quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Rescue Me - Capitulo 26


O jogo acabou pouco depois, a minha equipa ganhou, o David não estava muito satisfeito, mas ele não podia fazer nada. Eu estava com um grande sorriso.

“Agora você sorri, né? Quando eu a quero ver sorrindo você não sorri e só porque os lagartos ganharam você sorri.”

“Não amues. Eu sorrio quando me apetece, e tu já me fizeste sorrir.”

“Mesmo assim, você devia sorrir sempre. Eu amo o seu sorriso Catarina.”

“És um querido, mas tu sabes que não é assim tão simples. As coisas já não são como eram, eu já não sou a mesma pessoa.”

“Eu não sei como você era, mas gostava de ter conhecido.”

“Eu sei. Não quero falar mais sobre isso.”

Já não sorria, fui para o quarto sem dizer nada ao David, vesti o pijama e sentei-me na cama a pensar em tudo e como já nada fazia sentido, como as coisas nunca mais iam ser como dantes e como iam piorar quando mais gente soubesse a verdade. Saí do quarto e dirigi-me à sala.

“Vou dormir David. Amanha falamos.”

“Me desculpe por ter falado…”

“Não faz mal, apenas estou cansada, não foi por causa da nossa conversa. Boa noite David.”

“Ok. Eu vou também. Boa noite Catarina.”

Voltei para o quarto e deitei-me, dei voltas e voltas na cama para adormecer, mas nada. Fechei os olhos e vi o que não queria ver, fiquei assustada e sabia que não ia conseguir dormir, o pesadelo de ontem ainda estava na minha cabeça e o medo de voltar a senti-lo era enorme, sentia-me cansada, mas acima de tudo sentia medo, muito medo.

Levantei-me, sai do quarto e passei pela porta do quarto dele, sem saber se havia de bater ou de ir para a sala ver tv até ao nascer do sol. Decidi-me pela primeira, sentia-me assustada demais para ver tv, bati 3 vezes na porta.

“Entre.” – abri a porta, uma pequena luz estava acesa e ele estava deitado na cama tapado.

“David…” – disse muito baixinho.

“Vem aqui. Não consegue dormir?” – sentou-se na cama e fez me sinal, para me aproximar e me sentar na cama ao lado dele.

“Não…” – sentei-me e olhei para ele.

“Medo de pesadelo?”

“Sim…” – mal ouvia a minha própria voz.

“Quer falar?”

“Não.”

“Ok. Então quero ficar sabendo o que se tá passando entre você e o Ruben.”

“Eu conto, mas não lhe faças nada de mal.”

“O que foi que ele fez? Ele a tentou machucar?” – ele perguntou exaltado.

“Não, nada disso! Ele disse que sentia algo por mim.”

“Ele tentou beijar você? Eu mato ele!” – ele disse muito irritado.

“Calma. É verdade, mas ele não chegou a beijar-me, pelo menos na boca, foi no pescoço, e eu também não fiz para o parar, ele não tem a culpa.”

“Você sente algo por ele?” – e eu olhei nos olhos dele.

“Não. Mas congelei, fiquei sem reacção. Eu adoro o melga, o Ruben, mas amar é outra historia completamente diferente. Se fosse noutra situação talvez sentisse algo por ele, talvez o pudesse amar, porque ele é incrível, mas não posso amar.”

“Porquê?”

“Porque acho que já não sei sentir o amor, aquele sentimento que estás apaixonado, e mesmo que o sentisse não podia agir, não confio em ninguém o suficiente para isso, porque não sou boa o suficiente para ninguém David, as marcas que tenho separam-me de todo o mundo, sou de um mundo diferente de todas as outras pessoas. Sou imperfeita, ninguém gosta de coisas com defeito.” – senti algo familiar a escorrer pela minha cara.

“Não diga isso. Você pode ser imperfeita, mas gosto mais de você assim do que se fosse perfeita. Se todo o mundo fosse perfeito era tudo igual, eu não ia gostar não. Ser imperfeita é que a torna especial, única, e se há gente que não vê isso é gente boba, é gente que não a merece.” – senti a mão dele na minha cara, a limpar as lágrimas que não paravam de cair.

“Se todas as pessoas pensassem como tu era tudo mais fácil. Mas não é assim, eu sei que tenho amigos, família, pessoas que me amam, mas gostava de sentir amor, sabes? Gostava de confiar para isso. E sei que assim, ninguém me vai amar, só vão ter pena de mim.” – o braço direito dele puxou-me para perto dele, aninhei-me encostando a cabeça no peito dele, continuando a chorar.

“Não diga isso. Você vai confiar Catarina. Você vai encontrar alguém, talvez quando não tiver esperando, talvez alguém que esteja perto de você.” – ele deu-me um beijo na cabeça.

“Espero que tenhas razão.” - estava cansada de chorar e de lutar contra o sono, adormeci nos braços dele desejando que ele tivesse razão e que houvesse alguém que eu pudesse amar e confiar, só espero que encontre essa pessoa antes que volte a pensar a fazer o que não devo.

6 comentários:

Catarina disse...

Hey... td bem??

Olha para mim esta frase: “Não diga isso. Você vai confiar Catarina. Você vai encontrar alguém, talvez quando não tiver esperando, talvez alguém que esteja perto de você.” Pareceu-me uma indirecta que ela não entendeu!! LOOL

Opá continua... adoro mesmo a tua Fic!

Beijinhos!

Sofia Mendes disse...

muito bommmmm :)

Bianca. disse...

Tu bem disseste que ia ser intenso !! ^^
Gostei bastante !
Continua !
Beijo !

Camila disse...

Catarina adoro a tua fic. é sentida tem sentimento é das melhores é a que a expressa os sentimentos das persongens espétacularmente, nao tenho palavras para descrever tantas perfeição. Parabéns por esta fic MARAVILHOSA!!!;)

Catarina disse...

Obrigada a todas, mesmo! Os vossos comentários deixam-me feliz e com vontade de escrever mais.
Catysilva, não sei não. Pode ter sido dito apenas por dizer.
Não tenho conseguido escrever, sei o que quero escrever mas as palavras não saem. Mesmo assim espero escrever mais em breve e postar. Muito obrigada a todas.

ElsaNeves disse...

Ola Catarina eu já só tou á espera do próximo capitulo.
Isto está a deixar-me muito curiosa.
Muito bom!!!
Beijinho.

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