Pela primeira vez tinha dito o que sentia, tinha baixado as defesas e as barreiras, foi esmagador. Senti-me em parte bem, libertei um pouco o peso que sentia, mas também me senti mal, senti-me vulnerável, exposta, senti dor, muita dor. Voltei a fechar-me totalmente depois daquele momento, ainda não percebo bem o que me levou a ler aquilo, só sei que depois de ler só sentia a minha cara molhada e os braços dele à minha volta. Ainda estava em baixo quando deixamos o consultório, lembro-me de sentir os olhos dele em mim, cheios de tristeza, quando íamos para o carro, lembro-me de ir para casa dele e ainda estar lá um bom bocado com ele a tentar com que eu me sentisse melhor.
Mas já passou-se 2 dias e hoje dia de terapia outra vez, e folga do David. Hoje vai ser o dia que vou falar com o Ruben, só espero que ele aceite a minha decisão, não o quero perder como amigo, já perdi demasiado.
A terapia foi rápida hoje, foi rápida porque passei o tempo todo a ignorar o doutor, a ouvir música e a não querer falar, não queria stress e estava a pensar na melhor forma de não magoar o Ruben. O David ficou zangado e percebo-o, eu sei que a terapia me ajuda a melhorar, mas é complicado abrir-me assim, abrir-me sabendo que vou sofrer a seguir.
Entrei na casa dele e pus-me à vontade como já era hábito, mas estava um pouco ansiosa em relação à conversa com o Ruben, só tinha de esperar que corresse pelo melhor. Não tive muito tempo para pensar nisso, tocaram à porta e sabia que era o Ruben.
“Olá Catarina. Como estás?”
“Olá Ruben. Bem, acho eu e tu? Precisamos de falar a sós.”
“Também estou bem. A sós? Ok.” – levantei-me do sofá e fiz sinal para ele me seguir.
“Eu fico aqui, não vou incomodar. Vou ficando ouvindo musica e a ler.” – respondeu o David.
Segui para o quarto onde fiquei quando estive aqui, entrei, sentei-me na cama, respirei fundo e o Ruben sentou-se à minha frente.
“Queres falar do quê?”
“De nós, daquele dia na cozinha.”
“Queres ter uma relação comigo? É isso?” – imediatamente vi um brilho diferente no olhar dele.
“Não Ruben, queria dizer-te que não vai ser possível. Eu não sinto algo mais do que uma amizade por ti, desculpa. Preferi dizer-te agora porque não queria que ficasses com falsas esperanças.”
“Percebo e compreendo. Não se escolhe quem se ama.” – ele parecia desiludido, triste talvez, mas resignado.
“Não se escolhe mesmo. Não posso dar o que queres, não consigo amar, porque acho que já não sei o que isso é, e não confio o suficiente para entrar numa relação assim. Se a situação fosse outra, se não tivesse passado por isto, talvez pudesse vir a apaixonar-me por ti, Ruben, és incrível e qualquer pessoa seria muito sortuda em ter-te, apenas não posso forçar algo que não sinto. Não quero que deixes de fazer parte da minha vida, ia partir o meu coração se perdesse a tua amizade.”
“Não me vais perder, vai ser complicado, mas daqui a umas semanas devo estar bem. Há mais raparigas por aí, eu pensava que eras a certa para mim, mas agora sei que ela deve estar por ai. Não vou lutar por ti, não te posso forçar a amares-me, não posso forçar-te quando o teu coração pertence a outra pessoa.” – a mão dele agarrou a minha.
“O quê? A outra pessoa? Deves estar confuso.”
“Não estou, tu é que estás. E o David?”
“O que tem ele?”
“É ele que tem o teu coração.”
“Não Ruben, ninguém tem o meu coração. Não consigo confiar em alguém para isso, já não sei o que é amar, já nem consigo dizer até a pessoas da minha família que as amo. O David é meu amigo, o meu salvador, o meu anjo protector, nada mais.”
“Eu sei do que falo, podes não querer ver, ou nem te aperceberes, mas tu deste-lhe o teu coração.”
“Não Ruben, não dei. Não sinto um choque quando ele me toca, não tenho aquele nervoso, aquelas borboletas na barriga, não tenho vontade de o beijar, o meu coração não acelera quando olho nos olhos dele, quando ele me abraça, quando ele me agarra na mão. Não é amor.”
“Se pensas assim não te vou contrariar, depois não digas que te avisei. Só espero que consigas voltar amar e que encontres a pessoa certa para ti, tu mereces mais do que muita gente, és incrível tal como és, nunca te esqueças disso. Só quero ver-te bem e feliz seja com quem seja Catarina, vou estar sempre do teu lado para te apoiar e te ajudar quando precisares.”
“Obrigada Ruben. És um grande amigo.” – senti uma lágrima na minha cara, lágrima limpa pelos dedos do Ruben.
“Posso pedir-te uma coisa?”
“Diz Ruben.”
“Posso beijar-te? Não te peço mais nada. Gostava apenas de saber como seria se sentisses o mesmo que eu.” – olhei nos olhos dele, ele parecia triste, desolado, destroçado até. Era apenas um simples pedido, não queria fazê-lo sofrer mais, mas não sabia bem o que fazer.
5 comentários:
BEIJO! BEIJo! BEIJO! BEIJO! BEIJO!
já tinha saudades desta fic :)
quero o 29 rápido por favor catarina :)
Concordo com a Janee ! "BEIJO BEIJO BEIJO! "
Continua !!
continua Catarina
muito bom mesmo
Magnifico...
Quero mais... se poderes posta mais hoje, por favor... continua...
Isto é surpreendente, desta não estava á espera...
E agora Catarina, estou muito curiosa...
Muito bom.
Beijinho.
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