sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 12


A minha mãe abriu a porta para eu sair, nem tinha força para abrir a porta de um carro, era mesmo uma inútil. Aproximei-me do carro dele e estava a conhecer o modelo, era um Q7, o carro dos meus sonhos, na cor que queria, branco.

“Está gostando do que vê?”

“Amo. Este carro é o carro dos meus sonhos e com a cor que mais amo. Para mim os únicos carros que ficam bem brancos são os Audi e os BMW.”

“Tem bom gosto. Vamos?”

Chegamos a porta do consultório do psiquiatra e comecei a tremer, tinha medo. Não queria falar, não queria lembrar-me de tudo. O psiquiatra abriu a porta e pediu à minha mãe e irmã para entrarem primeiro. Eu fiquei com o David no exterior e sentamo-nos numas cadeiras.

“Nervosa?”

“Assustada.”

“Porquê?”

“Não quero falar, não quero lembrar-me. Não quero.”

“Vai ter de ser. Não agora, não estou mandando que o faça, mas vai ter de falar ou nunca vai melhorar.”

“Não quero, é doloroso.”

“Eu sei, mas estou aqui para ajudar.” – e senti a mão dele a agarrar na minha e aperta-la ligeiramente.

A porta abriu-se a minha mãe e irmã saíram, e ele fez sinal para eu entrar, mas eu não queria largar a mão do David, não queria entrar sozinha, comecei a tremer, senti a mão dele a agarrar-me com mais força. O psiquiatra fez sinal para o David entrar também comigo e entramos sem ele nunca me largar a mão. Deitei-me naquelas cadeiras de psiquiatra o David largou-me a mão e sentou-se numa cadeira.

“Hoje é só uma pequena sessão, não vou força-la a nada, só quero que me conte o que se passou, o que fez, Catarina.”

“Veja com os seus próprios olhos.” – e mesmo com dores arregacei um pouco da minha manga e viu-se o meu pulso ligado.

“O que sentiu quando o fez?”

“Senti que devia morrer, que sou uma inútil, uma falhada.” – comecei a chorar.

“E porquê se sentiu assim?”

Só de pensar nisso comecei a chorar mais, a tremer, a querer magoar-me, fechei os olhos.

“Catarina? Está a ouvir-me?” – eu ouvia, mas não tinha reacção.

Senti alguém a agarrar-me, abraçar-me e tentei soltar-me, parecia que me queimava o abraço, provocava-me mais dor.

“Catarina, Catarina, sou eu. Calma…” – reconheci a voz e abri os olhos.

Ainda tremia, mas já não ardia o toque dele, encostei-me mais ao corpo dele, sentia-me insegura, desprotegida, sentia que ele era a única coisa que me protegia.

“Desculpa, desculpa, desculpa.” – mal ouvia a minha própria voz.

“Está tudo bem, já passou.”

“A sessão terminou, foi suficiente para ver o que se passa e para tentar perceber os limites da Catarina. Só te quero pedir uma coisa David, podes vir às sessões da Catarina?”

“Porquê? Posso depende das horas.”

“Apercebi-me que ela fica mais calma e segura perto de ti, ela vê-te como uma espécie de protector, salvador, um herói. Há pessoas que podem fechar-se completamente para toda a gente e só conseguirem falar para uma pessoa, conseguirem contar o que se passa, o que sentem a essa pessoa unicamente. ”

“A Catarina é assim. Mas ela disse que não confia em mim.” – ele continuava a abraçar-me enquanto eu me acalmava, ouvia tudo mas não conseguia falar, não tinha forças para isso, só tinha para chorar.

“Com o tempo isso pode mudar, ela até pode já confiar e certas atitudes dela me fazem pensar nisso, mas ela pode não se aperceber desse facto.”

Fiquei a pensar naquelas palavras, será mesmo que já confiava nele? Apenas com tão pouco tempo?

3 comentários:

Anónimo disse...

Adorei catarina! Lindo

Maria disse...

Quando publicas mais? Tou ansiosa

Anónimo disse...

Mais mais por favor!

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