Continuei muito em baixo, quando estava com o David só o imaginava com ela, ela que devia ser mais bonita que eu, devia vestir roupas lindas, usar maquilhagem, cabelos perfeitos, saltos altos e eu apenas era uma simples rapariga, também tinha algumas roupas bonitas, mas sempre fui mais do género de maria rapaz, a preferir sapatilhas e sapatos rasos, a raramente usar maquilhagem, e a preferir futebol e outros desportos do que moda e essas coisas. Sabia que para o David gostar dela é porque ela devia ser deslumbrante e devia ter bom gosto, eu não era nada de jeito ao pé dela quase de certeza, a única pessoa que me achava linda é o Ruben mas não consigo sentir nada por ele, apenas uma amizade. Quem me dera que pudesse tirar o meu coração e colocar outro que amasse o Ruben.
A caminho do psiquiatra ouvi uma música que voltava a descrever o meu estado de espírito, e cantei, sem tirar os meus olhos dele, ele mal reparou, concentrado na estrada.
But she wears short skirts, I wear t-shirts
She's cheer captain, and I'm on the bleachers
Dreaming about the day when you wake up and find
That what you're looking for has been here the whole time
If you could see that I'm the one who understands you
Been here all along, so why can't you see
You belong with me
You belong with me.
Quando chegamos a sessão foi igual às dos últimos dias, o psiquiatra a tentar fazer-me falar mais o David, eu a não responder e a por os phones nos ouvidos, e no fim acabo por dar o diário ao psiquiatra para ele ler, ele lê, aponta algo e entrega-me o diário sem dizer nada.
“Catarina, pode ficar mais um pouco? Tenho de lhe dizer algo em privado.” – ouvi o que o psiquiatra disse porque ele colocou-se ao meu lado, retirou-me um dos phones do ouvido.
O David ficou um bocado surpreendido, era visível na cara dele, mas não disse nada, eu acenei que sim.
“Eu fico esperando no carro.” – ele saiu e o psiquiatra fez sinal para eu me sentar.
“Catarina, do que li no diário e do que vejo, algo mudou nos últimos tempos e acho que sei o que é, mas quero ter a certeza. Os seus sentimentos pelo David mudaram, ama o David correcto?”
“Sim.”
“Não pode continuar a guardar algo assim. Está a magoá-la, está a sofrer e não está a melhorar. Se não fizer nada, vai ser cada vez pior.”
“Eu sei, mas não posso. Tenho de o esquecer. Ele tem alguém e ele não sente o mesmo por mim. Não posso contar, ia perder tudo o que tenho com ele e não o posso perder, se bem que já estou a perde-lo e não sei como vou aguentar, de qualquer forma vou perdê-lo, tudo porque me apaixonei por ele. Perco sempre quem mais amo, abandonam-me sempre.” – senti as lágrimas nos meus olhos.
“Catarina, sabe que isso não é verdade. Vai haver sempre alguém que não a vai abandonar, o David não é desse tipo. E se o ama diga-lhe, lute por ele, ele vai ser sempre seu amigo, mas só você pode tomar essa decisão, não posso fazer nada.”
“Eu sei, e não vou mudar a minha decisão. Não posso. Adeus.” – saí porta fora, limpando as lágrimas.
Dirigi-me ao carro, entrei e não disse nada ao David, ele percebeu que tinha acontecido algo mas não pressionou. Fui buscar as minhas coisas e fui para casa, onde voltei ao meu comportamento anterior, falava pouco, ia para o computador e não fazia nada, não tinha força para estudar, só ouvia música e chorava. Adormeci rodeada de pensamentos, tudo sobre o David, se havia de contar, se havia de lutar por ele.
Quando acordei voltei à mesma atitude, a minha mãe sabia que se passava algo, mas não sabia do que eu sentia pelo David, talvez desconfiasse, mas nunca agi de forma a mostrar algo, a minha irmã o mesmo, mas tenho a impressão que ela sabe mesmo. Hoje a minha irmã vai cantar e a minha mãe vai com ela, eu fico em casa, tenho de acabar um trabalho, mas não o devo acabar e não me apetece ir a lado nenhum.
O tempo passou rápido, o céu escureceu, a minha mãe e irmã foram embora, deixando-me sozinha, numa casa não muito grande, mas grande demais para eu estar sozinha, tornando-se fria e sombria, o trabalho ficou por fazer, só pensava nele. Sabia que ele devia estar num encontro com ela, ele tinha dito que ia sair e sabia que só podia ser com ela, senti uma lágrima na minha cara, doía, doía saber que ele estava com ela, que ela o fazia feliz e não eu.
O meu telemóvel tocou, olhei para o ecrã e não quis atender, aquela pessoa era a única que não queria atender, o meu pai, tocou e tocou, até que parou, depois voltou a tocar novamente e vi que era ele outra vez. Não queria atender, sabia o que ia acontecer, estava a ver bem a cena na minha cabeça, ele ia culpar-me, ia dizer-me que não valho nada. Quando ele parou liguei ao David antes que o meu pai ligasse de novo, chamou e chamou, mas ele não atendeu, pouco depois o meu telemóvel voltou a tocar e pensei que fosse o David mas era o meu pai, já não aguentava, ele não ia parar mas não podia atender, não queria sofrer mais, mas não podia desligar o telemóvel, o David podia ligar. Liguei ao Ruben, mas estava desligado, devia estar sem bateria, porque o Ruben anda sempre com o telemóvel e se não atende manda sms, cada vez me sentia pior. Tentei o David outra vez, tocou e tocou mas ele não atendeu.
Comecei a sentir dor, as lágrimas escorriam, o David tinha prometido, mas ele falhou como o meu pai, ele estava a abandonar-me, a deixar-me, sabia que tinha sido um erro apaixonar-me por ele, tudo doía, estava cansada, deitei-me na cama, mas não conseguia dormir, só sentia dor, não podia magoar-me, apesar de ter vontade de o fazer, mas não podia ceder, só pensava se dormisse ia adormecer a dor, ia fazer-me esquecer. Fui a cozinha buscar a bolsa dos comprimidos da minha mãe, enchi um copo com agua e levei para o quarto. Agarrei nos comprimidos e espalhei os na cama, vi quais eram os que me podiam por a dormir e tomei um, voltei a deitar-me e esperei, mas a dor continuava e o sono não aparecia, eu só queria dormir para esquecer, dormir e só acordar quando tudo estivesse bem, quando deixasse de doer. Tomei outro e voltei a esperar, fiquei ensonada mas não conseguia dormir, agarrei em mais que um e tomei, não sei quantos eram, apenas esperava que fossem os suficientes para adormecer a dor, para me fazer esquecer, comecei a sentir o corpo dormente, os meus olhos a querer fechar, a dor ainda estava ali, ouvia as palavras do meu pai a dizer que não valia nada, mas acima de tudo ouvia a promessa do David, a promessa que ele quebrou, senti mais lágrimas, antes dos meus olhos se fecharem e ainda ouvi as palavras dele naquele dia antes de deixar de sentir.
“Prometo, não vou deixar você, não vai ficar sozinha Catarina. Eu não seria capaz de magoar você assim, prometo.”
9 comentários:
fantastico sem duvida...
quero mais...
quando escreves?
beijinho
Obrigada.O próximo já está escrito, mas queria ver se escrevia o 49 antes de postar o 48. Hoje já não devo escrever mais, só se for quando chegar.
magnifico...
quero mais...
continua...
cada vez mais me surpreendes a cada capitulo que escreves, tou super curiosa para ver o proximo capitulo...
Oi!!
Nem sei o que te diga, o capítulo está intenso, já me tinhas dito que o ia ser, mas ao ler e sabendo eu o que sei, digo-te fiquei arrepiada!!!
É verdade e não tenho qualquer problema em admitir, continua sei o que posso esperar dos próximos capítulos e isso só me deixa mais curiosa!
Força e já sabes estou aqui...
Beijocas
Esta absolutamente fantástico Catarina.
Eu cada vez que leio os teus capítulos só me apetece ler mais e mais e mais...leio muitas fanfics, são todas muito boas mas a tua ultrapassa tudo, a maneira como exprimes os sentimentos é algo de fantástico!
Beijinho e continua assim a escrever maravilhosamente! :)
eu queria que ela se envolve-se com o ruben .
escreves tão mas tão bem :)
viciadissima nesta história e na maneira como expressas os sentimentos , continua !
eu já nao sei o que dizer! a tua história é mais do que viciante e bonita, tutens a capacidade de envolver-nos dentro da história! tu tens um dom para aescrita e ocnsegues transmitir tudo cá para fora!
fico à espera do proximo!
beijinhos
:D
Este capítulo está tão bom! Tão expressivo, tão intenso...Está mesmo muito bom, Catarina! Eu adorei!!
Continua :D
Beijo*
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