Não tive muito tempo para pensar no arrepio e no pressentimento, os jogadores entraram e o jogo ia começar, o ambiente tornou-se ensurdecedor, ouvia-se gritar Benfica e só se via um mar de vermelho. O jogo começou depressa tal como os minutos que passavam rapidamente, tentei tirar algumas fotografias com a minha máquina já um bocado ultrapassada, algumas até ficaram decentes mas não eram nada do que eu realmente desejava. O Benfica marcou dois golos praticamente de seguida e o estádio fez se ouvir e os cânticos não paravam. Eu pensava que o jogo já estava decidido quando o Paços marcou um golo, mesmo antes do intervalo, mesmo assim sabia que o Benfica ia ganhar, estavam a jogar muito melhor e só se cometessem algum erro é que o resultado podia mudar.
O intervalo chegou e fui à casa de banho, o meu telemóvel tocou e vi quem era, o meu pai. Não queria atender, mas se não o fizesse ele ia continuar a ligar me até que atendesse, atendi e sabia que era discussão certa.
“Olá, Catarina.”
“Olá.”
“Tudo bem?”
“Sim, e tu?”
“Também, estou a ouvir muito barulho, onde estás?”
“Estou no Estádio da Luz. Porquê? Eu posso ir onde me apetecer.”
“Tu a veres o Benfica? Não esperava por essa.”
“Não ia ficar
“Queria saber como estavas.”
“E só ligas de mês a mês? E não me venhas dizer que eu é que tenho a obrigação de ligar.”
“E tens. Não sou só eu filha.” – arrepiei-me quando ele me chamou filha, depois de tudo como ele tinha coragem para me chamar isso?
“Tu é que tens a obrigação de ligar, foste tu que saíste de casa para viveres com outra, foste tu que traíste a mãe, foste tu que me disseste que eu e a Filipa não valíamos nada. A culpa é tua e eu posso ser tua filha mas as atitudes que tens não é de um pai.” – sentia as lágrimas pela minha cara, só de me lembrar de tudo.
“Estás a dizer que não sou mais o teu pai? Eu que te dei tudo?”
“Tu deixaste de dar tudo no momento em que saíste de casa. Prometeste que nunca me ia faltar nada, e deixaste dar dinheiro para a minha educação e outras despesas, deixaste de me ligar da noite para o dia. Quase que ficamos sem casa e quase que tive de deixar de estudar, tudo por tua culpa.”
“Não ia dar dinheiro a tua mãe, vocês não iam viver as minhas custas!”
“Desiludiste-me muito, pensava que te conhecia, mas foi 18 anos de mentira.” – desliguei o telemóvel e fui limpar as lágrimas, não queria enervar a minha mãe e não queria que ela soubesse o que se tinha passado.
Voltei para o meu lugar tentando parecer o mais normal possível, tentando não mostrar o que realmente sentia, a minha irmã e mãe estavam felizes e não queria que voltassem a ficar
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