Com isto passaram-se mais uns dias. Escrevi no diário o que se tinha passado com o Ruben mas não referi nenhum nome. Hoje tem inicio o fim-de-semana que vou ficar com o David e estou nervosa, não sei porque mas estou. Acho que tenho medo de o perturbar se tiver alguma crise ou assim.
As coisas entre mim e o Ruben tem andado tensas, mas ele não tem forçado nada, tem é tentado agradar-me de todas as maneiras, tenho a impressão que o David suspeita que há algo entre mim e o Ruben, ele deve sentir a tensão. Os pesadelos continuam, sempre os mesmos, deixam-me fora de mim algumas vezes, esta semana já por duas vezes tive de tomar o comprimido mais forte para conseguir descansar, a minha mãe tem andado preocupada de eu andar assim. Nas aulas o meu cansaço tem sido visível, não me conseguia concentrar decentemente, alguns colegas meus começaram a suspeitar que algo está errado comigo, mas felizmente ainda ninguém descobriu o verdadeiro motivo.
Fui de comboio ter a um local combinado, a minha mãe foi me por ao comboio e o David foi me buscar, estava a minha espera perto da estação. Já estou mais habituada a andar de comboio e já não estranho ir sozinha.
“Você veio pra um mês?” – quando ele viu os sacos.
“Não. Isso é a minha roupa e sapatos, tenho ai o portátil e coisas da escola. Parece que é muita roupa, mas é mais tralha.”
Descalcei-me outra vez e fui ligar o portátil, tinha um trabalho para fazer, não tinha cabeça nenhuma para isso mas tinha de o fazer, respirei fundo e deitei mãos ao trabalho, nem reparei no que o David fazia, pus musica a tocar com os phones postos e comecei a fazer playback da musica enquanto escrevia e pesquisava para um relatório, o tempo deve ter passado a correr, acabei a minha parte do relatório só a tinha de enviar.
A Andreia meteu-se comigo no Messenger, ela é uma amiga minha, tem 1 ano mais que eu, e é baixinha e gordinha que é de morrer a rir, é do Porto e as vezes não tem muito cuidado com o que diz e depois é só sms dela cheias de asneiras. Liguei o micro e a webcam e comecei a ouvi-la e a vê-la.
“Sua…”
“Andreia, nada de asneiras.”
“Asneiras uma merda, eu digo o que quero caralho.”
“Já começa. Pessoal do Norte não há hipótese.”
“Nunca mais disseste nada. Como estás? E como está o carneirinho?”
“Pois, tinhas de falar nele! E nada de lhe chamar isso, nem eu lhe chamo isso mas ele já sabe.”
“Vocês já andam aos beijos?”
“Andreia! Não! Que invenções, não tenho essas intenções e tu sabes, nada de fazer filmes.”
“Já acabou o trabalho? Larga isso, vem pra aqui, Catarina.”
“Eu ouvi-o, estás com ele e aposto que estás na casa dele! Vai haver beijos, vai pois!” – fiz sinal ao David para ele ficar calado e ele acenou.
“Não inventes, eu não ia mentir-te. Vou ter de ir. Depois falamos.”
“Tu vais para namorar, eu sei.” – nem respondi, desliguei o Messenger e o computador.
“Vem ver eu ganhando a este fraquinho.” – o fraquinho era o Gustavo.
Pouco depois vi que ele tinha razão e o Gustavo perdeu, eu joguei com o Gustavo depois e ele voltou a perder, com o David empatei, mas tenho a impressão que ele fez de propósito. Chegou a hora de ir dormir e eu sem sono, devido a ser cedo e por ter medo de ir dormir. Mas fui-me deitar, depois de estar deitada mais de 10 minutos na cama, levantei-me e fui para a sala ver televisão, não ia dormir, se dormisse ia ter pesadelos e não queria prejudicar o David. Ouvi barulho e vi o David na porta da sala, de briefs e com uma camisola a olhar para mim muito zangado.
“Não tá dormindo porque? Isso faz mal.”
“É fim-de-semana, deito-me sempre tarde, não tenho sono David.”
“Pensava que eu não ia descobrir? Você tem de dormir Catarina, não faz bem à sua cabeça e corpo.”
“Eu lá sei, vai tu dormir que amanha tens jogo.”
“Vou eu e vai você. Pra cama Catarina.”
“Não vou não, não és minha mãe.”
“Vai pois. E sou sua mãe, tenho de tomar conta de você.”
Ele aproximou-se de mim, agarrou-me e pôs-me no ombro dele como se ele tivesse com um saco no ombro e levou-me para o quarto.
“Põe-me no chão.” – e comecei a dar-lhe beliscões para ele me largar mas ele nada.
“Não. Você vai pra cama, só se quer dormir no chão.”
Entramos no quarto e ele pôs-me na cama, sentei-me e fiquei a espera.
“Você vai dormir, não vai pra a sala não.”
“Ok. Então como estás armado em minha mãe tens de deitar-me, aconchegar e dar-me um beijinho de boa noite, dispenso história para dormir.”
“Engraçadinha, mas se fizer você dorme?”
“Sim.”
Eu deitei-me na cama e ele tapou-me, bem tapadinha para não ter frio, depois olhou para mim muito serio, aproximou-se e deu-me um beijo na testa.
“Boa noite Catarina. E para ter a certeza que você dorme mesmo vou ficar aqui à espera que esteja dormindo.”
“Boa noite David, e tu é que sabes. Eu ia cumprir.
“Não ia não, você é teimosa. Durma.”
“Sim, mãe.”
Ele sorriu e apagou a luz, mesmo assim via o vulto no meu quarto e custou a adormecer, estava nervosa por dormir, mas ao ver que ele estava comigo acalmou-me, deu-me segurança, lentamente senti-me a adormecer e deixei a escuridão envolver-me, apenas escuridão, algo que me reconfortou, algo que eu já desconhecia há muito.
7 comentários:
OI! então essa escrita como está a correr?? Espero que bem!
Quero ver a continuação...
Fica bem!! :D
Adorei!
Mesmo muito!
Adorei!
Continua!
Que querido o David :D
Amei o novo capitulo catarina!
Oh que lindo! :)
Continua Catarina *
Amei...
Quero mais... tou muito curiosa...
Continua.... Se poderes posta mais... por favor...
QUERO O 24 HOJEEEEEEEEEEE *-*
por favorrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!
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