segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Rescue Me - Capitulo 17


Não ia conseguir aceitar um beijo dele, por muito que ele fosse o meu ídolo e já tivesse sonhado uma vez que o beijava, não podia fazer algo que não sentia, tinha de evitar que ele me beijasse. Levantei o meu braço direito e aproximei a mão dele, fechei os dedos deixando o indicador esticado.

“Trimmmm!” – disse e carreguei no nariz dele como se fosse uma campainha, coisa que fazia aos miúdos que conhecia.

“Boba! Porque fez isso?” – ele disse a rir.

“Apeteceu-me.”

“Não está me deixando fazer o que queria. Agora fica quieta, se você volta a fazer uma bobagem dessas volto a atacar você.”

“Ok.”

Sabia que não tinha hipótese, antes um beijo que um ataque de cócegas. Ele voltou a aproximar-se de mim, fiquei nervosa, ele estava cada vez mais perto, olhei para os lábios dele uma vez, mas depressa voltei o meu olhar para os olhos dele, não queria que ele visse para onde eu olhava. Senti a respiração dele nos meus lábios e preparei-me mentalmente para o que ia acontecer, senti os lábios dele, não nos meus mas na minha bochecha e sorri de alívio.

“Viu? Sou original, não fiz como nos filmes ou na novela. Não sou desses.”

“Acredito, até agora tens te revelado diferente.”

“Diferente como?”

“Não sei explicar, um bom diferente, sabes?”

“Acho que sei.” – ele soltou-me e voltamos a ficar sentados ao lado um do outro.

Pouco depois tive de lhe dizer adeus, ele tinha de ir, ia haver treino no dia seguinte, mas tinha o numero dele e o email para podermos falar.

“David, lembras-te de te ter dito que não sabia a última vez que fui feliz.”

“Sim. Porquê?”

“Porque agora já sei.” – ele sorriu e eu também.

Ele abraçou-me, deu-me um beijo na cara e eu dei-lhe um também e ajudei-o a sair para não ser apanhado por ninguém no meu prédio.

Nisto passou-se uns dias. Voltei a ter terapia com o David ao meu lado e foi calmo, o psiquiatra não tocou no meu passado, apenas falamos de varias coisas e ele deu-me oportunidade para desabafar e falar do que eu quisesse, ele não me deve querer pressionar e deve estar a tentar ganhar a minha confiança, mas é mais difícil confiar nele do que no David, com ele foi natural, foi como se já o conhecesse, ele quebrou todas as barreiras facilmente, com ele acho que nunca houve barreiras nem escudos, com ele sinto que posso ser eu, tenho falado muito com ele ao telemóvel quando não estou com ele e falamos de tudo e de nada. Vou voltar as aulas amanha, hoje tiro as ligaduras e sinto me nervosa, as dores já são poucas e já tenho mais sensibilidade apesar de as vezes deixar cair certas coisas ao chão, mas não posso forçar nada.

Entrei no consultório do médico ia ser ele a tirar-me as ligaduras e os pontos, porque ele queria falar comigo e ver como estava.

“Está pronta para retirar tudo?”

“Acho que sim. Vai doer?”

“Pode sentir desconforto e talvez um pouco de dor mas nada demais.”

Não quis olhar para os pontos a serem retirados, não queria ver as cicatrizes. Olhei para o lado, para o David e para a minha mãe, a minha irmã não podia vir por estar ainda no Algarve.


“Estão perfeitas. Não há qualquer problema, agora só tem de ter um pouco de cuidado nos próximos 2-3 dias e depois pode estar à vontade para começar a fazer tudo o que fazia normalmente.” – olhei para os meus pulsos e senti as lágrimas nos olhos.

“Perfeitas? São tudo menos isso. Odeio! São horríveis, feias, imperfeitas, como eu. Gostava de as poder apagar ou esconder para sempre!” – gritei com o médico.

Tinha uma linha em cada pulso, de cor avermelhada, algo imperfeito, horrível, algo que não pertencia ali, algo bem visível mal deixasse de usar camisolas de manga comprida. Chorei sem parar, senti o David a abraçar-me, abracei-o como podia e continuei a chorar, como eu ia continuar a minha vida com isto? Como podia melhorar se cada vez que olhava para os meus pulsos sentia a voltar tudo outra vez? Como podia voltar as aulas como podia enfrentar toda a gente assim? O meu pai tinha razão, não sou ninguém, não sou nada, sou uma falhada e este é o meu castigo.

“Vai ficar tudo bem, Catarina.”

“Não sabes isso, não sabes nada.” – gritei revoltada.

“Posso não saber, mas o sinto. Você é mais forte do que acha, vai ficar bem. Seja o que esteja pensando vai passar, vai ser forte, sabe que a vou ajudar, e quem ama você também.”

Sabia que tinha pessoas que se importavam comigo, sabia que tinha pessoas que me iam ajudar, mas uma parte de mim desejava ter morrido naquele dia, podia ter nunca ter conhecido o David, mas ao menos não via estas marcas, ao menos o passado morria comigo, mas assim nunca iria apagar o passado, marcado para sempre em mim.

8 comentários:

Lisa disse...

Isto esta a melhorar para a catarina!
Ta muito bom, continua :)

Martinha disse...

Lindo!!!
Mais :D

Anónimo disse...

Amei catarina!

Catia disse...

Mais catarinaR! Adorei mesmo

Ana disse...

Mais por favor! Ai que maximo!

Andreia disse...

Adorei!

Anónimo disse...

Quero mais um capitulo hoje :) senao da-me uma coisinha :P

Lili disse...

Tens de continuar :)
Isto ta lindo!!!

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