Acordei, sabia que o que tinha acontecido só podia ser real, olhei para o meu pulso e vi-o ligado, o David tinha-me ligado o pulso com uma ligadura e posto um penso no meu dedo. Quis chorar, senti dor, mas controlei-me, não queria que ele me visse assim.
“Oi.”
“Olá.” – olhei para o David, falando sem convicção.
“Melhor?”
“Não sei.” – respondi, sentando-me na cama.
“Vou pegar algo para você comer e os seus comprimidos.” – olhei para a mão dele e vi um penso no dedo indicador.
“Isso foi ontem?”
“Sim, quando lhe tirei das mãos me cortou, mas tá tudo bem, não tá doendo, foi só um golpe.”
“Desculpa.”
“Você não tem a culpa de nada Catarina.”
Não lhe respondi, se dissesse que tinha ele ia dizer que não e não saiamos dali. Não parava de pensar no pesadelo e tinha medo que pudesse acontecer a maior parte dessas coisas. Ele voltou pouco depois com um copo de água e os meus comprimidos.
“Me quer contar o que tava sonhando?”
“Não.”
“Não faz mal. Agora vai comer algo, depois pode fazer o que quiser. Mas vai ter terapia logo.”
“Eu sei.” – olhei para o meu pulso ligado, ligadura que tapava a cicatriz.
Levantei-me e fui comer algo. Não falei o tempo todo, não havia nada para dizer. Vesti algo, porque o doutor ia vir e estar de pijama não ia ser o melhor. Vesti uma camisola de manga comprida castanha e uns skinny jeans.
Fui para a sala e liguei a tv. O David sentou-se ao meu lado e pôs num canal onde estava a dar um filme que estava a começar e resolvemos ver o filme até que o doutor chegasse, sem me aperceber dei por mim encostada a ele, como se ele fosse uma almofada, podia ficar assim para sempre, sem ter de me preocupar, apenas eu e o David, sem todos os dramas, mas o mundo real não era assim.
A campainha tocou, o mundo real esperava-me. Quase de certeza que ele ia tocar no assunto das revistas, não quero falar, não quero lembrar.
“Olá Catarina.”
“Olá.” – disse sem satisfação nenhuma.
“Hoje vou lhe pedir uma coisa…”
“Se é para falar do que tem acontecido ultimamente, não.” – disse rapidamente interrompendo-o.
“Não é isso. Quero o seu diário.”
“Não o vai ler alto pois não?”
“Não. Só quero ler as suas últimas coisas.”
Fui buscar o diário e trouxe-o até ele. Ele abriu nas últimas paginas escritas e vi os olhos dele a passarem pelas linhas, cada linha que ele lia ele pensava cada vez mais, era visível pelos olhos dele. Observei o doutor e depois olhei para o David, completamente intrigado com o que devia estar naquele caderno escrito. As ultimas entradas tinham a haver com tudo o que se tinha passado nestes últimos dias, todos os meus pensamentos e duvidas, incluindo o sonho da noite anterior. E na maior parte das páginas tinha escrito “odeio-me, odeio isto” E fazia uma seta e desenhava os pulsos e as cicatrizes, e escrevia que desejassem que desaparecessem, também escrevi “ninguém me ama, não assim, sou uma boneca com defeito.” Mas a última coisa escrita era: “O que é que o Ruben queria dizer com “tarde demais”?”
“Em relação à sua pergunta final, só você pode descobrir o que quer dizer, tem de abrir-se, deixar de se esconder e de se fechar. Quando fizer isso vai saber qual é a resposta. Apenas não tenha medo do desconhecido, não tenha medo de sentir.”
Ele falou comigo mais um pouco, mas nunca tocamos no assunto proibido, continuei o resto do dia sem falar ou fazer muito, apenas pensava, o David bem que tentou distrair me para falar mais, para ver se algo mudava em mim, mas eu continuava a pensar nas palavras do doutor.
“Catarina, é melhor você ir pra cama.”
“Não, tenho de pensar nisto.”
“Não vai ficar pensando em nada, apenas tem de deixar as coisas acontecerem, tem de fazer o que lhe disseram, pensando não ajuda. Apenas siga o seu coração.”
Apenas acenei que sim e fui vestir o pijama, pouco depois fui a casa de banho e quando sai ele estava à porta à minha espera, sabia bem porque era, ia de novo dormir no quarto com ele. Vi nos olhos dele que ele tinha receio de me deixar no outro quarto sozinha, fui com ele para o quarto, deitei-me na cama primeiro e ele depois. Mantive a minha distancia do David e fixei o olhar no tecto do quarto.
“Boa noite Catarina.” – virei-me e olhei para ele.
“Boa noite David.” – ele apagou a luz.
Voltei a olhar para o tecto do quarto e senti um braço à minha volta, era ele, sabia que ele estava a fazer aquilo para me proteger, para que eu me sentisse mais segura, e a verdade é que sentia. Adormeci com as palavras do doutor e do David na minha cabeça, tinha de me abrir, de seguir o meu coração.
Acordei no dia seguinte, senti um braço no meu corpo, sabia que era ele, abri os olhos e vi que estava mais perto do David que o normal, consegui acender a luz da mesa de cabeceira, apesar de o braço dele me prender, sem me conseguir soltar sem o acordar. Olhei para ele, tão calmo, tão sereno, sentia a respiração dele em mim, o calor do corpo perto do meu, o cabelo um pouco despenteado, mas os caracóis estavam perfeitos, e a luz iluminava-os fazendo-os mais claros e brilhantes, dando-lhe um aspecto mais angelical, olhei bem para a cara dele, tentei ver bem quaisquer marcas, sinais e dei por mim a tentar decorar o local onde estavam e a contar, a luz e a proximidade realçavam cada pedaço de pele. Os olhos estavam fechados e desejei que estivessem abertos, para ver a cor deles, cor que mudava quando a luz batia, quando o David estava feliz brilhavam, olhos que demonstravam sempre o que ele sentia, queria saber o que ele sentia quando abrisse os olhos e olhasse para mim. Olhei por fim para os lábios, era como se fossem desenhados exactamente para ele, únicos, que mostravam um sorriso indescritível, que me aquecia sempre, pensei como seriam ao toque, já os tinha sentido inúmeras vezes, mas nunca tinha tomado atenção como seria, imaginei o sabor deles, se seriam doces, se iriam saber a algo, se ele tinha algum sabor característico, queria saber, desejei que ele me beijasse.
Beijar? Eu não estou bem...eu quero beijar o David? Será que sinto algo por ele? Não pode ser...será que toda a gente tinha razão?
11 comentários:
Já sabes a minha opinião sobre a tua FIC.
Se já andava "amarrada" á FIC, daqui para a frente é que não me desprendo mesmo dela :P Tu sabes ao que me refiro :D :D
Estou a adorar tudo!
Continua... quero maissssssss
Bjs
é claro que toda a gente tem razao xD
estou a gostar muito
beijiinho
Adoreiiiiiiiiiiiiiiii!
Lógico que toda a gente tinha razão!
Parabéns!
Quero mais :B
adorei...
quero mais...
se poderes posta mais hoje, por favor...
continua...
tou super curiosa para ver o proximo capitulo...
continua...
esta muito boa
Meu deus Catarina, o David tem de a beijar!
É a primeira vez q venho à tua fanfic e adorei! Continua! Parabens
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Está fantástica, eu estou a adorar a fic.
Posta logo :p
Beijinho
Obrigada a todas. Nem tenho palavras para os vossos comentários.
O próximo capitulo, sem dúvida, vai vos deixar surpreendidas. Beijo? Não posso dizer, depois veem.
Só agora é que deu conta ?! xP
Gostei mesmo muito !
Continua!
Beijo : D
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