por cima do capacete? Bom demais.” – e ele ria-se.
“Pois, ninguém bate bem da cabeça. É mal de família.” – não evitei em sorrir.
“Um mal muito bom mesmo. É bom ter uma família assim.”
Talvez fosse bom ter uma família assim, mas neste momento a minha família nem eu éramos assim.