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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 19


Fomos para a terapia e a viagem foi rápida, o David gosta de acelerar, e eu hoje não estava com cabeça para lhe dizer que ele estava a passar o limite, o problema era dele, eu nem tenho a carta de condução. Quando reparei bem já estava no estádio da Luz e íamos a caminho do consultório, quando chegamos a porta o David bateu e entramos.

“Catarina, como está?”

“Bem melhor, se não estivesse aqui.”

“Catarina Rodrigues! Isso não se diz.”

“David Marinho! Não ia mentir.”

“Continuando, hoje não vou exigir que me diga como se sente ou contar o seu dia, vou lhe pedir que faça uma coisa. E tem tomado os comprimidos?”

“Já não basta ter trabalhos da minha escola, agora tenho trabalhos do médico. Tenho, que remédio.” – eu tomava anti-depressivos diariamente e tinha uns mais fortes que quando tivesse uma crise grande tinha de tomar e depois ficava KO.

“Calma, este não é obrigatório entregar amanha, tem de o ir fazendo. Quero que escreva uma espécie de diário, todos os dias tem de escrever algo, pode ser como foi o seu dia, como se sente, o que fez, memórias do passado ou simples frases e até letras de musicas, tem é de escrever.”

“Depois o doutor vai ler? Um diário é suposto ser privado.”

“Vou pedir-lhe para ler-me partes, ou deixar-me ler, mas é só o que quiser. Isto vai ajudar a soltar-se mais, a libertar sentimentos reprimidos e a criar uma relação e ganhar confiança com alguém apesar de não ser uma pessoa.”

“Está bem, eu faço. Mas prometo já que o que escrever não vai ser relevante para o doutor.”

“Isso você não sabe Catarina. David queria sugerir outra coisa, que a Catarina conhecesse mais pessoas, para ela criar relações e ganhar confiança com outros, fora do ambiente dela para afastar mas memórias, pessoas que ela possa confiar também.”

“Ok. Há uma pessoa que não me desgruda porque quer a conhecer e ele acho que é bom para isso.”

“Quem é? Diz-me David!” – disse já chateada.

“Depois vê.”

Passei o resto da terapia a ignorar o doutor, ele bem que tentou que eu dissesse algo mas não estava para lhe dar essa satisfação.

“Você hoje acordou mal, sonhou com bicho?”

“Se te considerares um bicho, sim.”

“Nem vou responder, vem comigo, você vai conhecer o meu amigo hoje. E seja simpática.”

“Se tiver para me chatear não vou ser simpática. Não quero aturar melgas.”

“Aquele safado as vezes é melga sim, mas é como um irmão pra mim. E você vai gostar dele.”

Pouco depois cheguei o que devia ser a casa dele. Segui-o e pouco depois estava a entrar.

“Ele vem aqui ter, esteja a vontade.”

E eu pus-me a vontade, descalcei-me como se estivesse na minha casa e fui para a sala, liguei a televisão, vi uma playstation e decidi que ia jogar. Depressa liguei-a e pus no canal certo, o jogo era de futebol, previsível, não era a minha especialidade, era melhor noutro tipo de jogos, mas lá tinha de me habituar.

“Não estejas a olhar para as minhas sapatilhas, não cheiram mal. Disseste para estar à vontade e foi o que fiz. Agora vou jogar, não tens mais nada sem ser futebol para jogar?”

“Tenho, mas não vou por outro só porque você quer. Eu quero esse.”

“Ok. Mas não sou muito boa nisto, se fosse outro tipo de jogo era num instante. Se tiver tempo para praticar aprendo bem.”

“Então pode. Eu jogo com você.”

“Contra mim não! Ainda levo 15 a 0.”

“Com você, assim ajudo um pouco. Escolha quem quiser menos os lagartos.”

“Assim não é justo, se não posso escolher a minha equipa escolho a tua lampião. Assim joga o David Luiz com o David Luiz.”

“Deve achar que é engraçada, mas não é não. Cadê ele? Já devia estar chegando.”

“Cala-te e joga. Já não vem?”

“Não sei, ele disse que estava chegando. Sempre o mesmo.”

Jogamos os dois e cada vez que o jogador do David era ele próprio eu ria-me e gozava com ele, e ele fazia-me o mesmo quando jogava com ele. Acabamos por ganhar o jogo facilmente e ainda marquei alguns golos quando ouvimos a porta a tocar.