Não o queria largar. Só queria ficar a noite toda nos braços dele, sentia segurança, os meus medos e receios a desaparecer, sentia algo que me fazia tremer, que me aquecia, sentia-me feliz, sentia-me bonita e amada. Senti que a “velha” Catarina tinha voltado, que tinha recuperado parte da pessoa que fui, tudo por causa do David. Os meus pensamentos foram interrompidos com um beijo nos lábios, suave, doce, sentindo toda a paixão e o amor que ele sentia por mim.
“Amo você.” – o David disse, depois de quebrar o beijo, senti cada palavra nos meus lábios.
“Eu também. Muito.” – disse a sorrir.
“Eu amo mais.” – ele sorria.
“Não, eu amo mais.”
“É melhor a gente parar ou vamos ficar continuando nisto.”
“Também acho.”
“Devíamos voltar. Devem tar preocupados com você Catarina.”
“Só mais um bocadinho. Estou tão bem contigo David. Se pudesse ficava assim toda a noite, nos teus braços.” – disse, abraçando-o com mais força, juntando mais os nossos corpos.
“Eu sei. Só mais um bocadinho, depois vamos.”
“Obrigada. Sabes que te amo?”
“Sim. Também amo você boba. Quer dançar? Eu não sei dançar bem não, mas sei que você gosta.”
“Não há música, tonto. Só se for do meu telemóvel.”
“Eu danço de qualquer jeito, só preciso de um par pra me ficar ensinando.”
“Eu ensino-te algo simples. Dançamos algo mais calmo para ser mais fácil.”
Agarrei no telemóvel e escolhi a música. Pus a tocar, dirigi-me a ele e coloquei os meus braços à volta dele, juntei o meu corpo ao dele e ele repetiu o gesto, colocando as mãos na minha cintura. Olhei nos olhos dele e sorri, ele também estava a sorrir, vi nos olhos dele.
“Segue o que eu faço. Apenas deixa-te ir.”
Comecei a mexer-me lentamente, a dar pequenos passos, para a direita e para a esquerda, com o ritmo calmo da música, sem tirar os olhos do David. Ele desviou o olhar para o chão, pus a minha mão no queixo dele e forcei-o a fixar o olhar em mim, ele voltou a sorrir e desta vez já não voltou a olhar para chão, apenas fixou o olhar em mim e dançamos até a musica acabar, sempre a sorrir e sem tirar os olhos um do outro, não era preciso dizer nada, os nossos olhares revelavam tudo o que sentiam, naquele momento, não havia mais ninguém, era apenas eu e ele, não havia preocupações, medo, pressão, outras pessoas. Sentia-me segura, sentia-me como naqueles filmes em que quando a rapariga encontra o seu “príncipe” e dançam, parece não haver mais ninguém na sala a dançar a não ser eles.
Ele interrompeu a dança beijando-me, não evitei e sorri no beijo. Quebrei aquele curto, mas viciante beijo e olhei nos olhos dele.
“David?”
“Sim?” – ele perguntou, afastando uma mecha de cabelo da minha cara
“E agora? Como fazemos? Não quero contar isto, não agora, quero manter segredo do que temos, se isto se sabe agora não sei se vou aguentar.”
“Eu sei. Eu não quero ninguém magoando você e sabe que não gosto de andar falando da minha vida pessoal. Quero você bem, e é melhor continuar escondendo isto até ser o melhor momento.”
“Ainda bem. E as nossas famílias? Não seria melhor contar? É que não vou conseguir esconder da minha.”
“Sim. É melhor. Eu sei que elas não vão ficar contando nada não. Catarina, é melhor a gente voltar pra festa.”
“Não…podemos ficar aqui toda a noite. Mas é melhor irmos, mas antes quero mais uns beijos.”
“Você é mesmo boba. Amo você.”
“Eu também te amo tonto.”
Ele puxou-me para mais perto dele, colocou uma mão na minha cara, respirou fundo e beijou-me, os beijos não eram intensos, eram calmos, doces, apaixonantes, daqueles beijos que podia dar para sempre, que cada beijo me fazia sentir cada vez mais apaixonada, não queria que ele parasse, sentia-o a sorrir em cada beijo, mas sabia que tínhamos de voltar para a festa em breve.
“Awww!” – imediatamente quebramos o beijo e olhamos para onde vinha aquele aww.
“Andreia! Ruben! Por onde vocês andaram? Liguei-vos há tanto tempo.”
“O Ruben não apanhou bem as direcções. Andamos meio perdidos. Mas ainda bem, vocês ficam tão lindos juntos.”
“O manz nunca foi bom nessas coisas.”
“Não é verdade David. Mas se soubesse ainda tinha andado perdido mais tempo.” – e ele fez um sorriso malandro.
“Engraçadinho. Vocês não podem contar isto a ninguém. Eu e o David decidimos manter isto privado. Só vamos contar à minha família, espero que percebam.”
“Ok.” – responderam os dois.
“Mas antes de irmos quero ver um beijo. Já que na festa não vou ver quero ver um agora.”
“Andreia! Só um. Depois vamos e nada de abrir a boca.”
O David olhou para mim e eu para ele e ele deu-me um beijo curto, apenas um simples tocar de lábios.
“Isso não é um beijo.” – disse a Andreia.
“Fraquinho David. Beijas assim? És um fraquinho.” – o Ruben estava a gozar.
Ele olhou para mim, colocou um braço à minha volta, puxou-me para ele e beijou-me, um beijo como o primeiro que tínhamos dado, calmo, suave, sem pressa nenhuma, a mão esquerda agarrou na minha direita, entrelaçando os nossos dedos. Quando ele quebrou o beijo abri os olhos e olhei nos olhos dele, ele retirou o braço, mas continuava com os dedos entrelaçados nos meus. Olhei para as nossas mãos juntas, sorri e ele também.
“Tão lindo.” – disse a Andreia a sorrir.
“Isso já é um beijo, mas foi muito lamechas.”
“Acabou manz. Não esteja gozando mais.” – e o David fez uma careta para o Ruben e o Ruben respondeu com um sorriso.
“Vamos para a festa, já devem andar a perguntar onde eu ando.”
Voltamos para a festa, eu e o David continuamos de mãos dadas até começarmos a ver pessoas, até começarmos a ver a tenda.
Ele reparou no meu nervosismo e no meu receio antes de entrar de novo na tenda, agarrou na minha mão discretamente, e sussurrou-me ao ouvido.
“Calma, eu amo você Catarina.” – e sorriu-me.
“Também te amo.” – senti o meu nervosismo a desaparecer, sorri de volta.
Quando o David largou-me a mão e entrou na tenda, senti que tinha perdido uma parte de mim, senti-me um bocado vazia, insegura sem ele, mas ao mesmo tempo completa, porque ele podia ter uma parte de mim, mas eu tinha uma parte dele.