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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 35


O David tirou a toalha de mim, e tentou tirar-me a camisola molhada, senti o ar a bater na minha barriga e arrepiei-me ainda mais. Não queria que o David me visse parcialmente despida, fazia-me confusão, agarrei nas mãos dele parando-o.

“Tem de tirar, assim continua tremendo.”

“Eu tiro, mas não contigo aqui.”

Ele saiu, encostei a porta e despi-me lentamente, vestindo a roupa que ele tinha trazido, a roupa que eu tinha levado para a casa de banho, vesti-me lentamente, e depois abri a porta. Voltei a agarrar-me a ele, só ele me fazia sentir segura. Acabamos deitados na cama, o David acendeu a televisão mas não cheguei a ver nada, apenas olhava para ele, admirava-o e pensava como uma pessoa como ele era amiga de uma pessoa como eu, ele fazia-me sentir quente, fazia-me relaxar com um simples toque, um simples olhar, ele é o meu anjo. Adormeci nos braços dele.

Ele acordou-me para ir jantar, a minha mãe já sabia da situação, mas não comentou. O David acabou por ficar, ele devia ter ido para casa para estar com os pais dele, mas ele estava preocupado comigo. Ele acabou por ficar comigo e voltei a adormecer com ele, nos braços dele, não tive um pesadelo porque a minha mãe me deu um comprimido para dormir, porque eu não adormecia.

“Catarina…”

“Mãe…deixa-me dormir.”

“Não sou sua mãe e você tem de ir para a escola.”

“Não quero.” – disse olhando para o David ainda meio ensonada.

“Você tem de ir. E vai, eu levo você.” – tapei-me com os lençóis e ignorei-o.

Não queria ir, não queria ver as pessoas, não queria saber a reacção delas. O David tirou-me os lençóis da cabeça e não saiu de perto de mim até que me levantei. A custo fui para o quarto vestir algo e voltei pouco depois já com a mala e com as coisas, penteei-me, lavei os dentes e saímos, entrei no carro e ele arrancou. Não havia muito para dizer, apenas olhava para o exterior e ouvia a musica que tocava no rádio, a única coisa que se ouvia naquele carro, cada vez que estava mais próxima da escola o aperto que sentia aumentava, o medo consumia-me, mas não podia voltar atrás.

“Depois já sabe tem terapia. Eu venho aqui ter com você. Calma, eu volto rápido, não ligue se falarem de algo, tente ficar calma por mim, ok? Me promete?” – ele perguntou olhando-me nos olhos.

“Sim…” – respondi com a voz a tremer, não sabia se ia cumprir.

“Vou indo. Fique bem. Volto logo. Te adoro Catarina.” – ele abraçou-me e deu-me um beijo na cara.

Saí do carro, disse-lhe adeus, ele foi para o treino e eu fui para o laboratório, era a aula com o professor bom, vi os meus colegas e nem quis aproximar-me deles, mas tinha de ser, só pedia que eles não tivessem visto a revista. Agarrei no caderno com mais força e aproximei-me deles.

“Bom dia.” – tentei dizer o mais calmamente possível, mas por dentro tremia.

“Bom dia.” – responderam algumas colegas minhas.

Até agora parecia tudo normal. Vi o professor e ele disse bom dia, olhou para mim como se estivesse a perguntar se estava bem. Eu apenas baixei a cabeça. Entrei depois de ele ter entrado e ele chamou-me.

“Já vi que não está bem. Se precisar de algo diga ok? Passou-se algo para estar assim?”

“Ok. Obrigada. Não quero falar disso, mas acho que vai descobrir mais cedo ou mais tarde.”

Nisto entraram o resto dos meus colegas, e a conversa acabou ali. A aula começou e estava a decorrer normalmente, a experiencia estava a decorrer, senti o telemóvel a vibrar e vi que era uma sms do David. Era ele a dizer que ia começar o treino e estava a perguntar-me se estava tudo calmo. Respondi rapidamente, o professor não ligava muito se eu o fazia porque ele sabia dos meus problemas, mas escondi dos meus colegas.

“Catarina, podes dar o teu número aqui ao meu amigo? Ele diz que gosta de ti.” – disse um dos rapazes no gozo comigo, enquanto saiamos para um intervalo.

“E se eu não quiser dar?”

“Pois é, não podes dar, o teu namorado fica chateado não é? É melhor não te fazeres a ela Valério, o namorado dela é muito maior que tu e se te apanha ficas negro.”

“Cala-te Paulo. Eu simplesmente não quero dar o numero, não tem a haver com namorado nenhum, não tenho namorado.”

“Não tens? Ou estás a escondê-lo? Não vale a pena esconderes, eu já vi quem é, e duvido que o David Luiz seja o teu namorado, cá para mim foste tu que disseste isso às revistas e arranjaste maneira de te tirarem fotos com ele.”

“Cala-te! Tu não sabes nada! Ele não é o meu namorado, sou só amiga dele, já o conheço há meses eu não disse nada a ninguém, nem sabia nada disto das fotos.”

“Tu nem sequer mereces estar com ele, e nem deves ser amiga dele, conheceste-o e tiraram as fotos. Só queres ser é alguém, mas não és ninguém.” – comecei a tremer, tentei acalmar-me por ele mas não estava a conseguir, senti as lágrimas nos meus olhos.

Vi alguns dos meus colegas em choque, outros não pareciam tão chocados por saber da história, mas estavam sem reacção daquela conversa, eu cada vez mais me sentia pior, sabia que estava a falhar à promessa que lhe fiz.