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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 34



“David…” – disse, abraçando-o com mais força.

“Eu sei…vou tentar fazer de tudo para que não se fique sabendo. Vou proteger você, não quero ver você sofrendo mais.”

“Mas vai-se saber, eu sei que sim. E depois? A minha vida nunca mais vai ser a mesma, já vai mudar agora por pensarem que sou a tua namorada, mas se tudo se sabe não sei como vou sair à rua, como vou enfrentar as pessoas. Não vou conseguir, dói só de pensar.”

“Calma, não fique pensando nisso agora Catarina. Não pode mostrar como se ta sentindo, assim vão descobrir mais depressa o que se ta passando.”

“Podemos ficar aqui hoje? Não quero sair.”

“O que você quiser. Só quero você bem.”

Chorei mais, só de pensar que o meu segredo em breve deixaria de o ser, magoava, só de imaginar como seria a minha vida depois disso. Larguei o David, fui para a sala, sentei-me na cama dele e fiquei ali, não valia a pena, mexer-me, dizer nada, as coisas não iam voltar a ser as mesmas por mais que tentasse ou lutasse. Perguntava-me porquê, o porque de agora que andava melhor acontecer isto. Resignei-me com o facto que talvez Deus, não quisesse que eu fosse feliz, deixando-me sofrer, passando por mais um “teste”, “testes” esses que nunca acabavam, perguntando-me cada vez que acabavam quando seria feliz. Senti o David sentar-se ao meu lado, senti o braço dele à minha volta, encostei a cabeça a ele e continuei a chorar e a olhar para a televisão, se bem que não estava a ver o que estava a dar, estava apenas a olhar.

O telemóvel do David tocou, ele atendeu e percebi logo quem era.

“Sim Ruben, ela viu. Ela ta chorando, não ta bem, eu tou com ela, vou ficar até ela tar melhor. Tou pensando no que fazer para a proteger, ninguém pode ficar sabendo do segredo dela, pode acontecer algo se eles souberem. Depois falo com você, manz.”

Ele desligou o telemóvel, deitou-se na cama e puxou-me com ele, ficando deitada, com ele a agarrar-me de uma forma como se me tivesse a proteger de tudo, eu não conseguia reagir, apenas sentia dor, apenas chorava, mal me mexia ou falava, a dor e o medo dominavam-me.

Ele não dizia nada, apenas passava uma mão pelos meus cabelos, enquanto eu me agarrava a ele com mais força, cravando as minhas unhas no corpo dele, marcando-o de certeza. Soltei-me do David pouco depois, talvez um duche me acalmasse, normalmente um duche ajudava a acalmar-me.

“Vou tomar um duche. Ajuda-me a relaxar.”

“Se não tiver bem, me chame.” – eu apenas acenei com a cabeça.

Fui buscar roupa ao quarto, não me preocupei muito com o que ia vestir, apenas algo confortável, não ia sair de casa. Entrei na casa de banho e fechei a porta, abri a torneira. Retirei a camisola de manga comprida, ficando com uma de manga curta por debaixo e olhei me no espelho. Estava num estado lastimável, mas o pior era o que tinha nos pulsos. Senti uma dor imensa, desejei que pudesse apagar o que tinha nos pulsos, era por aquilo que tinha tanto medo. Pus os pulsos debaixo da torneira e esfreguei, pensei se esfregasse o suficiente saíam as cicatrizes, esfreguei e esfreguei, quando dei por mim estava dentro da banheira, com o chuveiro ligado a apontar para um dos pulsos enquanto continuava a esfregar, sentia a agua quente a bater nos pulsos, a torná-los mais vermelhos, senti-me suja, aquelas cicatrizes eram sujas, sujavam-me.

“Porque é que não desaparecem? Porquê?” – sentia as lágrimas a cair, a voz tremia-me.

Continuei a esfregar, mas estava a ficar cansada, cansada de tudo, só queria que acabasse tudo, a dor, isto.

“Catarina? Você tá bem? Tá demorando…”

Não consegui responder, já não sentia nada mais que dor. Ouvi a porta a abrir, senti uns braços a tirarem me da banheira, sabia que era o David, ele agarrou-me ao colo, senti a cabeça no peito dele, não consegui olhar para ele, não queria ver o olhar dele triste, desolado. Comecei a sentir-me fria, tremi, o meu corpo estava molhado, a roupa fria colava-se ao meu corpo, ele embrulhou-me numa toalha e levou-me para a sala.

Deitou-me na cama e saiu da sala, voltou depois com a minha roupa, aproximou-se de mim, senti a mão dele na minha cara e arrepiei-me de estar quente e eu estar fria, olhei para os pulsos e ainda via que estavam lá.

“Catarina, tem de tirar essa roupa molhada. Tá tremendo, tá gelada.”

“Porque não desaparecem? Eu esfreguei.”

“Não vão desaparecer, são parte de você agora, Catarina. Mas eu vou tar sempre do seu lado, com isso ou sem.”

O David colocou uma mão na minha cara e fez pequenas carícias, aproximou-se e deu-me um beijo na testa. Olhei nos olhos dele e senti-me ainda pior de o ver assim desfeito, desfeito por mim, por culpa minha.