sábado, 5 de março de 2011

Rescue Me - Capitulo 51


Novo capitulo. Desculpem se demorei. Obrigada por todos os comentarios e espero que gostem.


Não o queria largar. Só queria ficar a noite toda nos braços dele, sentia segurança, os meus medos e receios a desaparecer, sentia algo que me fazia tremer, que me aquecia, sentia-me feliz, sentia-me bonita e amada. Senti que a “velha” Catarina tinha voltado, que tinha recuperado parte da pessoa que fui, tudo por causa do David. Os meus pensamentos foram interrompidos com um beijo nos lábios, suave, doce, sentindo toda a paixão e o amor que ele sentia por mim.

“Amo você.” – o David disse, depois de quebrar o beijo, senti cada palavra nos meus lábios.

“Eu também. Muito.” – disse a sorrir.

“Eu amo mais.” – ele sorria.

“Não, eu amo mais.”

“É melhor a gente parar ou vamos ficar continuando nisto.”

“Também acho.”

“Devíamos voltar. Devem tar preocupados com você Catarina.”

“Só mais um bocadinho. Estou tão bem contigo David. Se pudesse ficava assim toda a noite, nos teus braços.” – disse, abraçando-o com mais força, juntando mais os nossos corpos.

“Eu sei. Só mais um bocadinho, depois vamos.”

“Obrigada. Sabes que te amo?”

“Sim. Também amo você boba. Quer dançar? Eu não sei dançar bem não, mas sei que você gosta.”

“Não há música, tonto. Só se for do meu telemóvel.”

“Eu danço de qualquer jeito, só preciso de um par pra me ficar ensinando.”

“Eu ensino-te algo simples. Dançamos algo mais calmo para ser mais fácil.”

Agarrei no telemóvel e escolhi a música. Pus a tocar, dirigi-me a ele e coloquei os meus braços à volta dele, juntei o meu corpo ao dele e ele repetiu o gesto, colocando as mãos na minha cintura. Olhei nos olhos dele e sorri, ele também estava a sorrir, vi nos olhos dele.

“Segue o que eu faço. Apenas deixa-te ir.”

Comecei a mexer-me lentamente, a dar pequenos passos, para a direita e para a esquerda, com o ritmo calmo da música, sem tirar os olhos do David. Ele desviou o olhar para o chão, pus a minha mão no queixo dele e forcei-o a fixar o olhar em mim, ele voltou a sorrir e desta vez já não voltou a olhar para chão, apenas fixou o olhar em mim e dançamos até a musica acabar, sempre a sorrir e sem tirar os olhos um do outro, não era preciso dizer nada, os nossos olhares revelavam tudo o que sentiam, naquele momento, não havia mais ninguém, era apenas eu e ele, não havia preocupações, medo, pressão, outras pessoas. Sentia-me segura, sentia-me como naqueles filmes em que quando a rapariga encontra o seu “príncipe” e dançam, parece não haver mais ninguém na sala a dançar a não ser eles.

Ele interrompeu a dança beijando-me, não evitei e sorri no beijo. Quebrei aquele curto, mas viciante beijo e olhei nos olhos dele.

“David?”

“Sim?” – ele perguntou, afastando uma mecha de cabelo da minha cara

“E agora? Como fazemos? Não quero contar isto, não agora, quero manter segredo do que temos, se isto se sabe agora não sei se vou aguentar.”

“Eu sei. Eu não quero ninguém magoando você e sabe que não gosto de andar falando da minha vida pessoal. Quero você bem, e é melhor continuar escondendo isto até ser o melhor momento.”

“Ainda bem. E as nossas famílias? Não seria melhor contar? É que não vou conseguir esconder da minha.”

“Sim. É melhor. Eu sei que elas não vão ficar contando nada não. Catarina, é melhor a gente voltar pra festa.”

“Não…podemos ficar aqui toda a noite. Mas é melhor irmos, mas antes quero mais uns beijos.”

“Você é mesmo boba. Amo você.”

“Eu também te amo tonto.”

Ele puxou-me para mais perto dele, colocou uma mão na minha cara, respirou fundo e beijou-me, os beijos não eram intensos, eram calmos, doces, apaixonantes, daqueles beijos que podia dar para sempre, que cada beijo me fazia sentir cada vez mais apaixonada, não queria que ele parasse, sentia-o a sorrir em cada beijo, mas sabia que tínhamos de voltar para a festa em breve.

“Awww!” – imediatamente quebramos o beijo e olhamos para onde vinha aquele aww.

“Andreia! Ruben! Por onde vocês andaram? Liguei-vos há tanto tempo.”

“O Ruben não apanhou bem as direcções. Andamos meio perdidos. Mas ainda bem, vocês ficam tão lindos juntos.”

“O manz nunca foi bom nessas coisas.”

“Não é verdade David. Mas se soubesse ainda tinha andado perdido mais tempo.” – e ele fez um sorriso malandro.

“Engraçadinho. Vocês não podem contar isto a ninguém. Eu e o David decidimos manter isto privado. Só vamos contar à minha família, espero que percebam.”

“Ok.” – responderam os dois.

“Mas antes de irmos quero ver um beijo. Já que na festa não vou ver quero ver um agora.”

“Andreia! Só um. Depois vamos e nada de abrir a boca.”

O David olhou para mim e eu para ele e ele deu-me um beijo curto, apenas um simples tocar de lábios.

“Isso não é um beijo.” – disse a Andreia.

“Fraquinho David. Beijas assim? És um fraquinho.” – o Ruben estava a gozar.

Ele olhou para mim, colocou um braço à minha volta, puxou-me para ele e beijou-me, um beijo como o primeiro que tínhamos dado, calmo, suave, sem pressa nenhuma, a mão esquerda agarrou na minha direita, entrelaçando os nossos dedos. Quando ele quebrou o beijo abri os olhos e olhei nos olhos dele, ele retirou o braço, mas continuava com os dedos entrelaçados nos meus. Olhei para as nossas mãos juntas, sorri e ele também.

“Tão lindo.” – disse a Andreia a sorrir.

“Isso já é um beijo, mas foi muito lamechas.”

“Acabou manz. Não esteja gozando mais.” – e o David fez uma careta para o Ruben e o Ruben respondeu com um sorriso.

“Vamos para a festa, já devem andar a perguntar onde eu ando.”

Voltamos para a festa, eu e o David continuamos de mãos dadas até começarmos a ver pessoas, até começarmos a ver a tenda.

Ele reparou no meu nervosismo e no meu receio antes de entrar de novo na tenda, agarrou na minha mão discretamente, e sussurrou-me ao ouvido.

“Calma, eu amo você Catarina.” – e sorriu-me.

“Também te amo.” – senti o meu nervosismo a desaparecer, sorri de volta.

Quando o David largou-me a mão e entrou na tenda, senti que tinha perdido uma parte de mim, senti-me um bocado vazia, insegura sem ele, mas ao mesmo tempo completa, porque ele podia ter uma parte de mim, mas eu tinha uma parte dele.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Rescue Me - Capitulo 50 (parte 2)


Desculpem pela demora. Como prometido a parte 2 do capitulo 50. Obrigada por todos os comentários e espero que gostem.

Quando parei de correr nem sabia como respirava, doía tanto, doía mais do que qualquer dor possível, as forças faltavam-me e sentei-me no relvado. Desejei desaparecer, ir para longe de tudo e todos, para esquecer, para fazer me fazer crer que isto tudo não era mais que um pesadelo, mas não o podia fazer. Senti-me vazia, como se já não valesse a pena viver, mas a dor era diferente da dor que habitualmente sentia, a vontade de fazer uma loucura não existia, apenas existia uma grande vontade de chorar.

Tinha tudo acabado, por culpa minha, agora nada ia voltar a ser igual. Quando o conheci, a minha vida mudou em todos os aspectos, sobrevivi e ganhei um anjo da guarda, que me protegeu de tudo e de todos o melhor que podia, até protegeu de mim mesma. Ele fez-me sentir feliz, fez-me acreditar que eu podia ser feliz, fez-me voltar a confiar e a amar.

Mas agora, não sei quando vou voltar a confiar em alguém, quando vou voltar a amar alguém, porque a única que pessoa que confio, que amo rejeitou-me e provavelmente vai-se afastar de mim. Porque é que todas as pessoas que amo me abandonam?

Continuei a chorar, o meu telemóvel vibrava incessantemente no bolso do meu vestido. Sabia que era ele, não ia atender, não conseguia, só ia doer mais e precisava de estar afastada dele. O telemóvel parou de tocar durante um bom bocado, ele deve ter-se cansado de ligar. Olhei para as estrelas, e não pude deixar de perguntar que mal tinha eu feito para merecer isto? Porquê eu? Voltei a sentir o telemóvel a vibrar, vi o número e desta vez não era ele, mas o Ruben. Atendi, mas não respondi, não fosse ele do número do Ruben.

“Catarina? Estás a ouvir-me?” – a voz era do Ruben.

“Sim…”

“O que se passa? O David ligou-me desesperado a dizer que não consegue falar contigo e agora ouço-te a chorar.“

“Eu…” – nem conseguia dizer a verdade.

“Disseste-lhe o que sentias não foi? E ele não correspondeu, pois não?”

“Não…” – disse quase num sussurro.

“Oh…estamos preocupados contigo. Não faças nada Catarina, prometes? Podes dizer-me onde estás? Queremos ir ter contigo.”

“Prometo. Quem vem? Não quero ele…” – chorei mais, nem o nome dele conseguia dizer.

“Eu e a Andreia. Não sei do David e não quero ele perto de ti agora. Diz-me como chegar a ti.”

Expliquei-lhe o melhor que podia onde estava, apercebi-me que estava muito longe da tenda e que eles iriam demorar a chegar até mim. Olhei para as estrelas e cantei.

But somewhere we went wrong
We were once so strong
Our love is like a song
You can't forget it

Perguntei-me como iria sobreviver, como iria viver sem ele do meu lado, acho que não vou conseguir aguentar. Ele tornou-se numa espécie de pilar principal da minha vida, sem ele tudo se desmorona. Tudo cai e fica reduzido a nada, e não sei se vou conseguir voltar a reconstruir tudo de novo, se conseguir vai demorar muito tempo, e não sei se aguento voltar a passar tanto tempo a sofrer por algo que talvez se vá desmoronar outra vez. Continuei a cantar, a mesma música, musica que ajudava-me a lidar com a dor, a apagar parte dela, mas desta vez não apagava, apenas acentuava o que sentia.

Somewhere we went wrong
Our love is like a song
But you won't sing along
You've forgotten
About us

O meu corpo estava completamente dormente da dor e só sentia as lágrimas na minha cara porque eram molhadas e frias. E eu iria voltar a ser uma pessoa fria, vazia, um corpo sem alma, um olhar sem brilho, porque estou farta de lutar por algo que nunca vou ser, por algo que nunca vou voltar a sentir, mais vale parar de lutar e de sentir, nunca iria ser alguém, sou nada, não valho nada, o meu pai sempre teve razão.

Ouvi barulho, sabia que já não estava sozinha, devia ser o Ruben e a Andreia. Quando olhei para o lado era a única pessoa que não queria ver, nem estar perto. Levantei-me, pensei em fugir, mas sabia se desta vez o fizesse ele me apanhava logo.

“Catarina…”

“Não tenho nada mais a dizer-te…” - disse olhando o chão e passando por ele, tentando-me afastar.

“Espere. Me deixe explicar.” – a mão dele agarrou no meu pulso e puxou-me para ele.

“Larga-me. Larga-me!” – gritei, tentei soltar-me dele, mas sabia que não ia conseguir.

“Depois de eu explicar eu largo. Mas tem de me ficar ouvindo.”

“Ok.” – respondi, olhando para o chão.

“Sou eu quem tem o seu coração, Catarina?”

“Sim…” - disse num sussurro, sentindo as lágrimas nos meus olhos.

“Porque não falou? Porque ficou sofrendo?”

“Porque não queria estragar tudo, mas acabei por o fazer na mesma. Fiz com que o teu namoro acabasse, e destrui tudo o que tínhamos, porque sei que agora vais-te afastar de mim, porque não me vês mais do que uma amiga e não consegues estar comigo sabendo o que sinto.”

“Você não tem culpa de nada. Fui eu que terminei, quando você tava no hospital ela disse que tinha de escolher entre ela e você Catarina, ela falou que eu tava demasiado preocupado quando você tava mal, mais do que devia e ela exigiu eu escolher o que era mais importante para mim e sabe o que fiquei escolhendo.” – senti a mão dele na minha cara, a tentar limpar as lágrimas.

“Não me toques!” – a mão dele deixou a minha cara.

“Na altura não fiquei entendendo algo que ela falou, ela falou que o escolhi não tava longe do que sentia, mas agora sei. Catarina eu te…”

“Não digas, tu não o sentes David, só dizes isso para evitar que eu faça algo de mal.”

“Não. É a verdade. Te amo Catarina e não vou parar enquanto você não acreditar em mim.”

“Não acredito, como sei que é isso que sentes? Como sei que não me estas a mentir? Não consigo acreditar, perdi a confiança em ti.”

“Me olhe nos olhos, me diga o que ta vendo, me diga se tou mentindo.” – senti a mão dele que agarrava o meu pulso a puxar-me para mais perto dele.

Pela primeira vez desde o inicio da conversa, olhei-o nos olhos, mas não conseguia ver bem o que ele sentia. Sempre fui capaz de ler sentimentos das pessoas que conheço com o olhar, saber se estão a dizer a verdade, mas ele era um turbilhão de coisas, uma indefinição, se era verdade ou não, ou então era eu, blindada, por tanta dor que não via realmente o que é verdade.

“Não consigo, não sei o que vejo…”

“Te amo Catarina, acredite por favor...” – continuei a olhar, mas nada.

“Não consigo…” – sentia as lágrimas a cair, a dor, coisas do passado na minha cabeça.

“O que diz o seu coração?”

“Não sei…está dividido.”

“Mas ele sabe o que você sente por mim.”

“Sim…”

Senti a mão que agarrava o meu pulso direito a segurar-me na mão e a leva-la na direcção do peito dele. Ele colocou-a no peito, na zona do coração e segurou-a lá.

“O seu coração bate por mim. Sinta se o meu tá batendo da mesma forma, se ta batendo por você.”

Sentia o meu corpo todo a tremer, aquele simples toque no peito dele fez bater o meu coração com uma intensidade inexplicável, naquele momento o meu coração reagia ao simples toque com o David, o olhar dele esperava por algo, por algum sinal, algo que dissesse o que eu acreditava. Ouvi o coração dele, a pulsar na minha mão, batia intensamente, respirei fundo, deixei-me levar, apenas a sentir. Devia ouvir dois corações bater, devia sentir dois batimentos, mas não. Ouvia apenas um, e não sabia de quem era, pensei que fosse o meu coração que deixasse de bater, mas ainda respirava, naquele momento soube e não foram precisas palavras para o descobrir.

“David…” – o nome dele saiu-me dos lábios, num sussurro, como se o meu coração chamasse por ele.

Senti a outra mão do David na minha cara, limpando-me suavemente com o polegar, uma lágrima, senti a respiração dele próxima da minha, os olhos dele mais perto dos meus. Os lábios dele tocaram nos meus, os meus olhos fecharam-se e deixei-me levar pelo que sentia, deixei de ter medo, confiei nele, os lábios do David moviam-se lentamente com os meus, todos os sentimentos dele transpareciam naquele beijo, os nossos lábios era como se soubessem que pertenciam um ao outro, encaixando numa forma única. A mão direita dele continuava na minha cara, fazendo pequenas carícias enquanto a outra continuava a segurar a minha no peito dele, sentindo o coração dele batendo em uníssono com o meu.

Quando o David quebrou o beijo, parecia que o beijo tinha durado um tempo indefinido, como se o tempo tivesse parado naquele instante. Abri os olhos e vi os olhos dele nos meus, sabia que ele devia estar a sorrir, pois vi o olhar dele a brilhar daquela forma quando ele sorria.

“Te amo Catarina.” – e uma mão dele passou pelos meus cabelos, retirando-os da minha cara.

“Eu sei. Amo-te David.”

Sorri, passei uma mão pelos caracóis dele e ele envolveu-me com os braços, puxando-me para o peito dele, eu coloquei os meus braços de volta dele, olhei nos olhos dele e ele beijou-me novamente, apenas um simples beijo curto, mas que selava que pertencíamos um ao outro, que selava o nosso amor.