segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 34



“David…” – disse, abraçando-o com mais força.

“Eu sei…vou tentar fazer de tudo para que não se fique sabendo. Vou proteger você, não quero ver você sofrendo mais.”

“Mas vai-se saber, eu sei que sim. E depois? A minha vida nunca mais vai ser a mesma, já vai mudar agora por pensarem que sou a tua namorada, mas se tudo se sabe não sei como vou sair à rua, como vou enfrentar as pessoas. Não vou conseguir, dói só de pensar.”

“Calma, não fique pensando nisso agora Catarina. Não pode mostrar como se ta sentindo, assim vão descobrir mais depressa o que se ta passando.”

“Podemos ficar aqui hoje? Não quero sair.”

“O que você quiser. Só quero você bem.”

Chorei mais, só de pensar que o meu segredo em breve deixaria de o ser, magoava, só de imaginar como seria a minha vida depois disso. Larguei o David, fui para a sala, sentei-me na cama dele e fiquei ali, não valia a pena, mexer-me, dizer nada, as coisas não iam voltar a ser as mesmas por mais que tentasse ou lutasse. Perguntava-me porquê, o porque de agora que andava melhor acontecer isto. Resignei-me com o facto que talvez Deus, não quisesse que eu fosse feliz, deixando-me sofrer, passando por mais um “teste”, “testes” esses que nunca acabavam, perguntando-me cada vez que acabavam quando seria feliz. Senti o David sentar-se ao meu lado, senti o braço dele à minha volta, encostei a cabeça a ele e continuei a chorar e a olhar para a televisão, se bem que não estava a ver o que estava a dar, estava apenas a olhar.

O telemóvel do David tocou, ele atendeu e percebi logo quem era.

“Sim Ruben, ela viu. Ela ta chorando, não ta bem, eu tou com ela, vou ficar até ela tar melhor. Tou pensando no que fazer para a proteger, ninguém pode ficar sabendo do segredo dela, pode acontecer algo se eles souberem. Depois falo com você, manz.”

Ele desligou o telemóvel, deitou-se na cama e puxou-me com ele, ficando deitada, com ele a agarrar-me de uma forma como se me tivesse a proteger de tudo, eu não conseguia reagir, apenas sentia dor, apenas chorava, mal me mexia ou falava, a dor e o medo dominavam-me.

Ele não dizia nada, apenas passava uma mão pelos meus cabelos, enquanto eu me agarrava a ele com mais força, cravando as minhas unhas no corpo dele, marcando-o de certeza. Soltei-me do David pouco depois, talvez um duche me acalmasse, normalmente um duche ajudava a acalmar-me.

“Vou tomar um duche. Ajuda-me a relaxar.”

“Se não tiver bem, me chame.” – eu apenas acenei com a cabeça.

Fui buscar roupa ao quarto, não me preocupei muito com o que ia vestir, apenas algo confortável, não ia sair de casa. Entrei na casa de banho e fechei a porta, abri a torneira. Retirei a camisola de manga comprida, ficando com uma de manga curta por debaixo e olhei me no espelho. Estava num estado lastimável, mas o pior era o que tinha nos pulsos. Senti uma dor imensa, desejei que pudesse apagar o que tinha nos pulsos, era por aquilo que tinha tanto medo. Pus os pulsos debaixo da torneira e esfreguei, pensei se esfregasse o suficiente saíam as cicatrizes, esfreguei e esfreguei, quando dei por mim estava dentro da banheira, com o chuveiro ligado a apontar para um dos pulsos enquanto continuava a esfregar, sentia a agua quente a bater nos pulsos, a torná-los mais vermelhos, senti-me suja, aquelas cicatrizes eram sujas, sujavam-me.

“Porque é que não desaparecem? Porquê?” – sentia as lágrimas a cair, a voz tremia-me.

Continuei a esfregar, mas estava a ficar cansada, cansada de tudo, só queria que acabasse tudo, a dor, isto.

“Catarina? Você tá bem? Tá demorando…”

Não consegui responder, já não sentia nada mais que dor. Ouvi a porta a abrir, senti uns braços a tirarem me da banheira, sabia que era o David, ele agarrou-me ao colo, senti a cabeça no peito dele, não consegui olhar para ele, não queria ver o olhar dele triste, desolado. Comecei a sentir-me fria, tremi, o meu corpo estava molhado, a roupa fria colava-se ao meu corpo, ele embrulhou-me numa toalha e levou-me para a sala.

Deitou-me na cama e saiu da sala, voltou depois com a minha roupa, aproximou-se de mim, senti a mão dele na minha cara e arrepiei-me de estar quente e eu estar fria, olhei para os pulsos e ainda via que estavam lá.

“Catarina, tem de tirar essa roupa molhada. Tá tremendo, tá gelada.”

“Porque não desaparecem? Eu esfreguei.”

“Não vão desaparecer, são parte de você agora, Catarina. Mas eu vou tar sempre do seu lado, com isso ou sem.”

O David colocou uma mão na minha cara e fez pequenas carícias, aproximou-se e deu-me um beijo na testa. Olhei nos olhos dele e senti-me ainda pior de o ver assim desfeito, desfeito por mim, por culpa minha.

domingo, 28 de novembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 34 (preview)


Ainda vou demorar um pouco para postar o capitulo, espero ainda o postar hoje, se nao conseguir amanha posto. Não tenho tido tempo para escrever. Mas até lá deixo-vos com um bocado do próximo capitulo para vos compensar.


“David…” – disse, abraçando-o com mais força.

“Eu sei…vou tentar fazer de tudo para que não se fique sabendo. Vou proteger você, não quero ver você sofrendo mais.”

“Mas vai-se saber, eu sei que sim. E depois? A minha vida nunca mais vai ser a mesma, já vai mudar agora por pensarem que sou a tua namorada, mas se tudo se sabe não sei como vou sair à rua, como vou enfrentar as pessoas. Não vou conseguir, dói só de pensar.”

“Calma, não fique pensando nisso agora Catarina. Não pode mostrar como se ta sentindo, assim vão descobrir mais depressa o que se ta passando.”

“Podemos ficar aqui hoje? Não quero sair.”

“O que você quiser. Só quero você bem.”

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 33


Obrigada por todos os comentários. Desculpem pela demora, mas tive de acabar de escrever um futuro capitulo desta fic, o chamado capitulo especial, vai ser longo e dividido em duas partes, espero poder postá-lo em breve. Vai ser um capitulo com tudo e mais alguma coisa, vai ser emocionante. Mas por enquanto leiam este, espero que gostem.


“Isso foi tão lindo. E bom saber isso. Você merece um beijo e um abraço por dizer isso de mim.” – ele deu-me um beijo na cara e abraçou-me com força.

“David…não consigo respirar…sai de cima de mim…és pesado…” – ele largou-me e saiu de cima de mim.

“Catarina boba.” – o David sorriu.

“Pois sou.” – eu deitei-lhe a língua de fora.

Depressa chegou a noite, o tempo passa rápido quando estamos com alguém de quem gostamos e quando esse alguém nos faz rir e passar um bom bocado. O jantar foi interessante, normalmente janto sozinha, porque a minha mãe estuda de noite, mas hoje tive companhia à mesa, o David era só a brincar a dizer que ia acender umas velas para ser um jantar à luz das velas e assim. Depois fui eu que quando o vi nas notícias comecei a dizer apontar a e a dizer que ele estava na televisão e a fazer uma grande barulheira.

Depois fomos para a sala, aproveitei e retirei o colchão do sofá e coloquei o no chão, depois só faltava ir buscar o outro colchão e lençóis para fazer a cama para ele. Ele atirou-se para cima do colchão e como eu previa, ele ficava com os pés de fora.

“Sai daí. Ainda nem fiz a cama, estás com os pés de fora e não me digas que já tens sono. Sou tão aborrecida assim?”

“Não. Só queria sentir se a cama era boa. Se não fosse ia dormir na sua.”

“Ahahahahah! Nem cabes lá, só se dormisses todo encolhido. E na minha cama? Ela ainda por cima range, ia ser bonito ia.”

Ele riu-se, saiu de cima do colchão e fiz o resto da cama. Eu não queria ajuda dele mas ele estava a armar-se em teimoso e ajudou-me.

“Já te podes deitar e dormir agora.” – ele deitou-se em cima da cama feita.

“Sozinho não…” – ele puxou-me e cai em cima dele.

“És doido. Não vou dormir aqui, tenho a minha cama.”

“Não quero que me deixe sozinho…tenho medo…” – ele fez beicinho.

“Não sejas tonto. Eu venho dar-te um beijo de boa noite, mas não conto nenhuma historia, não mereces.” – disse a rir.

Ele sorriu de volta e despenteou-me. Tentei fazer-lhe o mesmo mas não conseguia tocar nos cabelos dele, ele não me deixava, embrulhamo-nos numa espécie de luta. A porta abriu-se e a minha mãe viu-nos naquelas figuras e riu-se, eu toda despenteada, numa mistura de braços e pernas com o David, e os dois numa posição estranha, parecia de luta livre ou de ioga, com uns grandes sorrisos e respirações ofegantes. Fui para a cama pouco depois, mas antes fui ter com o David à sala, ele já estava deitado, em tronco nu, pronto para apagar a luz e dormir, dei-lhe o beijo de boa noite que prometi e desejei-lhe bons sonhos e fui-me deitar.

Pouco depois não conseguia adormecer, não sabia explicar porque, mas não tinha sono. Fui à cozinha beber um copo de agua e reparei que estava uma luz acesa na sala, abri um pouco a porta e vi a televisão acesa e o David acordado a ver o filme que estava a dar, abri um pouco mais a porta e esta fez barulho.

“Teve pesadelo?”

“Não. Apenas não consigo dormir e nem sei bem porquê.”

“Também não. Mas não é da cama.” – ele fez sinal para me sentar ao lado dele na cama improvisada.

“Pode ser que a ver televisão e a falarmos um com o outro fiquemos cansados o suficiente para dormir.”

“Sim.”

Eu acabei por me enfiar dentro dos lençóis da cama, por sentir um pouco de frio, eu e o David mal falamos, apenas vimos o filme romântico que dava na tv. Comecei a ficar cansada, mas já nem conseguia levantar-me, deixei-me ficar ali e adormeci.

Acordei de manha nos braços do David, completamente aninhada a ele. Tinha de o acordar para me levantar.

“David…” – chamei-o calmamente, até que ele abriu os olhos.

“Bom dia.” – ele disse, olhando-me ensonado.

“Podes largar-me? Queria levantar-me.”

Fui a cozinha e vi um papel da minha mãe. Disse me para ir ao pão e para trazer o que quisesse para o David e eu comermos.

“David, queres algo especial para o pequeno-almoço? Vou ao mini mercado aqui ao pé.”

“Não.” – ele respondeu.

Fui ao quarto, vesti algo, agarrei na carteira e nas chaves de casa e saí, entrei no mini mercado, dizendo um bom dia às pessoas e ouvi um burburinho, a comentar algo, pedi o pão e olhei para a mesa das revistas. Naquele instante percebi a razão do burburinho, na capa de uma delas estava eu e o David juntos e perguntavam se eu era a nova namorada dele. Não quis ver mais nada, paguei o pão e sai disparada dali, abri a porta a tremer, quase a chorar, o David já estava a pé e ele tinha o telemóvel na mão, pela cara dele vi que ele já sabia o que devia estar na revista. Ele abraçou-me e eu chorei, chorei porque agora que descobriram que eu sou amiga do David, vai começar o burburinho, ele já não me pode proteger tanto, as idas ao estádio e a falar com pessoas, vão quase de certeza descobrir o que eu não quero, o segredo que protejo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 32


Novo capitulo. Desculpem pela demora mas tive uma frequência, agora vou ter mais tempo para escrever e postar durante um pouco. E tenho uma novidade para vos dar, estou a escrever um capitulo futuro da fic, um capitulo importante que vai revelar muita coisa, a 1ª parte desse capitulo já está escrita, a 2ª ainda não. Quando o postarei? Quando chegar o momento, mas acreditem que vai ser o capitulo que muitas de vocês esperam (ou não): Espero que gostem. Obrigada por todos os comentários.


Depois daquela conversa, não se ouviu mais nada a não ser silencio o resto da viagem. Quando chegamos, pensei onde é que iria “esconder” o Audi branco dele naquele bairro. Quando alguém aparece com um carro diferente ou novo dá direito a especulações, teorias e boatos, e a ultima coisa que eu queria era que descobrissem que tinha o David Luiz na minha casa, iam logo achar que eu namorava com ele ou algo assim. Tive a brilhante ideia de pedir a minha madrinha para por o carro dele na garagem dela por uma noite e ela disse que não se importava de pôr o dela na rua. Depois disso foi leva-lo para dentro do meu prédio sem ser visto e tentar não apanhar ninguém nas escadas. A primeira foi fácil, a segunda, comecei a trocar-me toda a abrir a porta de casa porque ouvi alguém a fechar uma porta e a descer as escadas, abri a porta e praticamente que empurrei o David lá para dentro.

“Olá lagarta, como estás?”

“Bem…”- era o meu vizinho do último andar, um grande benfiquista, o “tio” da minha irmã porque levava-a aos jogos do Benfica e passava-se por tio dela.

“Não me convences, é por o Benfica estar quase a ser campeão e os lagartos tarem em 4º, não é?”

“Catarina, onde deixo o saco?” – ouvi o David dizer.

“Tens visitas? Ouvi uma voz, o teu namorado? Vou dizer à tua mãe que tens um rapaz em casa.”

“Ela sabe. E ele não é o meu namorado.”

“Não sou não, eu e a Catarina somos apenas amigos.” – respondeu o David.

Vi-o a olhar para mim perto da porta de casa e tinha medo que o meu vizinho o visse e se passasse, fiz sinal para ele entrar na cozinha e pus o dedo nos meus lábios, fazendo sinal para ele ficar calado.

“Deves pensar que acredito, até estás a escondê-lo. E um brasileiro? Conhecê-lo de onde? Da escola?”

“Não te vou dizer. Acredita no que quiseres, lampião.”

“Ele é de que clube?”

“Benfica.” – respondeu o David.

“Eu mandei-te ficar caladinho!” – respondi-lhe.

“É bem-feita! A lagarta a namorar com um benfiquista. Parece que foi de propósito.”

“Ele não é o meu namorado!” – respondi chateada.

“Sim, pois…Vou ter de ir, mas quero um dia conhecer esse benfiquista, até pode ser que combinemos para ir aos jogos juntos.” –se ele soubesse quem era o benfiquista…morria.

“Adeus…” – fechei a porta e olhei para o David muito chateada.

“Eu não fiz nada, não me olhe assim não.” – entrei na sala e ele atrás.

“Fizeste pois. Mandei-te estar quieto e calado e tu nada! Querias ser apanhado era? Ainda por cima por este meu vizinho, o pior benfiquista do prédio. Não queres manter isto discreto?”

“Sim, mas ele não ia contar a ninguém, acredito nisso. Você sabe que não quero jornalistas de volta de você, não lhe ia ficar fazendo bem. Mas foi engraçado.”

“Engraçado? És mesmo safado!” – agarrei numa almofada do sofá da sala e dei-lhe com ela.

“Não gosto de violência. Pára!”- ele disse a gozar.

Eu voltei a dar-lhe com a almofada, mas ele agarrou-me e tirou-me a almofada, acertando-me com ela na cara. Esta acertou-me com uma parte no olho direito e magoou-me, não evitei em soltar um ai e sentia o olho a arder um pouco.

“Você tá bem? Desculpe.” – olhei para ele só com um olho aberto, o outro ardia.

“Não fizeste por mal, a ponta da almofada é que entrou no olho.” – disse e senti uma lágrima a escorrer, aliviando o ardor.

“Deixa ver.”

O David aproximou-se e pôs o dedo indicador na minha pálpebra e o polegar na minha cara e abriu-me o olho devagar. Ainda ardia um bocado e fazia impressão estar aberto, senti outra lágrima a escorrer a aliviar a dor. Ele limpou-me a lágrima, e observou bem o meu olho, sentia-o tão perto, os olhos dele nos meus e arrepiei-me.

“Tá vermelho, não tem nada pra por no olho Catarina? Se não tem de continuar chorando até que deixe de doer. Desculpe, não a queria machucar.”

“Já te disse que não faz mal, foi uma brincadeira que não correu bem. Pareço um vampiro com o olho vermelho.” - disse olhando para o espelho da sala.

“Então vai beber do meu sangue?”

“Não. O teu sangue não presta, e dás-me mais jeito vivo.”

“Não presta? Eu lhe digo o que não presta…” – ele atacou-me com cócegas e não conseguia parar de rir.

Fiquei de novo na mesma posição que tinha ficado há uns tempos atrás, com o David sentado em cima de mim, no sofá, a fazer me cócegas, eu tentava ver se ele tinha cócegas na barriga e no pescoço, mas ele não devia ter. Ele parou, olhou-me nos olhos, senti a respiração dele um pouco acelerada, ele sorriu-me e senti-me quente por dentro.

“Tou gostando de ver você assim, sorrindo.” –passei uma mão pelos caracóis dele, tentando despenteá-los, mas sem sucesso.

“Eu gosto de te ver sorrir. Se sorrio és tu o motivo.” – e sorrimos os dois.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 32 (preview)


Peço desculpa, mas não vou poder postar em breve, vou ter um teste e não tenho escrito. Mas se isso acontecer postarei o capitulo. Até lá deixo-vos com um pouco do próximo. Obrigada a todas pelos comentários.

“Deves pensar que acredito, até estás a escondê-lo. E um brasileiro? Conhecê-lo de onde? Da escola?”

“Não te vou dizer. Acredita no que quiseres, lampião.”

“Ele é de que clube?”

“Benfica.” – respondeu o David.

“Eu mandei-te ficar caladinho!” – respondi-lhe.

“É bem-feita! A lagarta a namorar com um benfiquista. Parece que foi de propósito.”

“Ele não é o meu namorado!” – respondi chateada.

“Sim, pois…Vou ter de ir, mas quero um dia conhecer esse benfiquista, até pode ser que combinemos para ir aos jogos juntos.” –se ele soubesse quem era o benfiquista…morria.

domingo, 14 de novembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 31


Novo capitulo. Desculpem pela demora, mas tive um fim de semana muito ocupado e o meu computador não tem colaborado comigo. Este capitulo é diferente, tem uma musica e a musica faz parte do capitulo, quando lerem percebem. Obrigada por todos os comentários. Espero que gostem.


Aqueles pensamentos não me saiam da cabeça, tentei perceber o que viam e eu não. Pouco depois daquela conversa, já não estava a ficar cedo e o David decidiu irmos embora antes que fosse de noite. Ele agarrou num saco que devia ter coisas preparadas para ele passar a noite na minha casa. Despedimo-nos nos pais dele e saímos para o carro, entramos e pus o cinto.

“Você ta muito calada. Para quem fala tanto…tá pensando em quê?”

“Onde é que vais dormir. A cama da minha irmã é pequena demais para ti, estava a pensar no chão da sala com dois colchões para não ficares com os pés de fora.”

“Não tenho a culpa de ser grande.” – ele sorriu e não evitei em sorrir também.

Ele ligou o carro, e pouco depois estávamos a sair, em direcção a minha casa, ainda nos esperava perto de 1 hora de caminho, até bem menos devido à condução do David, mas fazia-se bem. Já não faltava muito para o sol se por, a cor dele estava alaranjada e o céu já não era totalmente azul. Continuava a pensar naquilo tudo sem chegar a nenhuma conclusão. A única coisa que se ouvia no carro era o rádio que tocava uma musica que conhecia. Comecei a pensar como tudo mudou, como é que deixaram de ver que eu e o David parecemos mais do que amigos.

Outra música tocou na rádio, uma musica que também conhecia e não evitei em começar a cantar. Estranhamente a música descrevia parte do meu relacionamento com o David, como cada vez que sentia o meu Mundo a ruir, sabia que o tinha ao meu lado, que podia contar com ele.

Yeah, when my world is falling apart
And there's no light to break up the dark
That's when I, I, I look at you
When the waves are flooding the shore and I
Can't find my way home anymore
That's when I, I, I look at you

Olhei para ele e ele olhou para mim, parei de cantar por um instante. Sabia que não tinha grande voz e fiquei tímida quando me apercebi que não estava a cantar para ninguém.

“Continua.” – ouvi-o dizer, e continuei, olhei para ele quando ele não estava olhar e ele estava a sorrir.

I see forgiveness
I see the truth
You love me for who I am
Like the stars hold the moon
Right there where they belong and I know
I'm not alone

Continuei a cantar, desta vez sem medos, sentia-me bem a cantar aquela música, dizia-me algo, sentia-me quente, os últimos raios de sol batiam-me nos olhos, olhei para ele de novo, a olhar para a estrada, com o cabelo dele a parecer mais claro do sol que batia, ele sorria e sabia que ele estava a ouvir a música, batendo com as mãos no volante ao ritmo desta.

You, appear, just like a dream to me
Just like kaleidoscope colors that
Cover me
All I need
Every breath, that I breathe

Enquanto estava a cantar olhei para ele e vi o sorriso dele, a forma como os raios de sol alaranjados batiam nos caracóis dele, como os olhos dele brilhavam devido aquele sorriso e ao sol que os tornou de uma cor nunca antes vista, uma cor que me hipnotizou e me fez sentir parte do que cantei. Don't you know? You're beautiful.

Porque é o que ele é. Por dentro e por fora, e tenho sorte em tê-lo na minha vida, apesar de não o merecer, todo o tempo que ele devia passar a sair mais com os amigos, a tentar ser feliz, passa-o comigo. Sinto que não mereço tanto dele, mas acho que ele tem a certeza que mereço isso e muito mais, é por ele que ganho força para lutar, para acreditar que talvez as coisas possam melhorar, porque ele vê-me para alem das cicatrizes, vê quem eu sou, os meus defeitos e tudo e continua na minha vida.

Sorri, enquanto continuava a olhar para ele e a cantar, por um breve instante ele desviou o olhar da estrada e olhou para mim, sabia que ele devia estar com um grande sorriso porque os olhos dele brilhavam como nunca tinha visto, senti-me vulnerável, mas quente por dentro, senti que nada me podia magoar.

“Wow. Nunca a tinha visto assim.”ele falou, mal a musica acabou.

“Canto mal, não digas que canto bem só para me agradar.”

“Eu só disse que nunca a tinha visto assim. Não falei de você tar cantando, gostei, não canta mal não, é normal, não é boa ou má demais.”

“Então estavas a referir-te a quê?”

“Não via o seu sorriso assim há muito Catarina. Daria tudo pra a ver sempre a sorrir e se for por mim, ficarei fazendo de tudo para nunca magoar você, só pra ver o seu sorriso e os seus olhos brilhando.”

“Também gostava, mas isso só o futuro o dirá.”

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 31 (preview)


Obrigada a todas. Ficam com um bocadinho do próximo capitulo, espero poder postá-lo amanha, mas se nao acontecer, postarei mal puder. Continuo aberta a sugestões e a criticas, eu gosto de saber o que vocês gostam ou não da fic.

Sorri, enquanto continuava a olhar para ele e a cantar, por um breve instante ele desviou o olhar da estrada e olhou para mim, sabia que ele devia estar com um grande sorriso porque os olhos dele brilhavam como nunca tinha visto, senti-me vulnerável, mas quente por dentro, senti que nada me podia magoar.

“Wow. Nunca a tinha visto assim.”ele falou, mal a musica acabou.

“Canto mal, não digas que canto bem só para me agradar.”

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 30


Novo capitulo, espero que gostem. O próximo vai ter um formato diferente mas depois vocês vão perceber. Obrigada pelos comentários e vou tentar responder a alguns deles sempre que puder. Comentem com as vossas sugestões, criticas e se gostaram, se não, digam para eu melhorar.

Depois disto tudo passaram-se mais uns dias, entre eles o aniversário do David. Não fui, muito por culpa da escola, mas mesmo que pudesse ir acho que não ia, ainda me custa conhecer pessoas fora do meu círculo de amigos e tenho medo que me julguem devido a estar marcada. Não tenho estado com ele muito, hoje vou estar, tenho terapia e ele vai apresentar-me aos pais dele antes que eles se vão embora. O Benfica está perto de poder ser campeão e eu ainda não consigo entrar no estádio desde aquele dia. As coisas com o Ruben estão mais ou menos, ele ainda está um pouco constrangido mas tem estado do meu lado e tenho falado com ele para o ajudar a lidar com tudo isto.

Uma amiga minha disse que leu numa revista que o David tinha sido visto com uma morena no Estádio da Luz e pareciam cúmplices, mas não havia fotos e ainda bem, sabia que devia ter sido num dos dias de terapia em que sai mais abalada.

Os pesadelos continuam e não sei se alguma vez vão parar. O David quase deixou os pais sozinhos, num dos dias porque estava muito preocupado comigo, tive uma crise má e só acalmei quando tomei o comprimido que me deixa KO.

O David tem me protegido mais, começou depois da conversa com o Ruben, sei que o psiquiatra sabe o que eu disse ao David, noto pelas perguntas que ele me faz, na maior parte das vezes não respondo e finjo que não ouço. Penso todos os dias nas palavras do Ruben e cada vez acredito menos no que ele me disse, não sei onde ele viu algo, mas não é verdade. Mas a verdade, é que dava tudo para amar, mas não consigo, já tentei, mas não se pode forçar o que se sente. A palavra amo-te não existe neste momento no meu mundo.

Hoje foi daqueles dias de terapia em que ir ou não ir não fazia diferença, não disse nada, mal falei. A única “pessoa” com quem “falo” é com o meu diário. Escrevo tudo lá, as vezes faltam-me palavras mas ele sabe o que sinto. Agora vou conhecer os pais dele, estou um pouco nervosa mas ele já me assegurou que vai ficar tudo bem, os pais dele sabem a minha historia.

Entrei em casa dele, e dirigi-me à sala. Os pais dele estavam lá sentados, à minha espera.

“É a Catarina.” – disse o David.

“Prazer em conhecer-vos. Tem um filho impecável, a melhor pessoa que eu podia ter na minha vida neste momento.”

“Obrigada. O David nos falou de você e ele nos disse que você é boa pessoa e tem sido uma grande amiga.” – disse a mãe dele.

“Obrigada, o David tem sido tudo para mim, ele é o meu anjo, acredito que alguém o pôs no meu caminho, na minha vida.” – o David olhou para mim, sorriu e abraçou-me.

“Hoje vou ficar com a Catarina, ela tá precisando de mim hoje, tem tido dias maus e eu não tenho tido tempo para ela, para a ajudar por causa de vocês.”

“Devias ficar com os teus pais, já te disse que fico bem.”

“Não, você é importante para mim e tem de melhorar, agora estava melhorando e se me afasto de você agora vai ser mais difícil.”

“Não faz mal. Ficamos bem filho, ela tá precisando de você e não deve abandonar os seus amigos quando tão precisando de você.” – disse o pai dele.

O David sentou-se ao lado da mãe e eu sentei-me ao lado dele. A mãe dele contou-me algumas histórias da infância dele e o David corou em certas coisas. Ele até teve uma infância feliz e a família dele é incrível. Fez-me lembrar que a minha família não é bem assim e quis chorar, o David reparou que eu estava perturbada e deu-me a mão, ele sabia o motivo de eu estar assim, ele olhou para mim deu um pequeno sorriso e apertou-me a mão.

“Ela é a sua namorada, filho?”

“Não, mãe. Você sabe o que lhe contei sobre a Catarina, ela não ficou bem de estar falando da família, eu tava ajudando ela a ficar melhor, o medico disse que o contacto físico a faz melhorar, a faz ficando mais segura, faz sentir que alguém gosta e se preocupa com ela.”

“Eu sei, mas ficou parecendo, da maneira com que você olhou para ela e ela para você.”

Fiquei a pensar naquelas palavras, eu não era nada mais do que uma amiga para o David e ele não era nada mais que um amigo, o meu anjo, um protector. Lembrei-me do que o Ruben tinha dito e agora a mãe do David, como é que vêem algo que eu não vejo? Algo que não sinto?

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 30 (preview)


Em principio novo capitulo amanha. Até lá deixo-vos com um bocadinho do próximo. Espero que gostem e obrigada por lerem e comentarem. Alguma sugestão para a fic não tenham medo em dizer, até agradeço.

O David sentou-se ao lado da mãe e eu sentei-me ao lado dele. A mãe dele contou-me algumas histórias da infância dele e o David corou em certas coisas. Ele até teve uma infância feliz e a família dele é incrível. Fez-me lembrar que a minha família não é bem assim e quis chorar, o David reparou que eu estava perturbada e deu-me a mão, ele sabia o motivo de eu estar assim, ele olhou para mim deu um pequeno sorriso e apertou-me a mão.

“Ela é a sua namorada, filho?”

domingo, 7 de novembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 29


Desculpem pela demora mas não tenho andado bem e não tenho escrito. Alem disso tenho andado um pouco bloqueada na escrita, se tiverem alguma sugestão para avançar com a historia agradeço. Obrigada por todos os comentários, espero que gostem.


Continuei a pensar no que fazer, se não acedesse ao pedido dele ele ainda ia ficar mais destroçado, se acedesse não sabia o que podia acontecer, não queria dar-lhe esperanças com um beijo, apesar de ele já saber o que sinto por ele.

“Sim…” – decidi que não o ia magoar mais, ele não merecia.

Senti ele aproximar-se de mim e uma mão dele na minha cara, sentia-me nervosa, era apenas um beijo, mas eu nunca beijei ninguém sem sentir nada e não sabia como agir, se devia deixar-me levar, se devia responder ao beijo com intensidade. Não tive muito tempo para pensar nisso, olhei nos olhos dele, que brilhavam intensamente, uma última vez, e senti os lábios dele nos meus. Perdi a reacção, deixei-me levar pelo aquele beijo calmo e suave, apaixonado. Tudo o que o Ruben sentia por mim traduzia-se naquele beijo, o meu corpo começou a ceder, senti o meu coração a bater, não por sentir algo mas do nervosismo, da adrenalina de estar a ser beijada.

Senti a outra mão dele nas minhas costas e o corpo dele próximo do meu, aplicando pressão com fez com que me deitasse na cama e o corpo dele cobrisse o meu. O beijo também mudou, tornou-se mais intenso, senti a língua dele a tocar-me nos lábios, senti o ar a faltar-me, o corpo dele a aquecer o meu, ouvi uma espécie de gemido, quase de certeza que era meu, porque ouvi outro de seguida e era dele, sabia que tinha de parar, não queria que ele pensasse que podia ter uma hipótese comigo, apesar de tudo o que lhe disse antes.

“Ruben…” – disse praticamente num sussurro, quando os lábios dele deixaram os meus por um segundo.

“Diz…” – senti o que ele disse nos meus lábios, da proximidade entre os lábios dele com os meus.

“Pára. Não te posso dar mais, não te quero magoar mais, desculpa.” – ele saiu de cima de mim, visivelmente triste.

“Desculpa, parte de mim me fez crer que o que me tinhas dito era apenas um sonho, sabes? Mas sei que não é verdade. Eu fico bem, desejo que melhores, porque mereces. Que possas confiar, ser feliz, e que percebas que quem tem o teu coração é ele.” – ele aproximou-se de mim, deu-me um beijo na cara e saiu do quarto, pouco depois ouvi uma porta a fechar e sabia que ele ido embora.

Dirigi-me à sala, um pouco triste por ter feito aquilo ao Ruben, mas não podia forçar algo que não sentia. O David estava a olhar para mim com uma cara muito seria, como se tivesse feito algo de mau, ou como se ele estivesse chateado comigo.

“Você não disse ao Ruben que não sentia nada por ele, né?”

“Disse. Porque é que estás assim?”

“Eu vi, ele em cima de você, eu vi vocês se beijando, não minta.”

“É verdade, mas não é o que pensas.”

“Eu vi, não esteja dizendo que não. Você está brincando com ele e ele vai ficar sofrendo quando souber que você o usou, Catarina. E ele não merece, ele não é um jogo.” – senti as lágrimas na minha cara, como é que o David achava isso de mim? Depois de tudo o que lhe contei?

“Se quiseres liga-lhe, pergunta o que aconteceu, mas a verdade foi que lhe disse que não o via mais que um amigo, porque não consigo amar, se não fosse esta a situação talvez pudesse sentir algo por ele, mas que não consigo. Ele pediu-me um beijo, só para saber como seria se eu gostasse dele, queria dizer que não, mas ele já estava tão triste, tão magoado, que se o rejeitasse ia magoá-lo mais. Deixei ele beijar-me, apenas deixei-me ir, nada mais, não senti nada, porque já não sei o que é sentir.” – gritei, e já não sentia nada a não ser as lágrimas na minha cara.

“Desculpe Catarina, não me tava parecendo isso, mas você nunca me mentiu, acredito em você. Desculpe ter duvidado.” – ele aproximou-se de mim e abraçou-me.

“Odeio-me, odeio-me tanto. Gostava de conseguir amar, aquele beijo fez-me sentir amada, desejada, fez-me sentir que alguém me ama, gostava de o poder amar, mas estou tão estragada, que nem consigo dizer que amo alguém, não consigo senti-lo. Só magoo as pessoas que me amam, e talvez nunca ninguém me vai amar como o Ruben, ele ama-me por quem sou, ele vê para além das cicatrizes, para além desta alma desfeita. Odeio-me tanto, estou farta disto! Não mereço que ninguém sofra por mim, se Deus queria que eu ficasse viva, porque é que magoa tanto? Porque é que tenho que magoar toda a gente? Talvez não mereça viver agora, talvez Ele tenha visto o erro que fez em deixar-me viva.” – gritava, cerrei os punhos e batia no peito dele com raiva de tudo e de todos.

“Não diga isso. Você vai ficar bem, alguém vai amar você Catarina, você vai entender porque é que ainda tá aqui. Descanse, precisa de limpar a cabeça.” – parei de lhe bater, deitei-me no sofá com a cabeça no colo dele, adormeci pouco depois, tinha sido muitas emoções e estava esgotada, só queria ser feliz, mas não sentia nada por quem me amava e essa pessoa disse que o meu coração era do David, adormeci a pensar nisso, mas sabia que não podia ser verdade, não podia dar o meu coração sem poder voltar a sentir, sem voltar a amar.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 28


Pela primeira vez tinha dito o que sentia, tinha baixado as defesas e as barreiras, foi esmagador. Senti-me em parte bem, libertei um pouco o peso que sentia, mas também me senti mal, senti-me vulnerável, exposta, senti dor, muita dor. Voltei a fechar-me totalmente depois daquele momento, ainda não percebo bem o que me levou a ler aquilo, só sei que depois de ler só sentia a minha cara molhada e os braços dele à minha volta. Ainda estava em baixo quando deixamos o consultório, lembro-me de sentir os olhos dele em mim, cheios de tristeza, quando íamos para o carro, lembro-me de ir para casa dele e ainda estar lá um bom bocado com ele a tentar com que eu me sentisse melhor.

Mas já passou-se 2 dias e hoje dia de terapia outra vez, e folga do David. Hoje vai ser o dia que vou falar com o Ruben, só espero que ele aceite a minha decisão, não o quero perder como amigo, já perdi demasiado.

A terapia foi rápida hoje, foi rápida porque passei o tempo todo a ignorar o doutor, a ouvir música e a não querer falar, não queria stress e estava a pensar na melhor forma de não magoar o Ruben. O David ficou zangado e percebo-o, eu sei que a terapia me ajuda a melhorar, mas é complicado abrir-me assim, abrir-me sabendo que vou sofrer a seguir.

Entrei na casa dele e pus-me à vontade como já era hábito, mas estava um pouco ansiosa em relação à conversa com o Ruben, só tinha de esperar que corresse pelo melhor. Não tive muito tempo para pensar nisso, tocaram à porta e sabia que era o Ruben.

“Olá Catarina. Como estás?”

“Olá Ruben. Bem, acho eu e tu? Precisamos de falar a sós.”

“Também estou bem. A sós? Ok.” – levantei-me do sofá e fiz sinal para ele me seguir.

“Eu fico aqui, não vou incomodar. Vou ficando ouvindo musica e a ler.” – respondeu o David.

Segui para o quarto onde fiquei quando estive aqui, entrei, sentei-me na cama, respirei fundo e o Ruben sentou-se à minha frente.

“Queres falar do quê?”

“De nós, daquele dia na cozinha.”

“Queres ter uma relação comigo? É isso?” – imediatamente vi um brilho diferente no olhar dele.

“Não Ruben, queria dizer-te que não vai ser possível. Eu não sinto algo mais do que uma amizade por ti, desculpa. Preferi dizer-te agora porque não queria que ficasses com falsas esperanças.”

“Percebo e compreendo. Não se escolhe quem se ama.” – ele parecia desiludido, triste talvez, mas resignado.

Não se escolhe mesmo. Não posso dar o que queres, não consigo amar, porque acho que já não sei o que isso é, e não confio o suficiente para entrar numa relação assim. Se a situação fosse outra, se não tivesse passado por isto, talvez pudesse vir a apaixonar-me por ti, Ruben, és incrível e qualquer pessoa seria muito sortuda em ter-te, apenas não posso forçar algo que não sinto. Não quero que deixes de fazer parte da minha vida, ia partir o meu coração se perdesse a tua amizade.”

“Não me vais perder, vai ser complicado, mas daqui a umas semanas devo estar bem. Há mais raparigas por aí, eu pensava que eras a certa para mim, mas agora sei que ela deve estar por ai. Não vou lutar por ti, não te posso forçar a amares-me, não posso forçar-te quando o teu coração pertence a outra pessoa.” – a mão dele agarrou a minha.

“O quê? A outra pessoa? Deves estar confuso.”

“Não estou, tu é que estás. E o David?”

“O que tem ele?”

“É ele que tem o teu coração.”

“Não Ruben, ninguém tem o meu coração. Não consigo confiar em alguém para isso, já não sei o que é amar, já nem consigo dizer até a pessoas da minha família que as amo. O David é meu amigo, o meu salvador, o meu anjo protector, nada mais.”

“Eu sei do que falo, podes não querer ver, ou nem te aperceberes, mas tu deste-lhe o teu coração.”

“Não Ruben, não dei. Não sinto um choque quando ele me toca, não tenho aquele nervoso, aquelas borboletas na barriga, não tenho vontade de o beijar, o meu coração não acelera quando olho nos olhos dele, quando ele me abraça, quando ele me agarra na mão. Não é amor.”

“Se pensas assim não te vou contrariar, depois não digas que te avisei. Só espero que consigas voltar amar e que encontres a pessoa certa para ti, tu mereces mais do que muita gente, és incrível tal como és, nunca te esqueças disso. Só quero ver-te bem e feliz seja com quem seja Catarina, vou estar sempre do teu lado para te apoiar e te ajudar quando precisares.”

“Obrigada Ruben. És um grande amigo.” – senti uma lágrima na minha cara, lágrima limpa pelos dedos do Ruben.

“Posso pedir-te uma coisa?”

“Diz Ruben.”

“Posso beijar-te? Não te peço mais nada. Gostava apenas de saber como seria se sentisses o mesmo que eu.” – olhei nos olhos dele, ele parecia triste, desolado, destroçado até. Era apenas um simples pedido, não queria fazê-lo sofrer mais, mas não sabia bem o que fazer.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 28 (preview)


Obrigada a todas pelos comentários, só escrevo isto por vocês. Espero em breve postar um novo capitulo, mas enquanto isso nao acontece deixo-vos um bocado do proximo para não ficarem aborrecidas por não terem um novo capitulo. Espero que gostem, preparem-se que o capitulo vai ser intenso.

Não se escolhe mesmo. Não posso dar o que queres, não consigo amar, porque acho que já não sei o que isso é, e não confio o suficiente para entrar numa relação assim. Se a situação fosse outra, se não tivesse passado por isto, talvez pudesse vir a apaixonar-me por ti, Ruben, és incrível e qualquer pessoa seria muito sortuda em ter-te, apenas não posso forçar algo que não sinto. Não quero que deixes de fazer parte da minha vida, ia partir o meu coração se perdesse a tua amizade.”

“Não me vais perder, vai ser complicado, mas daqui a umas semanas devo estar bem. Há mais raparigas por aí, eu pensava que eras a certa para mim, mas agora sei que ela deve estar por ai. Não vou lutar por ti, não te posso forçar a amares-me, não posso forçar-te quando o teu coração pertence a outra pessoa.” – a mão dele agarrou a minha.

“O quê? A outra pessoa? Deves estar confuso.”

“Não estou, tu é que estás. E o David?”

“O que tem ele?”

“É ele que tem o teu coração.”