Obrigada a todas. Espero que gostem. Comentem por favor.
Tinha o telemóvel perto da camisola ao alcance das minhas mãos, agarrei nele com dificuldade, sentia dor nos meus pulsos, fui a lista telefónica e carreguei na letra D. Imediatamente vi o nome David Luiz no meio do nome de alguns amigos meus que também começavam com a letra D, sabia que agora não podia deixar qualquer pessoa mexer no meu telemóvel para evitar que apanhassem o nome dele ou teria de mudar o nome no telemóvel, mas agora não queria pensar muito nisso. Ainda não acreditava se era verdade e se havia de lhe telefonar, ele tinha acabado de sair e não queria que ele achasse que eu era daquelas pessoas cola, mas a verdade e que me sentia estranha sem ele no quarto, sentia-me insegura, sentia as más memorias a voltar, era como se ele fizesse tudo desaparecer, apenas a presença dele fazia-me relaxar, nunca ninguém tinha tido um efeito assim em mim e isso assustava-me.
Tinha o número dele pronto a ligar, mas não sabia se havia de o fazer ou não, coloquei um dedo na tecla verde e outro na vermelha, fechei os olhos e contei até três, o botão que carregasse é que decidiria se ia ligar ou não.
Carreguei num botão e abri os olhos, o telemóvel estava a chamar, tentei coloca-lo no meu ouvido, mas sentia muitas dores, carreguei no altifalante e deixei estar o telemóvel no mesmo sitio.
“Oi? Oi? Quem fala?
“David?”
“Catarina, está tudo bem?”
“Sim. Só queria ter a certeza que era o teu número e para tu ficares com o meu.”
“Não estava acreditando em mim? Fui eu que escrevi o meu número, não é brincadeira não. Vou guardar o seu. Obrigado, e já sabe se precisar pode dizer algo.” -
“Não estava a acreditar que tinha mesmo o teu número, parece que ainda é tudo um sonho. Mas agora acredito que é real. Obrigada David, desculpa por te ter chateado.”
“Não faz mal. Adeus.”
“Adeus.”
Mal ele desligou fiquei sem saber o que fazer, senti-me mal e sozinha, e quando olhei para os meus pulsos ligados apeteceu-me arrancar tudo, apeteceu-me magoar, estava sozinha, sentia-me abandonada, não sentia nada a não ser dor. Olhei para as minhas pernas e vi a camisola dele, agarrei-a com a força que tinha, sentia os pulsos a doer, mas não a larguei, senti as lágrimas a escorrer, senti a dor a diminuir ao lembrar-me dele ao sentir uma parte dele comigo, a dor ainda estava lá, mas já sentia algo e sentia que talvez valesse algo.
Não dormi, dormir trazia os pesadelos, mas não podia fazer muito, vi um pouco de televisão mas não estava a dar nada de jeito, não conseguia escrever sms para uma das minhas melhores amigas que não sabia o que tinha se passado comigo apesar de saber das minhas tentativas e de tudo o que se passou com a minha vida.
Pus musica a tocar do meu telemóvel, talvez me distraísse, talvez fizesse o tempo passar mais rápido, mas só me fez chorar, fez-me sentir mais inútil, desesperar para apagar a dor.
Senti o meu telemóvel vibrar nas minhas mãos e nem me preocupei a ver de quem era o número, ia rejeitar, mas carreguei no verde, mas demorei a carregar para ligar o altifalante.
“Catarina? Está bem? Está chorando? Me responde, por favor.”
“Estou bem, não é nada.”
“É sim. Fala.”
“Não. Porque ligaste?”
“Queria saber a que horas posso a ver.”
“Quando quiseres, mas só posso receber visitas daqui a 1 hora.”
“Ok. Catarina, não chora não, prometo ir aí, me dê 2 horas. Quando chegar não quero a ver chorando.”
“Não te posso prometer isso, não te posso prometer nada. Desculpa, adeus.”
A minha cabeça gritava, não queria responder-lhe assim, queria pedir ajuda, não queria ficar sozinha, queria pedir que ele estivesse comigo agora, queria sentir-me segura, mas não consegui, foi como se o meu corpo não me obedecesse dizendo algo completamente diferente. Senti as lágrimas a escorrer cada vez mais, eu era mesmo inútil, uma falhada, talvez o meu pai tivesse razão…