quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 15

Acordei atordoada, mas sentia-me mais calma, não sabia bem onde estava quando acordei, depois vi que estava na minha cama, sei que não tinha adormecido aqui e pensei como tinha vindo aqui parar.

“Oi.”

Olhei para a porta do quarto e vi o David. Sabia agora como vim parar ao quarto, estava surpreendida de ele ter ficado na minha casa.

“Olá. Não estava à espera de te ver aqui.” – acendi a luz do candeeiro.

“Não a podia deixar. Não como você estava.” – levantei-me da cama.

“Não tens treino ou algo assim hoje?”

“Não. Folga.”

“A minha mãe…”

“Falei com ela, está tudo legal.”

“Ainda bem.”

“Quer falar de ontem?”

“Não.” – e passei por ele em direcção à sala e ouvi os passos dele atrás de mim.

“Porquê?”

“É difícil. Custa contar.”

“Não tem de contar, só quando se sentir preparada.”

“Obrigada.”

“Tem algo para fazer hoje?

“Não, também não me apetece.”

“Podiamos passar o dia falando. O que acha?”

“Falar do quê?”

“Do que quiser Catarina, podia me ir contando sobre você, não sei muito.”

“Pode ser. Vou só vestir algo.”

A custo vesti os meus skinny jeans e uma camisola de manga comprida castanha, para tapar os pulsos ligados e porque estava frio. Voltei para a sala pouco depois e o David estava a passar os canais da televisão a ver se encontrava algum canal que desse algo decente.

“Queres saber o quê?” – perguntei sentando-me no sofá ao lado dele.

“O que gosta de fazer ou gostava. Se gosta de mais coisas sem ser futebol.”

“Desportos? Gosto de muitos, amo futebol, ténis, futsal, snooker, patinagem artística, no geral vejo um pouco de todos os desportos. Gosto de ler, ouvir musica, ver televisão, em especial series, filmes, documentários e desporto, dançar, e sair com os meus amigos, amava praticar desporto e montar a cavalo, mas deixei quando fui para a universidade.”

“Tem saudades do que deixou por causa da escola?”

“As vezes, mas sei que foi a melhor decisão.”

“Defeitos? Qualidades já me disse, no hospital”

“Mas não acredites muito nos defeitos que digo, outras pessoas podem saber mais do que eu. Teimosa, impulsiva, inconstante, perco a calma facilmente, falo demais, e não me lembro de mais nenhum agora.”

“Medos e vícios?”

“Tinha o vício de roer as unhas, mas perdi-o quando usei unhas falsas para deixar de roer, mas brinco com os dedos e parto as unhas na mesma, ainda tenho o vício de por os dedos à boca para roer, mas não o faço. E tinha o vício de afastar a franja dos olhos quando a usava de lado, mas agora que uso direita já não o faço. Tenho medos muito parvos, ainda vais rir e gozar, não sei se devo dizer.”

“Fala, não digo nada não.”

“Medo de agulhas, injecções e vacinas sabes? Mas até controlo bem se não vir a agulha da seringa, e tento concentrar-me noutra coisa. E tenho muito medo de foguetes, fogo de artificio, mal ouço o barulho quando lançam um ponho logo as mãos nos ouvidos, ou se souber que há foguetes ponho os meus phones e musica no máximo, há uns tempos atrás fugia para debaixo de algo seguro quando ouvia um, agora já não.”

“Deve sofrer em festas com isso, né? Se você estiver comigo não vai a essas festas não.”

“Sofro, lembro-me de ter 6 anos e de estar de férias no Algarve com os meus primos e houve foguetes na praia, como a casa era perto da praia lembro-me de estar a ouvir musica num Walkman muito alto, de estar com o capacete das motas do meu primo na cabeça e com a viseira fechada e com as mãos por cima, no sítio dos ouvidos e os meus primos gozavam, batiam no capacete e perguntavam se estava alguém.”

“A sua família é mesmo boba. E você com as mãos por cima do capacete? Bom demais.” – e ele ria-se.

“Pois, ninguém bate bem da cabeça. É mal de família.” – não evitei em sorrir.

“Um mal muito bom mesmo. É bom ter uma família assim.”

Talvez fosse bom ter uma família assim, mas neste momento a minha família nem eu éramos assim.

3 comentários:

Anónimo disse...

Amei catarina!
Quero mais :D

Catia disse...

Adorei!

Anónimo disse...

Lindo! Mais

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