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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Rescue Me - Capitulo 1


Hoje é mais um dia, um dia como tantos outros, um dia onde acontece o mesmo e nada muda. Chamo-me Catarina, tenho 20 anos, não sou nem muito alta nem baixa, tenho por volta de 1.70 m, sou magra, com cabelo castanho-escuro comprido e uma franja e com olhos verdes acastanhados. Vivo com a minha mãe e irmã gémea, que não é nada parecida comigo. O meu pai, foi-se embora de casa, e não quero falar disso, e muito complicado e magoa, dói.

“Catarina, sabes onde vamos amanha?” – disse a minha irmã.

“Não, não sou bruxa.”

“Vamos ao Estádio da Luz ver um jogo do Benfica!”

“Se fossemos ao de Alvalade é que era.”

“Catarina! Eu sei que lá no fundo tu queres ir à Luz, tudo por uma pessoa em especial.”

“Não quero não. Cala-te Filipa.”

“Ela quer ir sim, tudo por causa do David Luiz.” – a minha mãe interrompeu a conversa.

“NÃO! É mentira!” – gritei.

Estava a nega-lo mas era a verdade. Eu uma Sportinguista desde que me lembro, obcecada por um jogador do Benfica. Mas não foi por ele ser bonito que me fez olhar para ele, foi a maneira de jogar, de se entregar ao jogo, o amor que ele tem ao clube e à camisola. Só reparei nele muito depois. Sofro da maldição de gostar sempre de um jogador do Benfica apesar de ser do Sporting, antes do David Luiz era o Rui Costa. Sempre fui viciada por desporto em especial por futebol, até percebo e sei mais que muitos rapazes, deixo-os surpreendidos com o que percebo e conheço de futebol.

“Eu vou ver o jogo, mas vou vestida de verde.”

“Sempre do contra.”

“Preocupa-te contigo Filipa.”

A noite voltei a ter um dos meus pesadelos e acordei a meio da noite com vontade de me magoar, mas não o fiz, tudo por elas, a minha mãe e irmã que iam sofrer, mas não sei mais quanto tempo aguento assim, só choro e a dor continua e é cada vez maior e a culpa é toda dele. Apesar de ele já ter ido embora há muito não apagou tudo o que ele fez e o que aconteceu.

Depressa chegou o dia seguinte e as horas para ir para o estádio iam diminuindo. Eu cumpri e vesti-me com uma camisola verde de manga comprida com uma branca por debaixo também de manga comprida. É Março, ainda está fresco. Partimos para o estádio cedo, para arranjar lugar e estarmos à vontade. O Sporting tinha ganho ontem e desejei que o Benfica perdesse hoje. Iam jogar com o Paços de Ferreira e estava mesmo a ver que iam ganhar, mas até podiam perder se o desejasse muito.

Vi o estádio e vi algumas pessoas a irem para lá, de certeza que o ambiente era de festa, mas não me interessava minimamente, tinha os phones nos ouvidos para abafar qualquer cântico relacionado com o Benfica. Não odeio o Benfica, simpatizo devido à minha família ser e devido a gostar do David Luiz, mas sou de um clube rival não posso mostrar minimamente que gosto, para evitar ser gozada.

Andei um pouco as voltas no estádio que já conhecia e pouco depois entramos. Os nossos lugares eram no piso zero em direcção da bandeirola de canto e estava na fila 10 ou algo assim, estava mais próxima da relva do que da zona dos bares e das casas de banho. Esperei e pouco depois os jogadores entraram para o aquecimento, os meus olhos ficaram presos completamente num jogador, ele. Só por ele tinha valido ir ao jogo, para o ver jogar e poder admirar ao vivo as capacidades dele. A minha irmã tinha um cartaz que eu é que fiz a pedir a camisola dele, mas não me atrevia a andar com ele, não queria aparecer na televisão e ser reconhecida por Sportinguistas e Benfiquistas depois ia ser gozada.

Os jogadores recolheram aos balneários, depois de ter tirado umas fotografias e esperei, senti um arrepio e fiquei preocupada, sabia que aquele arrepio não era dos que trazia um bom pressentimento, e desejei que fosse o que fosse não fosse nada de mais.